Raciocínio lógico e matemática

Variância, desvio padrão e coeficiente de variação, com as contas

Média e mediana dizem onde os dados estão; variância e desvio padrão dizem o quanto eles se espalham em torno da média. É um tema típico de prova de nível superior, em que a banca pede a conta completa ou testa as propriedades. Se você ainda precisa da base, comece por estatística descritiva: média, mediana, moda e amplitude.

A ideia em uma frase

A variância é a média dos quadrados dos desvios em relação à média. O desvio padrão é a raiz quadrada da variância e volta à unidade original dos dados. Por isso o desvio padrão é mais fácil de interpretar: se os dados são idades em anos, o desvio padrão também é em anos.

Passo a passo com um conjunto pequeno

Conjunto: 4, 6, 8, 10, 12 (n = 5).

  1. Média: (4 + 6 + 8 + 10 + 12) / 5 = 40 / 5 = 8.
  2. Desvios (cada valor menos a média): -4, -2, 0, 2, 4. A soma dos desvios dá zero, sempre; por isso se eleva ao quadrado.
  3. Quadrados dos desvios: 16, 4, 0, 4, 16. Soma: 40.
  4. Variância populacional: 40 / 5 = 8.
  5. Desvio padrão populacional: raiz de 8, aproximadamente 2,83.

Agora a versão amostral: divide-se por n - 1, em vez de n.

  • Variância amostral: 40 / 4 = 10.
  • Desvio padrão amostral: raiz de 10, aproximadamente 3,16.

População ou amostra?

  • Se os dados são todos os elementos do universo estudado (por exemplo, as notas de todos os alunos de uma turma, quando só interessa essa turma), use n no denominador.
  • Se os dados são uma amostra usada para estimar a variabilidade de um universo maior, use n - 1.

O enunciado costuma dizer qual das duas é pedida. Quando não disser, a palavra “amostra” ou “população” costuma estar nas primeiras linhas. Se a questão fornecer opções que só diferem por esse detalhe, releia o texto com cuidado.

Atalho de cálculo

Existe uma forma equivalente, útil quando a média não é inteira:

Variância populacional = (média dos quadrados dos valores) - (quadrado da média).

No exemplo: os quadrados dos valores são 16, 36, 64, 100 e 144, com soma 360. A média dos quadrados é 360 / 5 = 72. O quadrado da média é 8^2 = 64. Variância: 72 - 64 = 8. Mesmo resultado.

Coeficiente de variação

O desvio padrão depende da escala. Comparar a variabilidade de pesos em quilos com a de alturas em metros exige uma medida relativa. O coeficiente de variação (CV) é o desvio padrão dividido pela média:

CV = desvio padrão / média

No exemplo populacional: CV = 2,83 / 8, aproximadamente 0,354, isto é, cerca de 35%.

Para comparar dois conjuntos, suponha:

  • Conjunto A: média 8, desvio padrão 2,83 (CV de cerca de 35%).
  • Conjunto B: média 100, desvio padrão 10 (CV de 10%).

O B tem desvio padrão maior em valor absoluto, mas é menos disperso em termos relativos. A comparação justa usa o CV. O CV só faz sentido quando a média é positiva e não está perto de zero.

O que muda quando se transforma os dados

Estas propriedades caem com frequência.

Transformação Média Variância Desvio padrão
Somar uma constante c a todos soma c não muda não muda
Multiplicar todos por k multiplica por k multiplica por k^2 multiplica por

Teste com o exemplo.

  • Somando 5 (9, 11, 13, 15, 17): a média passa a 13 e os desvios continuam -4, -2, 0, 2, 4. A variância segue 8.
  • Multiplicando por 2 (8, 12, 16, 20, 24): a média é 16 e os desvios viram -8, -4, 0, 4, 8, com quadrados 64, 16, 0, 16, 64, soma 160. Variância populacional: 160 / 5 = 32, quatro vezes a anterior (2^2 x 8). O desvio padrão é raiz de 32, aproximadamente 5,66, o dobro do original (2 x 2,83).

Uma questão clássica: “os salários de todos os servidores receberam o mesmo aumento fixo (soma de constante). O que ocorre com o desvio padrão?” Nada: a dispersão não muda, só a posição. Se o reajuste fosse um percentual igual para todos (multiplicação por um fator), o desvio padrão seria multiplicado pelo mesmo fator e o CV não mudaria.

Valores que fogem da média

Como os desvios são elevados ao quadrado, valores muito afastados pesam mais. Acrescente o valor 30 ao conjunto 4, 6, 8, 10, 12: a média sobe para 70 / 6, aproximadamente 11,67, e a variância populacional passa a ser bem maior. A variância é sensível a valores extremos. Para dados com extremos, a mediana e a amplitude interquartílica podem ser medidas mais robustas, assunto de quartis, percentis e boxplot.

Como ler as perguntas

  • “Qual a variância?” Confirme se é populacional ou amostral.
  • “Qual o desvio padrão?” Calcule a variância e extraia a raiz. Se o resultado da variância for quadrado perfeito, a conta é rápida: variância 9, desvio 3.
  • “Qual conjunto é mais homogêneo?” Compare o CV, e não o desvio padrão, quando as médias diferem.
  • “Dados com frequência”: multiplique cada quadrado do desvio pela frequência e divida pelo total de observações (ou por total menos 1, na amostral).

Erros comuns

  • Esquecer de elevar ao quadrado e somar desvios simples (a soma dá zero).
  • Dividir por n quando a questão pede amostral, ou o contrário.
  • Dizer que o desvio padrão é a “média dos desvios”.
  • Esquecer de extrair a raiz ao pedir desvio padrão (e se atrapalhar ao confundir com a variância).
  • Comparar dispersões de grandezas diferentes pelo desvio padrão em vez do CV.

Próximos passos

Fontes e atualização

  • Edital do TRF 1 (FGV): o conteúdo de Raciocínio Lógico e Matemático cita noções de estatística (média, moda, mediana e desvio padrão), e o de uma especialidade de análise de dados cita medidas de dispersão (amplitude, variância, desvio padrão e coeficiente de variação).
  • Edital do TRT 10 (Cebraspe): o conteúdo da especialidade de Estatística cita medidas descritivas de posição, dispersão, assimetria e curtose.

As contas foram refeitas e conferidas. Qual medida e qual convenção a banca usa depende do edital e do enunciado.

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