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Ata, relatório e parecer são textos de rotina no serviço público e aparecem em provas de Português e de Redação Oficial. Eles têm em comum a formalidade e a impessoalidade, mas cada um cumpre uma função distinta: a ata registra o que aconteceu numa reunião, o relatório informa sobre atividades ou fatos e o parecer opina de forma técnica sobre uma questão. Veja como reconhecer e escrever cada um.
Ata: o registro fiel de uma reunião
A ata é o documento que reproduz, de modo resumido e fiel, o que se tratou e se decidiu numa reunião, assembleia ou sessão. Ela não é o lugar para opiniões de quem a redige. Seu valor está em servir de prova do que foi deliberado.
Partes que costumam compor uma ata:
- Título, com o tipo e o número da reunião, conforme o padrão do órgão.
- Abertura: dia, hora, local e a descrição da reunião.
- Participantes: quem presidiu, quem secretariou e quem estava presente.
- Pauta e desenvolvimento: assuntos tratados e decisões tomadas, na ordem em que ocorreram.
- Encerramento: fórmula de fechamento, indicando quem lavrou a ata.
- Assinaturas dos presentes ou dos responsáveis, conforme a regra do órgão.
Tradicionalmente, as atas em papel seguem convenções para evitar fraudes: texto corrido, sem parágrafos que deixem espaços em branco, sem rasuras e com numerais escritos por extenso. Quando há um erro percebido durante a redação, usa-se a palavra “digo” para corrigir, e, depois, a ressalva “em tempo” para o que for esquecido. Em atas digitais, a prática pode variar, então confira o que a questão ou o edital informam.
Trecho de exemplo:
Aos dez dias do mês de março, às nove horas, na sala de reuniões da Coordenação, reuniram-se os servidores abaixo assinados para tratar da escala de atendimento. Aberta a sessão pela coordenadora, foi deliberado, por unanimidade, que a escala seguirá o modelo proposto. Nada mais havendo a tratar, lavrou-se a presente ata, que, lida e aprovada, segue assinada pelos presentes.
Note o verbo na voz passiva e a ausência de comentários pessoais.
Relatório: informar com ordem e clareza
O relatório descreve, de forma organizada, uma atividade, um período de trabalho, uma inspeção ou um fato. O leitor, geralmente uma chefia, precisa entender o que foi feito, o que foi constatado e o que se propõe.
Estrutura geral:
- Cabeçalho ou título, com identificação do assunto e do período.
- Introdução: objetivo do relatório e contexto.
- Desenvolvimento: descrição dos fatos, procedimentos e resultados, em ordem lógica ou cronológica. Pode usar itens e tabelas.
- Conclusão: síntese e, quando cabível, recomendações ou encaminhamentos.
- Local, data e assinatura.
O que o diferencia de uma narrativa: objetividade, linguagem técnica e ausência de juízo de valor sem base. Prefira “foram atendidas as demandas listadas” a “o trabalho foi excelente”.
Trecho de exemplo:
O presente relatório trata das atividades de arquivamento realizadas pelo setor no período indicado. Foram organizados os processos conforme a tabela de classificação em uso, identificadas as pastas danificadas e separados os documentos pendentes de digitalização. Recomenda-se a aquisição de material de conservação para o prosseguimento dos trabalhos.
Parecer: a opinião técnica fundamentada
O parecer é uma manifestação escrita de um especialista a respeito de uma consulta. Ele analisa uma questão técnica ou jurídica e conclui com uma opinião fundamentada. Na administração, é comum que o parecer jurídico seja opinativo, ou seja, orienta a decisão de quem tem a competência de decidir, sem substituí-la. Confira a norma do órgão e o enunciado, pois a natureza do parecer pode depender do caso.
Estrutura usual:
- Identificação do processo ou do assunto consultado.
- Relatório: resumo do que foi perguntado e dos fatos relevantes.
- Fundamentação: a análise, com base em normas, princípios, doutrina ou critérios técnicos.
- Conclusão: a resposta objetiva à consulta.
- Data e assinatura do parecerista.
Há também a chamada ementa, um resumo curto que algumas instituições colocam no início para indicar o tema e a conclusão. Nem todo órgão a utiliza.
Trecho de exemplo:
Trata-se de consulta sobre a possibilidade de acumular as atribuições A e B em um mesmo setor. Examinadas as normas aplicáveis, entende-se que não há impedimento, desde que respeitadas as regras de jornada. Conclui-se, assim, pela viabilidade da medida, sob a condição indicada.
Aqui a conclusão responde diretamente ao que foi perguntado. Se o parecerista concluir “talvez” sem motivo, o texto perde utilidade.
Quadro comparativo
| Característica | Ata | Relatório | Parecer |
|---|---|---|---|
| Finalidade | registrar | informar | opinar |
| Linguagem | formal e objetiva | formal e objetiva | formal, técnica e argumentativa |
| Posição do redator | neutra | neutra, com síntese | fundamentada em análise |
| Fecho comum | termo de encerramento | conclusão e assinatura | conclusão e assinatura |
Dicas para a prova discursiva
- Leia o comando e identifique qual texto é pedido antes de escrever.
- Respeite a estrutura: o corretor atribui nota à presença de cada parte.
- Use verbos no tempo adequado: pretérito para fatos relatados e presente para a análise.
- Mantenha a impessoalidade. Evite “eu acho” e adjetivos subjetivos.
- Confira a ortografia, a pontuação e a concordância. Veja o guia de uso da vírgula.
- Não invente dados que o enunciado não deu, como nomes e números de processos.
Erros comuns
- Escrever opiniões pessoais em uma ata.
- Fazer um relatório que narra tudo sem selecionar o que importa.
- Apresentar um parecer sem fundamentação, apenas com a conclusão.
- Misturar as estruturas: por exemplo, fechar um relatório com “nada mais havendo a tratar”.
- Esquecer data, local e assinatura nos fechamentos.
Próximos passos
Compare com ofício, memorando e requerimento, pratique com como treinar e corrigir redação sozinho e leia a política editorial do site.