Redação

Argumentação na redação: tipos de argumento e falácias a evitar

Argumentar é apresentar razões que sustentem uma tese de modo que o leitor possa aceitá-la. Em uma redação de concurso, um bom argumento é claro, relevante para a tese e explicado, e não apenas afirmado. Conhecer os tipos de argumento e as falácias mais comuns ajuda a escolher o que usar e o que evitar.

O que é um argumento

Um argumento tem duas partes: a afirmação (o que você defende) e a justificativa (por que isso é verdade ou razoável). “A educação reduz desigualdades” é afirmação. “Porque amplia as oportunidades de trabalho e de participação social” é justificativa. Sem a segunda parte, há opinião, e não argumento.

Principais tipos de argumento

Argumento de causa e consequência

Mostra que uma situação produz determinado efeito. “A falta de planejamento urbano gera congestionamentos, o que aumenta o tempo de deslocamento.” É dos mais seguros, pois depende de lógica e não de dados.

Argumento por exemplo

Ilustra a tese com um caso concreto. “Um servidor que orienta o cidadão com clareza reduz retrabalho e evita reclamações.” Use exemplos plausíveis e gerais; evite apresentar como fato algo que você não pode comprovar.

Argumento por comparação ou analogia

Aproxima duas situações. “Assim como uma empresa depende de planejamento para funcionar, o serviço público depende de gestão para atender bem.” A analogia ajuda a explicar, mas deve ser adequada; uma comparação forçada enfraquece o texto.

Argumento de autoridade

Apoia-se na opinião de um especialista, de uma instituição ou de uma norma. Só use quando você tiver certeza da informação. Citar uma fonte de modo errado é pior que não citar. Quando não houver certeza, converta em argumento de lógica: em vez de atribuir a alguém, explique o raciocínio.

Argumento de princípio ou valor

Recorre a valores aceitos, como justiça, igualdade e dignidade. “Toda pessoa deve ter acesso igual aos serviços públicos, pois a administração existe para atender ao interesse coletivo.” É adequado em temas éticos, mas precisa de explicação para não virar slogan.

Argumento por contraste

Mostra o oposto para destacar a tese. “Sem transparência, o cidadão não consegue fiscalizar; com ela, o controle se torna possível.”

Argumento de dado ou fato

Usa informações verificáveis. Na prova, o ideal é usar apenas o que você domina e evitar números inventados. Se não tem certeza de um dado, descreva a tendência de modo geral.

Como construir um argumento sólido

  1. Enuncie a ideia em uma frase direta.
  2. Explique por que ela sustenta a tese.
  3. Dê um exemplo ou desdobramento.
  4. Feche ligando de volta à tese.

Esse caminho é o mesmo do parágrafo argumentativo e garante que cada ideia tenha apoio.

Falácias: raciocínios que parecem válidos, mas não são

Falácias são erros de raciocínio que enfraquecem o texto. Reconhecê-las em questões de lógica e evitá-las na redação é igualmente útil.

Generalização apressada

Tirar uma regra geral de um caso isolado. “Um servidor atendeu mal, então todo o serviço público é ruim.”

Falso dilema

Apresentar apenas duas opções quando existem outras. “Ou o Estado resolve tudo, ou nada funcionará.”

Ataque à pessoa

Atacar quem defende uma ideia em vez de discutir a ideia. “Esse argumento não vale, pois quem o propôs não é especialista.”

Apelo à emoção

Usar comoção para substituir argumentos. “Pense nas crianças!” sem explicar a relação com a tese.

Apelo à tradição ou à maioria

Defender algo porque sempre foi assim ou porque muitos acreditam. “Sempre se fez desse modo, logo é o correto.”

Petição de princípio

Usar como justificativa a própria afirmação. “A lei é justa porque é a lei.”

Falsa causa

Considerar que, por um fato vir depois de outro, o primeiro causou o segundo. “Depois da mudança de horário, as reclamações aumentaram; portanto o horário é o culpado.” Sem outras evidências, a relação não está provada.

Bola de neve

Afirmar que um pequeno passo levará inevitavelmente a uma catástrofe, sem justificar. “Se permitirmos um atraso, tudo desmoronará.”

Como evitar falácias na redação

  • Modere afirmações absolutas (“todos”, “nunca”, “sempre”).
  • Use termos como “tende a”, “pode”, “geralmente”, quando for o caso.
  • Considere o contra-argumento e responda a ele.
  • Explique a relação de causa em vez de apenas sugeri-la.
  • Troque ataques e apelos emocionais por razões.

Exemplo de reescrita

Texto com falácia: “Os jovens não se interessam por política, então a democracia está em risco.”

Problemas: generalização apressada (todos os jovens), salto de causa e consequência.

Reescrita: “A baixa participação política de parte dos jovens pode enfraquecer o debate público, pois reduz a diversidade de vozes nas decisões coletivas. Por isso, iniciativas de educação cidadã são importantes.”

A reescrita limita a generalização (“parte dos jovens”), explica a relação (“reduz a diversidade de vozes”) e leva a uma proposta.

Combinando argumentos

Um bom texto raramente depende de um só tipo. Combine, por exemplo, um argumento de causa e consequência no primeiro parágrafo e um argumento de princípio no segundo. A variedade deixa o texto mais rico e menos repetitivo.

Erros comuns

  • Afirmar sem justificar.
  • Usar autoridade sem certeza da fonte.
  • Misturar vários argumentos no mesmo parágrafo.
  • Exagerar na emoção.
  • Apresentar números sem origem.
  • Ignorar a objeção mais óbvia.

Próximos passos

Veja como encaixar esses argumentos no texto em desenvolvimento da redação e parágrafos argumentativos. Para identificar falhas no seu próprio texto, leia sobre erros comuns em redação de concurso.

Leia também

Para continuar no site

Viu algo errado, desatualizado ou confuso? Relatar erro nesta página