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Ofício, memorando e requerimento parecem a mesma coisa para quem está começando: são textos formais usados na administração pública. O Manual de Redação da Presidência (3ª edição) unificou aviso, ofício e memorando no “padrão ofício”, mas o uso de cada nome ainda importa. Cada um responde a uma pergunta diferente. Quem escreve? Para quem? Com que finalidade? Se você aprender a fazer essas três perguntas, a maioria das questões de redação oficial fica mais fácil.
O que mudou: ofício, aviso e memorando no padrão ofício
Muito material de estudo ainda ensina que ofício, aviso e memorando são três documentos diferentes. A 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República (a referência da administração federal, muito usada como base em provas) mudou isso. Segundo o Manual, até a edição anterior havia três expedientes que se diferenciavam mais pela finalidade do que pela forma:
- aviso: expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia;
- ofício: expedido para e pelas demais autoridades;
- memorando: expedido entre unidades administrativas de um mesmo órgão.
Para uniformizá-los, a 3ª edição aboliu a distinção e passou a usar o termo ofício nas três hipóteses, com nomenclatura e diagramação únicas: o chamado padrão ofício. Ou seja, hoje a diferença entre os três nomes é só de uso (quem escreve para quem), e não de estrutura.
Isso não significa que a palavra “memorando” desapareceu da vida real. Muitos órgãos e sistemas eletrônicos ainda têm o tipo “memorando” em seus modelos internos. Por isso, em prova, a regra é: identifique qual manual ou norma a questão adota. Se ela citar o Manual da Presidência (3ª edição), vale o padrão ofício. Se citar um manual próprio do órgão, vale o que ele disser.
A lógica por trás da escolha
Mesmo com a unificação da forma, o uso continua dependendo da relação entre remetente e destinatário:
| Documento | Em geral, usado para | Direção da comunicação |
|---|---|---|
| Ofício (padrão ofício) | comunicar-se com outros órgãos, com particulares ou entre unidades do mesmo órgão | externa ou interna |
| Memorando (modelo de uso interno em vários órgãos) | tratar de assuntos entre unidades do mesmo órgão | interna |
| Requerimento | pedir algo a uma autoridade | de quem solicita para quem decide |
Repare que o critério não é o assunto, e sim quem fala com quem. Um pedido de informação entre dois setores do mesmo órgão, na linguagem tradicional, seria um memorando; pelo Manual, seria um ofício no padrão ofício. O mesmo pedido, endereçado a outro órgão, é ofício nos dois casos.
Ofício (padrão ofício)
O ofício é o documento de comunicação oficial usado para encaminhar documentos, solicitar providências, convidar, responder a consultas e tratar de assuntos do serviço, tanto com outros órgãos e com particulares quanto, pelo Manual, entre unidades de um mesmo órgão.
Estrutura geral, que você deve reconhecer (o detalhamento está no guia sobre o padrão ofício):
- cabeçalho, apenas na primeira página;
- identificação do documento (tipo, número e siglas do setor, da menor para a maior hierarquia);
- local e data, alinhados à direita;
- endereçamento;
- assunto, em frase curta;
- vocativo, sempre seguido de vírgula;
- texto, com a apresentação do motivo e o desenvolvimento;
- fecho;
- assinatura, com nome e cargo.
O texto é impessoal, claro e conciso. A numeração e o modelo exato variam de órgão para órgão, então siga o manual que o edital indicar, sem decorar padrões de outros lugares.
Memorando
Memorando é o nome tradicional da comunicação interna, normalmente entre setores do mesmo órgão, ou entre chefias e subordinados. Ele privilegia a rapidez e a objetividade: poucas palavras, sem rodeios, com o essencial para que o destinatário aja.
Características gerais do memorando como é usado na prática:
- é mais enxuto que o ofício tradicional;
- circula dentro da estrutura do órgão;
- pode servir para solicitar material, encaminhar processo a outra unidade, avisar sobre rotinas ou pedir informações.
Atenção: pela 3ª edição do Manual da Presidência, essa comunicação interna também segue o padrão ofício. Se a questão apresentar modelos diferentes para ofício e memorando, ela provavelmente adota um manual anterior ou um modelo do próprio órgão. Confira sempre qual fonte o enunciado ou o edital indica.
Requerimento
Requerimento é o instrumento do pedido. Ele não é um dos expedientes de comunicação do padrão ofício: é o meio pelo qual o interessado pede algo à Administração, e seus modelos variam conforme o órgão. Quem tem um direito ou um interesse a reivindicar (um candidato, um servidor, um cidadão) dirige-se a uma autoridade competente para solicitar algo: certidão, revisão de ato, concessão de um direito previsto em lei, entre outros.
Estrutura típica:
- Endereçamento: a autoridade a quem o pedido se dirige.
- Qualificação do requerente: nome, dados de identificação e, se for o caso, cargo ou matrícula.
- Exposição do pedido: o que se pede e, quando necessário, a razão.
- Fecho de praxe: algo como “Nestes termos, pede deferimento”.
- Local, data e assinatura.
O sujeito do texto costuma aparecer em terceira pessoa na apresentação (“fulano, abaixo qualificado, vem requerer”) ou conforme o modelo adotado. O mais importante é manter a formalidade e deixar claro o pedido.
Exemplo curto de cada tipo
Ofício a outro órgão (trecho): “Senhor Diretor, encaminho a Vossa Senhoria a documentação solicitada, para as providências cabíveis.”
Comunicação interna, tradicionalmente chamada de memorando (trecho): “À Coordenação de Pessoal. Solicito o envio da lista atualizada de lotação até o fim da semana.”
Requerimento (trecho): “Fulano de Tal, abaixo qualificado, vem requerer a emissão de certidão de tempo de serviço. Nestes termos, pede deferimento.”
Nenhum desses exemplos usa dados reais; são apenas ilustrações do tom.
Princípios comuns
Todos os três seguem os mesmos valores da redação oficial:
- Impessoalidade: o texto representa o órgão, não opiniões pessoais.
- Clareza e concisão: dizer o necessário, sem repetição.
- Formalidade e padronização: linguagem respeitosa e estrutura reconhecível.
- Correção gramatical: concordância, regência e pontuação adequadas.
Evite gírias, abreviações informais, adjetivos exagerados e frases emocionais. Termos como “gostaria de pedir encarecidamente” soam fora do padrão.
Como as bancas cobram
As formas mais comuns de questão são:
- apresentar uma situação e pedir qual documento é adequado;
- listar trechos e pedir que você identifique o tipo;
- trazer um texto com erros de formalidade e solicitar a correção;
- afirmar que “memorando é usado para comunicação com particulares” (errado em linhas gerais);
- perguntar se aviso, ofício e memorando têm formas diferentes (pela 3ª edição do Manual da Presidência, não: seguem o padrão ofício; atenção ao manual que a questão adota).
Na discursiva, o examinador pode pedir que você redija um documento a partir de um caso. Treine escrever um de cada tipo, observando as partes. Para saber como corrigir seus textos, veja como treinar e corrigir redação sozinho.
Erros comuns
- Escolher o tipo pelo assunto e ignorar o destinatário.
- Decorar três modelos distintos para aviso, ofício e memorando sem checar qual edição do manual vale.
- Misturar vocativo e fecho de documentos diferentes.
- Escrever em primeira pessoa com opinião pessoal.
- Esquecer o assunto, o local e a data.
- Inventar números ou siglas que a questão não forneceu; use apenas o que o enunciado mostra.
Fontes e atualização
As informações sobre a unificação em padrão ofício vêm da 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República, conferida em cópia do texto hospedada em domínio gov.br. Confirme na página oficial qual é a edição vigente e se o seu edital adota outro manual. O requerimento não é tratado pelo Manual como expediente do padrão ofício; seus modelos dependem do órgão.
Próximos passos
Continue com pronomes de tratamento e fechos na redação oficial, veja ata, relatório e parecer e confira os erros comuns em redação de concurso.