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IBGE, INSS, Anvisa, Anac, ONU, OAB, TREs: todo texto oficial está cheio de abreviações de nomes de instituições, e o Manual de Redação da Presidência da República dedica um item inteiro a elas. A prova gosta do tema por dois motivos: há uma regra de grafia (maiúsculas ou não) com critérios objetivos e há uma regra de apresentação (primeira citação por extenso). Este guia reúne o que o Manual diz e o que o decreto federal de redação de atos normativos acrescenta.
Sigla e acrônimo: a definição do Manual
O Manual adota conceitos do Manual de Elaboração de Textos da Consultoria Legislativa do Senado:
- Sigla: resultado da soma das iniciais de um título. Exemplo do Manual: Caixa Econômica Federal, CEF.
- Acrônimo: resultado da soma de algumas sílabas ou partes dos vocábulos de um título. Exemplo: Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa.
Na prática, as bancas aceitam as duas palavras de forma próxima; mas, se a questão pedir a distinção, é essa.
Regras gerais
O Manual determina que:
- Não se deve fazer uso indiscriminado de siglas e acrônimos; restringe-se às formas já existentes e consagradas. Em atos normativos, recomenda-se desprezar formas popularizadas que não estejam previstas em dispositivo legal.
- Siglas e acrônimos são escritos no mesmo corpo do texto, sem pontos intermediários ou finais.
- Na primeira citação, o nome é escrito por extenso, de forma completa, antes da sigla ou do acrônimo, que vem entre parênteses. Exemplo do Manual: Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
- Dispensa-se o nome por extenso só para partidos políticos e empresas comerciais cuja forma abreviada se tornou sinônimo do nome, exceto empresas públicas ou estatais.
Como escrever a sigla: maiúsculas ou só a inicial
| Caso | Grafia | Exemplos do Manual |
|---|---|---|
| Até três letras | Todas maiúsculas | ONU, OAB |
| Mais de três letras, pronunciadas letra por letra | Todas maiúsculas | IBGE, INSS |
| Mais de três letras, pronunciadas como palavra | Só a inicial maiúscula | Anac |
| Leitura mista (parte letra, parte palavra) | Podem ser todas maiúsculas | DNIT, HRAN |
| Exceção para evitar confusão com outros termos | Mistura de maiúsculas e minúsculas | CNPq |
Para acertar na prova, o teste é a pronúncia. “I-B-G-E” soletra-se: maiúsculas. “Anac” lê-se como palavra: só a inicial. Siglas de até três letras são sempre maiúsculas, mesmo que se leiam como palavra.
Plural e órgãos estrangeiros
Plural. Admite-se o “s” minúsculo de plural, sem apóstrofo: TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), e não TRE’s. A regra não se aplica a siglas terminadas em “s”: nelas, o plural é indicado pelo artigo (“os DVS”).
Órgãos estrangeiros. Usa-se a sigla na versão em português, que corresponde à expressão original traduzida; adota-se a forma abreviada original quando seu uso é disseminado internacionalmente. Exemplo do Manual: Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Siglas em atos normativos
O decreto federal atual sobre redação de atos normativos (Decreto 12.002/24, art. 11, II, “f”) restringe ainda mais o uso:
- não usar sigla para designar órgãos ou unidades da administração pública direta;
- para entidades da administração indireta, usar apenas se previstas em lei;
- não usar para fazer referência a ato normativo;
- para colegiado, política pública, projeto, programa ou sistema, usar apenas se previstas em lei ou no ato que os instituiu;
- não estabelecer novos usos para siglas preexistentes;
- usar apenas se consagradas pelo uso geral, e não apenas no âmbito de um setor da administração ou de grupo social específico;
- na primeira menção, grafar o nome por extenso, seguido de travessão e da sigla.
Observe a diferença de apresentação: o Manual, para comunicações em geral, fala em parênteses; o decreto, para atos normativos, em travessão. Em prova, siga o que o enunciado pedir e, na dúvida, o Manual.
Destaques: itálico, negrito e aspas
O Manual também regula como destacar termos:
- Itálico: títulos de publicações e eventos e palavras de língua estrangeira não incorporadas ao uso comum (exemplos do Manual: mutatis mutandis, caput, site). Palavras de uso comum ou aportuguesadas não precisam de destaque (internet, mouse, déficit).
- Negrito: realce de palavras e trechos. O sublinhado deve ser evitado em comunicações oficiais.
- Aspas: citações textuais de até três linhas, sem itálico. Citação com quatro ou mais linhas vai em parágrafo recuado, sem aspas e sem itálico.
Para o resto do uso das aspas e dos demais sinais, veja dois-pontos, travessão, parênteses e aspas.
Exemplo resolvido
Corrija: “O Instituto Nacional do Seguro Social (I.N.S.S.) e a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) enviaram o relatório aos TRE’s.”
- “(I.N.S.S.)”: a sigla não leva pontos. Quatro letras soletradas, todas maiúsculas: INSS.
- “(ANAC)”: mais de três letras pronunciadas como palavra, só a inicial maiúscula: Anac.
- “TRE’s”: plural com “s” minúsculo e sem apóstrofo: TREs. Como “TRE” não foi apresentado por extenso antes, a primeira citação também precisa do nome completo: Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
Versão corrigida: “O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviaram o relatório aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).”
Erros comuns
- Pontuar a sigla (I.N.S.S., O.A.B.).
- Escrever a sigla sem apresentá-la por extenso na primeira citação.
- Pluralizar com apóstrofo (TRE’s).
- Escrever tudo em maiúsculas por hábito, sem checar a pronúncia.
- Usar sigla de setor, desconhecida do público, em ato normativo.
Próximos passos
- Aplique as regras num modelo completo: padrão ofício e formatação.
- Reveja os atributos da redação oficial.
- Treine a revisão em erros comuns em redação de concurso.
Fontes e atualização
- Manual de Redação da Presidência da República, página oficial de consulta no gov.br
- Decreto 12.002/24, no Planalto
Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia, no texto da 3ª edição do Manual. O decreto vale para atos normativos federais; confira o manual indicado no edital.