Raciocínio lógico e matemática

Distribuição normal, escore z e regra empírica, com exemplos

A distribuição normal é a “curva em sino” da estatística: simétrica em torno da média, com a maior parte dos valores perto do centro e poucos nas pontas. Em provas, ela costuma vir em três formatos: padronizar um valor (escore z), aplicar a regra empírica (também chamada regra dos três sigmas) e consultar uma tabela fornecida no enunciado.

O que define uma normal

Uma variável com distribuição normal fica determinada por dois parâmetros:

  • μ (média): o centro da curva. Em uma normal, média, mediana e moda coincidem.
  • σ (desvio padrão): controla a largura. Quanto maior, mais achatada e aberta é a curva.

A curva é simétrica: a área à esquerda de μ é igual à da direita, cada uma com metade da probabilidade total. A área total sob a curva é 1.

Escore z: padronizando

O escore z diz quantos desvios padrão um valor está acima ou abaixo da média:

z = (x - μ) / σ

Exemplo: as notas de um simulado seguem uma normal com média 60 e desvio padrão 5.

  • Para x = 70: z = (70 - 60) / 5 = 2. A nota está 2 desvios acima da média.
  • Para x = 52: z = (52 - 60) / 5 = -1,6. A nota está 1,6 desvio abaixo da média.
  • Para x = 60: z = 0. É a própria média.

A padronização transforma qualquer normal na normal padrão (média 0 e desvio padrão 1). É assim que as tabelas funcionam: uma só tabela atende todas as normais, depois de padronizar.

Comparação entre grupos com escalas diferentes: um candidato tirou 70 em um simulado com média 60 e desvio 5 (z = 2); outro tirou 80 em outro simulado com média 72 e desvio 8 (z = 1). O primeiro foi melhor em relação ao seu grupo, mesmo com nota absoluta menor. Essa comparação por escore z é uma questão clássica.

Regra empírica (68, 95 e 99,7)

Para uma distribuição normal, aproximadamente:

Intervalo Proporção dos valores
μ ± 1σ cerca de 68%
μ ± 2σ cerca de 95%
μ ± 3σ cerca de 99,7%

Com a média 60 e o desvio padrão 5 do exemplo:

  • Entre 55 e 65 (μ ± 1σ): cerca de 68% das notas.
  • Entre 50 e 70 (μ ± 2σ): cerca de 95% das notas.
  • Entre 45 e 75 (μ ± 3σ): cerca de 99,7% das notas.

Probabilidades de uma cauda, usando simetria

Fora de μ ± 2σ ficam cerca de 100% - 95% = 5% dos valores, divididos em duas caudas simétricas de aproximadamente 2,5% cada. Logo, a chance de uma nota ser maior que 70 é cerca de 2,5%. A chance de ficar entre 60 e 70 é metade de 95%, isto é, cerca de 47,5%.

Para μ ± 1σ: fora ficam 32%, ou 16% em cada cauda. A chance de uma nota passar de 65 é cerca de 16%, e a de ficar entre 60 e 65 é cerca de 34%.

Raciocínio por simetria resolve muitas questões sem tabela. A regra é uma aproximação; se o enunciado trouxer uma tabela da normal padrão, siga os valores da tabela.

Usando uma tabela da normal padrão

A tabela costuma fornecer a área entre 0 e z (ou à esquerda de z). O procedimento:

  1. Padronize: z = (x - μ) / σ.
  2. Identifique qual área a questão pede (à esquerda, à direita ou entre dois valores).
  3. Use a simetria: a área entre -z e +z é o dobro da área entre 0 e z; a área à direita de +z é igual à área à esquerda de -z.
  4. Confira o que a tabela entrega (área acumulada ou área a partir do zero) antes de usar o número.

Exemplo: se a tabela do enunciado informar que a área entre 0 e 1,00 é 0,3413, então a área entre -1 e +1 é 2 x 0,3413 = 0,6826, o que bate com os 68% da regra empírica. E a área à direita de 1,00 é 0,5 - 0,3413 = 0,1587.

Aplicação: limiar de aprovação

Imagine um grupo de notas que segue uma normal com média 60 e desvio 5. Um critério fictício exige estar a pelo menos 2 desvios acima da média. A nota mínima seria 60 + 2 x 5 = 70, e apenas cerca de 2,5% das notas do grupo chegariam a esse patamar. O raciocínio vale para qualquer limiar: converta o desvio em nota (x = μ + zσ) ou a nota em z.

Quando a normal aparece

  • Em medidas naturais agregadas (alturas, erros de medição), com boa aproximação.
  • Como aproximação de distribuições de médias de amostras grandes (Teorema Central do Limite).
  • Em controle de qualidade, para definir limites de tolerância em torno da média.

O Teorema Central do Limite diz, em linhas gerais, que a distribuição das médias amostrais se aproxima da normal quando o tamanho da amostra aumenta, mesmo que os dados originais não sejam normais. A média das médias amostrais coincide com μ, e o desvio padrão delas (erro padrão) é σ dividido pela raiz do tamanho da amostra. Exemplo: com σ = 5 e amostra de 25 notas, o erro padrão é 5 / raiz(25) = 5 / 5 = 1.

Erros comuns

  • Calcular z como (μ - x) / σ e inverter o sinal.
  • Aplicar 68-95-99,7 a distribuições que não são aproximadamente normais.
  • Esquecer de usar a simetria e fazer contas desnecessárias.
  • Dizer que “99,7% significa que nenhum valor passa de 3σ”: ainda existem valores fora, só que raros.
  • Confundir desvio padrão (dispersão dos dados) com erro padrão (dispersão das médias).

Próximos passos

Fontes e atualização

  • Edital do TRF 1 (FGV): o conteúdo de uma especialidade de análise de dados lista distribuição normal, teorema central do limite e a regra empírica (três sigmas).
  • Edital do TRT 10 (Cebraspe): o conteúdo da especialidade de Estatística lista a Lei dos Grandes Números e o Teorema Central do Limite.

Os valores da regra empírica são aproximações; os cálculos do guia foram conferidos. Confira no edital do seu concurso quais tópicos são cobrados.

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