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Resumo, síntese e paráfrase em provas discursivas: passo a passo

Muitas provas discursivas não pedem uma dissertação: pedem que você condense um texto de apoio em poucas linhas, reescreva uma ideia com outras palavras ou una dois textos em um só. Resumir bem é reproduzir as ideias centrais do autor, na mesma ordem lógica, sem opinião e sem copiar trechos, dentro do limite de linhas ou palavras. Este guia ensina a distinguir os pedidos, aplicar um método e conferir o resultado.

Quatro pedidos que se confundem

Pedido O que fazer O que não fazer
Resumo Condensar um texto mantendo as ideias principais, na ordem e na perspectiva do autor Opinar, acrescentar informação, trocar a ordem das ideias
Síntese Reunir ideias de um ou mais textos em um texto novo e coerente, com organização própria Resumir cada texto separadamente, em sequência
Paráfrase Reescrever um trecho com outras palavras e estrutura, mantendo todo o sentido, em tamanho semelhante Copiar, alterar o sentido ou encurtar demais
Resenha Resumir e avaliar, com apreciação crítica Esquecer a parte avaliativa quando ela é pedida

A regra de ouro é ler o comando da questão e obedecê-lo. Se pede “resuma”, não critique; se pede “elabore uma síntese dos textos”, não faça dois resumos colados.

Método em seis passos

  1. Leia o comando e o limite. Anote: quantas linhas ou palavras, se há título, se é texto corrido ou em tópicos, e o que o edital diz sobre contagem (por exemplo, como contar palavras com hífen ou numerais). A contagem segue o que o edital estabelecer; confira antes de treinar.
  2. Leia o texto inteiro duas vezes. Na primeira, entenda o tema; na segunda, sublinhe.
  3. Marque a tese e os argumentos. Em cada parágrafo, procure a ideia central. Descarte exemplos, repetições, citações, dados ilustrativos e adjetivos de ênfase.
  4. Monte um esqueleto. Escreva, em tópicos, tema, problema, causa, consequência e proposta (ou a estrutura própria do texto). Mantenha a ordem do autor no resumo.
  5. Redija com suas palavras. Una os tópicos por conectivos de coesão (porque, mas, por isso, assim) e use a terceira pessoa: “O autor defende…”, ou o sujeito direto do texto.
  6. Revise e conte. Verifique fidelidade (nada novo, nada distorcido), concisão, correção gramatical e o limite.

Exemplo resolvido

Texto-base (75 palavras). “O serviço público digital cresceu porque reduz filas e custos, mas a mudança trouxe um problema novo: nem todos os cidadãos têm acesso estável à internet ou familiaridade com os aplicativos. Quando o órgão elimina o atendimento presencial sem oferecer alternativa, os mais pobres e os idosos acabam excluídos de direitos que deveriam alcançar todos. Por isso, especialistas defendem que a digitalização avance junto com canais presenciais, treinamento de servidores e linguagem simples nos sistemas.”

Esqueleto:

  • Digitalização reduz filas e custos.
  • Problema: exclui quem não tem acesso ou familiaridade.
  • Solução: acompanhar com atendimento presencial, capacitação e linguagem simples.

Resumo (36 palavras): “A digitalização do serviço público reduz filas e custos, mas pode excluir quem não tem acesso à internet ou familiaridade com aplicativos; por isso, deve ser acompanhada de atendimento presencial, capacitação de servidores e linguagem simples.”

Conferência: o texto-base tem 75 palavras e o resumo, 36, quase a metade. Todas as ideias centrais estão presentes, a ordem foi preservada, nenhum dado foi inventado e nenhuma opinião foi inserida. Foram cortados o grupo dos idosos e dos mais pobres, por ser exemplo, e a expressão “especialistas defendem”, por ser fonte da ideia. Se o comando exigisse manter a autoria, o resumo começaria por “Segundo o texto,”.

Versão ainda mais curta (21 palavras): “A digitalização dos serviços públicos reduz custos e filas, mas exclui quem não domina a internet; logo, convém manter atendimento presencial.” Aqui se perdeu a capacitação e a linguagem simples, o que pode ser aceitável se o limite for apertado, mas é uma escolha: sempre priorize tese e conclusão.

Como fazer a síntese de dois textos

Imagine um texto A que defende o teletrabalho pela economia de tempo e um texto B que alerta para o isolamento e a dificuldade de acompanhar equipes. Uma síntese correta organiza por ideias, não por texto:

  1. Ponto comum: o teletrabalho altera a rotina do servidor.
  2. Vantagens apontadas.
  3. Riscos apontados.
  4. Conclusão que une as duas leituras: o modelo exige regras claras.

Resumir A e depois B, em sequência, é o erro mais comum. Marque no papel os pontos de convergência e de divergência antes de escrever.

Paráfrase: mantenha tudo, mude a forma

Texto: “A transparência é condição para o controle social.” Paráfrase aceitável: “Sem informação acessível ao público, a sociedade não consegue fiscalizar a administração.” Mudaram as palavras e a estrutura, e o sentido permanece. Um exemplo de paráfrase ruim seria “A transparência é necessária ao controle da sociedade”: só trocou sinônimos, sem mudar a construção, e pode ser considerado cópia disfarçada. Em contrapartida, “A transparência impede o controle social” distorce o sentido.

Verbos de comando e o que cada um sugere

  • Resuma, sintetize, condense: reduzir sem alterar o sentido.
  • Explique, esclareça: acrescentar fundamentação.
  • Comente, analise, avalie: aqui a opinião fundamentada é bem-vinda.
  • Reescreva, parafraseie: manter tamanho e sentido.

Em dúvida, releia o enunciado procurando restrições: “com suas palavras”, “sem acréscimo de opinião”, “em até X linhas”.

Erros comuns

  • Copiar frases inteiras do texto-base.
  • Inserir opinião ou conhecimento externo em um resumo.
  • Inverter a ordem lógica das ideias do autor.
  • Ultrapassar ou ficar muito abaixo do limite (as bancas costumam penalizar os dois).
  • Reproduzir exemplos, em vez da ideia que eles ilustram.
  • Esquecer a coesão: um resumo em tópicos soltos, quando se pede texto corrido.
  • Escrever em primeira pessoa (“eu acho”) sem que o comando permita.

Fontes e atualização

Orientação prática sobre técnica de redação. Os critérios de correção de cada prova (conteúdo, estrutura, correção linguística, limite de linhas, contagem de palavras e penalidades) estão no edital e no caderno de prova de cada concurso e variam por banca. Não há norma geral única; confira sempre o edital do seu certame. O exemplo e as contagens foram elaborados e conferidos pela redação.

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