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Uma proposição é uma frase declarativa que pode ser julgada como verdadeira (V) ou falsa (F), nunca as duas coisas. A tabela-verdade é o quadro que lista todas as combinações de valores possíveis e mostra o resultado de uma proposição composta em cada uma. Dominar esse quadro é a base de quase toda questão de lógica proposicional.
O que é (e o que não é) uma proposição
Para ser proposição, a frase precisa afirmar algo e permitir um julgamento de V ou F. Veja a diferença na prática:
- “Brasília é a capital do Brasil.” É proposição (verdadeira).
- “7 é menor que 3.” É proposição (falsa).
- “Que horas são?” Não é: pergunta não se julga.
- “Estude mais.” Não é: ordem não se julga.
- “x + 2 = 5.” Não é proposição enquanto x não tiver valor definido; é uma sentença aberta.
- “Esta frase é falsa.” Gera paradoxo e não entra em prova como proposição.
O valor lógico de uma proposição simples é V ou F. As letras p, q e r costumam representar proposições simples. Quando você as liga por conectivos, forma uma proposição composta.
Os quatro operadores básicos
Negação (~p). Inverte o valor: se p é V, ~p é F, e vice-versa. “Hoje chove” tem como negação “Hoje não chove”.
Conjunção (p ∧ q), lida “p e q”. Só é verdadeira quando as duas partes são verdadeiras.
Disjunção inclusiva (p ∨ q), lida “p ou q”. É falsa apenas quando as duas partes são falsas. Se ao menos uma é V, o resultado é V.
Disjunção exclusiva (p ⊻ q), lida “ou p ou q”. É verdadeira quando os valores são diferentes, isto é, quando exatamente uma das partes é V.
Resumo em quadro:
| p | q | p ∧ q | p ∨ q | p ⊻ q |
|---|---|---|---|---|
| V | V | V | V | F |
| V | F | F | V | V |
| F | V | F | V | V |
| F | F | F | F | F |
Atenção ao “ou” da língua portuguesa. Na lógica, “ou” sozinho é inclusivo, salvo quando a questão deixar claro que é exclusivo (“ou… ou…”).
Quantas linhas tem a tabela
Cada proposição simples tem 2 valores possíveis, então a quantidade de linhas é 2 elevado ao número de proposições simples diferentes:
- 1 proposição: 2 linhas.
- 2 proposições: 4 linhas.
- 3 proposições: 8 linhas.
- 4 proposições: 16 linhas.
Para organizar as colunas de entrada sem esquecer nenhuma combinação, alterne os valores em blocos. Com p, q e r: a coluna de p tem 4 V e depois 4 F; a de q tem 2 V, 2 F, 2 V, 2 F; a de r alterna V, F, V, F.
Passo a passo: montando uma tabela
Vamos montar a tabela de p ∧ ~q.
- Conte as proposições simples: são duas (p e q), logo 4 linhas.
- Escreva as colunas de entrada p e q.
- Crie uma coluna auxiliar para ~q, invertendo q.
- Aplique o conectivo “e” entre p e ~q.
| p | q | ~q | p ∧ ~q |
|---|---|---|---|
| V | V | F | F |
| V | F | V | V |
| F | V | F | F |
| F | F | V | F |
O resultado só é V na segunda linha, quando p é V e q é F. Sempre resolva de dentro para fora: primeiro negações e parênteses, depois os conectivos.
Calculando o valor lógico com valores dados
Muitas questões não pedem a tabela inteira, e sim o valor de uma composta quando os valores das simples já são conhecidos.
Exemplo. Sabendo que p é V, q é F e r é V, determine o valor de (p ∧ q) ∨ ~r.
- p ∧ q = V ∧ F = F.
- ~r = ~V = F.
- F ∨ F = F.
Resposta: falsa.
Outro exemplo. Com os mesmos valores, calcule ~(q ∨ r) ∨ p.
- q ∨ r = F ∨ V = V.
- ~(V) = F.
- F ∨ p = F ∨ V = V.
Resposta: verdadeira.
Tautologia, contradição e contingência
Depois de montar a tabela, olhe a coluna final:
- Tautologia: todas as linhas V. Exemplo clássico: p ∨ ~p.
- Contradição: todas as linhas F. Exemplo: p ∧ ~p.
- Contingência: mistura de V e F, como a p ∧ ~q que montamos acima.
Verificação de p ∨ ~p: se p é V, o resultado é V ∨ F = V; se p é F, é F ∨ V = V. Nas duas linhas dá V, então é tautologia.
Erros comuns
- Esquecer linhas. Com 3 proposições são 8 linhas, não 6. Use sempre a conta 2 elevado a n.
- Tratar “ou” como exclusivo. Sem “ou… ou…”, o “ou” é inclusivo e vale V quando as duas são V.
- Negar errado. A negação de “Maria é alta” é “Maria não é alta”, e não “Maria é baixa”. Alta e baixa são opostos que deixam espaço no meio.
- Julgar frase que não é proposição. Perguntas e ordens ficam fora da tabela.
- Pular a coluna auxiliar. Resolver tudo de cabeça aumenta a chance de erro; escreva cada etapa.
Como treinar
Pegue frases do dia a dia, dê nome às proposições simples (p, q, r) e invente valores. Depois resolva a composta em voz alta, etapa por etapa. Faça isso até a negação e o “e/ou” virarem reflexo; só então avance para o condicional.
Próximos passos
- Estude o “se… então” em condicional e bicondicional: tabela-verdade e equivalências.
- Aprenda a negar compostas em negação de proposições compostas e leis de De Morgan.
- Veja como organizamos o conteúdo na política editorial.