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Pronomes de tratamento são formas respeitosas de se dirigir a uma pessoa, ou de falar dela, em situações formais. Na redação oficial eles aparecem no endereçamento, no vocativo e no corpo do texto. A parte que mais derruba candidatos não é decorar a lista, e sim concordar corretamente e saber a diferença entre falar com alguém e falar sobre alguém.
Vossa ou Sua? A regra da pessoa do discurso
Os pronomes de tratamento que começam por “Vossa” são usados quando você fala diretamente com a pessoa. Os que começam por “Sua” são usados quando você fala dela para outra pessoa.
| Situação | Forma |
|---|---|
| Dirigir-se à autoridade (você fala com ela) | Vossa Excelência |
| Referir-se à autoridade (você fala dela a terceiros) | Sua Excelência |
Exemplos:
- “Solicito a Vossa Excelência que determine as providências.” (o texto vai à autoridade)
- “Informo que Sua Excelência, o Governador, receberá a comitiva.” (o texto fala da autoridade a outra pessoa)
Um truque de memória: Vossa tem a ver com “vós”, ou seja, com a pessoa a quem você se dirige. Sua tem a ver com “ele” ou “ela”.
Principais pronomes e quem os recebe
Atenção ao decreto. Na comunicação do Poder Executivo federal, o Decreto 9.758/19 limita o tratamento ao pronome “Senhor” e proíbe vários tratamentos tradicionais, o que pode conflitar com a tabela do Manual descrita abaixo. Veja o pronome Senhor, as vedações e o endereçamento no decreto e confira qual norma o edital manda seguir.
O Manual de Redação da Presidência da República (3ª edição) traz uma tabela de exemplos de uso dos pronomes de tratamento no endereçamento, no vocativo e no corpo do texto. Ele mesmo avisa que os exemplos são apenas exemplificativos, porque há muitas normas que estabelecem o tratamento por “Vossa Excelência” para categorias específicas e seria inviável listar todas. Alguns exemplos da tabela:
- Vossa Excelência: Presidente da República, Presidente do Congresso Nacional, Presidente do Supremo Tribunal Federal, Vice-Presidente da República, Ministros de Estado, Senadores, Deputados Federais, Ministros do Tribunal de Contas da União e Ministros dos Tribunais Superiores, entre outros;
- Vossa Senhoria: aparece na tabela para postos militares que não são de oficial-general e, em geral, é o tratamento dos demais destinatários que não se enquadram nas hipóteses de Excelência.
Perceba que o pronome não depende do nome da pessoa, mas do cargo ou da dignidade. Outros tratamentos tradicionais, como os usados para reitores e autoridades religiosas, não aparecem nos exemplos do Manual da Presidência; se a prova cobrar, ela deve citar a fonte, e você deve seguir a lista indicada no edital. O Manual também declara abolido o uso de “Digníssimo” (DD) e de “Ilustríssimo” (Ilmo.) e orienta evitar “doutor” de forma indiscriminada: o tratamento por “Senhor” confere a formalidade desejada.
Concordância: o ponto que mais cai
Os pronomes de tratamento levam o verbo para a terceira pessoa, embora o sentido seja de segunda pessoa (alguém com quem você fala). Por isso:
- correto: “Vossa Excelência determinou a medida.” (terceira pessoa do singular)
- incorreto: “Vossa Excelência determinastes a medida.”
Os pronomes possessivos acompanham a mesma lógica. Use seu e sua, não “vosso” ou “vossa”, para indicar o que pertence à autoridade: “Vossa Excelência pode contar com o apoio de sua equipe.” A forma “Vossa Excelência… vossa equipe” mistura a terceira pessoa do verbo com um possessivo de segunda e deve ser evitada.
Quanto ao gênero, substantivo e adjetivo concordam com o sexo da pessoa a quem se refere o pronome, não com o gênero gramatical da palavra “Excelência”. Assim:
- para um homem: “Vossa Excelência está atento ao assunto”;
- para uma mulher: “Vossa Excelência está atenta ao assunto.”
Esse é um erro clássico: achar que, porque “Excelência” é feminino, o adjetivo sempre vai para o feminino.
Endereçamento: a preposição “a” que abre o bloco
No endereçamento, o Manual usa a forma “A Sua Excelência o Senhor” (ou “A Sua Excelência a Senhora”) para quem é tratado por Vossa Excelência, e “Ao Senhor” ou “À Senhora” para quem é tratado por Vossa Senhoria. O Manual diz expressamente que não se usa “A Sua Senhoria o Senhor”. Copie esses modelos tal como estão no manual da sua banca, sem inventar variações.
Abreviaturas
É comum ver “V. Exa.” e “V. Sa.” em textos oficiais. Na tabela do Manual da Presidência, a abreviatura aparece para a maioria das autoridades, mas consta “não se usa” para os chefes de Poder (Presidente da República, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal), de modo que, para eles, o tratamento vai por extenso. Se a questão perguntar, escolha a forma que a fonte indicar.
Vocativo e endereçamento
O vocativo é a saudação inicial do documento. Em geral, usa-se o cargo ou o título da autoridade, precedido de “Senhor” ou “Senhora”, como em “Senhor Ministro,” ou “Senhora Diretora,”. Para os chefes dos Poderes, o Manual da Presidência prevê “Excelentíssimo Senhor” (ou “Excelentíssima Senhora”) seguido do cargo; para as demais autoridades, mesmo as tratadas por Vossa Excelência, o vocativo é “Senhor” ou “Senhora” mais o cargo. Confira a edição que o edital indicar. O endereçamento, por sua vez, identifica quem recebe o documento, com o pronome de tratamento adequado e o cargo.
Um detalhe cobrado: o vocativo normalmente é seguido de vírgula ou conforme o padrão do manual, e o texto começa na linha seguinte. Não é necessário repetir o pronome de tratamento em toda frase; basta usá-lo com adequação ao longo do texto.
Fechos
O fecho é a despedida do documento. O Manual da Presidência (3ª edição) estabelece somente dois fechos para todas as modalidades de comunicação oficial, escolhidos conforme a relação hierárquica entre remetente e destinatário (as comunicações a autoridades estrangeiras ficam de fora, por seguirem rito próprio):
- Respeitosamente: para autoridades de hierarquia superior à do remetente, inclusive o Presidente da República;
- Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia, de hierarquia inferior ou nos demais casos.
Manuais antigos e outras publicações ainda trazem fechos mais numerosos e tratamentos diferentes. Se a questão citar um manual, é ele que vale. Se citar apenas “regra geral”, prefira as duas fórmulas acima, que são as do Manual da Presidência.
No e-mail, o Manual lembra que abreviações como “Att.” e fechos como “Abraços” ou “Saudações” são populares, mas não são fechos oficiais. Se tiver dúvida sobre o fecho adotado pelo órgão, confira o manual.
Exemplo completo em miniatura
Senhor Secretário,
Encaminho a Vossa Excelência o relatório solicitado, para conhecimento e providências que julgar necessárias.
Respeitosamente,
(nome e cargo de quem assina)
Se esse mesmo parágrafo fosse dirigido a um colega de mesma hierarquia, o fecho seria “Atenciosamente”. E, ao mencionar o secretário em outro documento a terceiros, o texto diria “Sua Excelência”.
Como estudar
- Monte uma tabela pessoal com o pronome, quem o recebe e um exemplo de frase.
- Faça dez frases trocando a autoridade e o gênero, para treinar a concordância.
- Resolva questões da sua banca e anote em quais delas o erro foi de concordância e em quais foi de escolha do pronome.
- Releia concordância nominal para reforçar o raciocínio com adjetivos.
Erros comuns
- Usar “Vossa” para falar sobre a pessoa, ou “Sua” para falar com ela.
- Colocar o verbo na segunda pessoa.
- Usar “vosso” ou “vossa” como possessivo da autoridade.
- Concordar o adjetivo com a palavra “Excelência” e não com a pessoa.
- Usar “A Sua Senhoria o Senhor” no endereçamento, forma que o Manual da Presidência afasta.
- Usar fechos antigos ou informais (“Att.”, “Abraços”) em comunicação oficial.
Fontes e atualização
As regras de tratamento, vocativo, concordância e fecho foram conferidas na 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República, em cópia do texto hospedada em domínio gov.br. Confirme na página oficial a edição vigente; o seu edital pode adotar outro manual.
Próximos passos
Veja a estrutura do documento no padrão ofício, a diferença entre os tipos em ofício, memorando e requerimento, treine o texto formal em ata, relatório e parecer e revise a crase.