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Um argumento é válido quando é impossível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão, falsa. Validade é uma propriedade da forma do raciocínio, não da verdade dos fatos: um argumento pode ser válido com premissas absurdas e inválido com premissas e conclusão verdadeiras. Em prova de raciocínio lógico, a pergunta “o argumento é válido?” se resolve com um teste mecânico, que você vai aprender aqui.
Vocabulário
- Premissas: as afirmações dadas como ponto de partida.
- Conclusão: a afirmação que se pretende deduzir.
- Argumento válido: se as premissas são verdadeiras, a conclusão necessariamente é verdadeira.
- Argumento inválido: existe pelo menos uma situação com premissas verdadeiras e conclusão falsa (um contraexemplo).
- Argumento sólido: válido e com todas as premissas realmente verdadeiras. Só aqui a verdade da conclusão fica garantida.
Exemplo que separa validade de verdade. “Todo gato voa. Mimi é gato. Logo, Mimi voa.” A primeira premissa é falsa, mas o argumento é válido: se as premissas fossem verdadeiras, a conclusão seria obrigatória. Ele é válido, e não é sólido.
O inverso: “Se Brasília é capital, o Brasil tem capital. O Brasil tem capital. Logo, Brasília é capital.” Premissas e conclusão são verdadeiras, mas a forma é inválida, como se mostra adiante.
Método 1: tentar tornar a conclusão falsa
É o mais rápido na prova.
- Suponha a conclusão falsa e atribua os valores lógicos às suas proposições.
- Suponha todas as premissas verdadeiras e propague os valores.
- Se surgir contradição, o argumento é válido. Se for possível sem contradição, é inválido, e os valores encontrados são o contraexemplo.
Exemplo A. Premissas: (1) se p, então q; (2) se q, então r; (3) não r. Conclusão: não p.
- Conclusão falsa significa p verdadeira.
- Pela premissa 1, q é verdadeira; pela 2, r é verdadeira.
- A premissa 3 exige r falsa. Contradição. Logo, o argumento é válido.
Exemplo B. Premissas: (1) se p, então q; (2) se r, então q. Conclusão: se p, então r.
- Conclusão falsa: p verdadeira e r falsa.
- Premissa 1: q verdadeira. Premissa 2: com r falsa, a condicional é verdadeira, qualquer que seja q.
- Não houve contradição (p verdadeira, q verdadeira, r falsa). O argumento é inválido.
Método 2: tabela-verdade
Liste todas as linhas (2 elevado ao número de proposições) e procure alguma em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Em argumentos com duas proposições são 4 linhas; com três, 8. Se não houver essa linha, é válido. A tabela é segura, mas lenta; use-a quando o método 1 não for claro. Se precisar rever como montar, veja proposições e tabela-verdade.
As formas clássicas que valem decorar
| Forma | Premissas | Conclusão | Válida? |
|---|---|---|---|
| Modus ponens | p → q; p | q | Sim |
| Modus tollens | p → q; não q | não p | Sim |
| Silogismo hipotético | p → q; q → r | p → r | Sim |
| Silogismo disjuntivo | p ou q; não p | q | Sim |
| Dilema construtivo | p ou q; p → r; q → r | r | Sim |
| Afirmação do consequente | p → q; q | p | Não |
| Negação do antecedente | p → q; não p | não q | Não |
Todas as validações acima foram conferidas por tabela-verdade pela redação.
Por que afirmar o consequente falha. Com p falsa e q verdadeira, “p → q” é verdadeira e “q” é verdadeira, mas “p” é falsa. O exemplo de Brasília tem premissas e conclusão verdadeiras, mas isso é coincidência: a forma é a mesma, e com outra escolha (p falsa, q verdadeira) a conclusão falharia. Basta pensar que o país ter capital não prova que a capital seja Brasília. Em linguagem comum: “Se chove, a rua molha. A rua está molhada. Logo, choveu” é falácia, porque um caminhão-pipa também molha a rua.
Por que negar o antecedente falha. “Se estudo, passo. Não estudei. Logo, não passei.” Pode ter havido outra causa para passar. A versão válida é a contrapositiva (modus tollens): “Se estudo, passo. Não passei. Logo, não estudei.”
Atenção ao “ou”: na lógica de provas, “ou” costuma ser inclusivo (pelo menos um é verdadeiro). Assim, “p ou q; p; logo, não q” é inválido, pois p e q podem ser ambos verdadeiros. Se o enunciado disser “ou… ou”, leia como exclusivo e confira o texto.
Silogismos categóricos e diagramas
Os silogismos com “todo”, “algum” e “nenhum” são mais bem testados com diagramas de conjuntos (veja diagramas de conjuntos).
- Válido: “Todo A é B. Todo B é C. Logo, todo A é C.” O círculo A está dentro de B, que está dentro de C.
- Inválido: “Todo servidor é cidadão. Todo juiz é cidadão. Logo, todo juiz é servidor.” Os círculos de servidor e de juiz estão dentro de cidadão, mas podem estar separados. Um único desenho possível sem a conclusão derruba o argumento.
- Válido: “Nenhum A é B. Todo C é A. Logo, nenhum C é B.”
- Cuidado com “algum”: de “Algum A é B” e “Todo B é C” conclui-se “Algum A é C” (válido). De “Algum A é B” e “Algum B é C” não se conclui nada sobre A e C.
Para negar premissas e conclusões com quantificadores, consulte quantificadores lógicos.
Aplicando em uma questão
“Se o servidor cumpre o prazo, o processo avança. Se o processo avança, o setor é elogiado. O setor não foi elogiado. Logo, o servidor não cumpriu o prazo.” Chame p de cumprir o prazo, q de avançar e r de ser elogiado. As premissas são p → q, q → r e não r; a conclusão é não p. Este é exatamente o Exemplo A: argumento válido.
Erros comuns
- Julgar pela verdade da conclusão (“é verdade que choveu, então está certo”). Valide pela forma.
- Confundir condicional com bicondicional: “se” não significa “se e somente se”.
- Aplicar modus tollens ao contrário (concluir sobre p a partir de q).
- Esquecer que premissas falsas ainda podem formar argumento válido.
- Não testar todas as possibilidades ao buscar contraexemplo.
Fontes e atualização
Lógica proposicional e silogística são conteúdo clássico, sem fonte normativa oficial; este guia é orientação prática. As formas e os exemplos foram verificados por tabela-verdade completa. Confira no edital se o item cobrado trata de “argumentos” ou de “estruturas lógicas”.
Próximos passos
- Estude as equivalências da condicional para reconhecer a contrapositiva.
- Aprenda a negar proposições compostas.
- Veja o lado da escrita em argumentação e falácias na redação.