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A conclusão fecha o texto retomando a tese, sintetizando o raciocínio e, quando o edital pedir, apontando um encaminhamento ou proposta de solução. Ela não traz argumentos novos nem termina de forma abrupta. Uma conclusão bem feita dá ao leitor a sensação de que o texto chegou aonde prometeu chegar.
As funções da conclusão
- Retomar a tese apresentada na introdução, com outras palavras.
- Sintetizar os argumentos desenvolvidos, sem repeti-los por inteiro.
- Encaminhar uma solução, uma recomendação ou uma reflexão final, conforme o que for pedido.
O mais importante é a coerência: tudo que aparece na conclusão deve ter sido preparado antes.
Estrutura em três movimentos
- Retomada: “Diante do exposto, conclui-se que…”
- Síntese: “…pois o serviço digital reduz deslocamentos, mas exige inclusão.”
- Fecho: proposta ou reflexão.
Uma conclusão pode ter de três a seis linhas. Em provas curtas, duas frases já bastam: uma de retomada e uma de fecho.
A proposta de solução: os elementos
Quando o enunciado pede uma proposta, ela fica mais convincente se for completa. Um caminho prático é responder a cinco perguntas.
- Quem? O agente que vai agir (o órgão público, a escola, a sociedade).
- O quê? A ação concreta.
- Como? O meio ou modo de realizar.
- Para quê? A finalidade ou o resultado esperado.
- Sobre qual problema? Ligação com o que foi debatido.
Exemplo: “Cabe aos órgãos públicos (agente) ampliar os canais de atendimento presencial (ação), por meio de postos de apoio e de funcionários treinados (meio), a fim de garantir que nenhum cidadão fique sem acesso aos serviços (finalidade).”
Verifique o edital: nem toda prova pede proposta. Quando o enunciado não exigir, uma retomada com reflexão final é suficiente. Se pedir, atenda de forma explícita.
Modelos de fecho
Retomada com síntese
“Portanto, a ética no serviço público é indispensável para a confiança social, pois assegura imparcialidade e transparência.”
Retomada com proposta
“Assim, para que o atendimento digital seja inclusivo, o poder público deve manter canais presenciais e promover orientação ao cidadão, de modo a garantir o acesso de todos.”
Retomada com reflexão
“Conclui-se, assim, que a tecnologia é aliada do serviço público, desde que não substitua o olhar atento às necessidades de cada cidadão.”
Exemplo comparativo
Tema: a importância da capacitação contínua do servidor.
Conclusão fraca: “Em suma, a capacitação é muito importante e todos devem se capacitar. Além disso, o salário também deve melhorar. Espero que isso aconteça.”
Problemas: expressão vaga (“muito importante”), argumento novo (salário), tom de desejo pessoal, sem agente nem ação.
Conclusão melhor: “Diante disso, a capacitação contínua é essencial para um serviço público eficiente. Cabe aos órgãos oferecer cursos regulares e tempo para a formação do servidor, a fim de melhorar o atendimento à população.”
Aqui, a retomada vem na primeira frase, e a segunda traz agente, ação e finalidade.
Expressões úteis (sem exagerar)
- “Diante do exposto”, “Dessa forma”, “Em síntese”, “Portanto”, “Assim”.
- “Cabe, pois, aos órgãos…”, “É necessário que…”, “Faz-se necessário…”.
Varie as expressões e não repita a mesma fórmula em todos os textos que escrever. Uma estrutura repetida de forma automática perde força.
Erros comuns na conclusão
- Introduzir argumento novo, que o texto não preparou.
- Copiar a introdução palavra por palavra.
- Terminar sem fecho, no meio de uma ideia.
- Propor soluções vagas (“o governo deve fazer algo”).
- Propor soluções irreais ou sem relação com o problema.
- Culpar um único agente sem considerar outros.
- Fechar com frases de efeito que não dizem nada (“a vida é assim”).
- Usar primeira pessoa quando o texto deve ser impessoal.
Como treinar
- Escreva a conclusão antes do desenvolvimento, em forma de rascunho, para ter o destino claro.
- Depois de pronto o texto, compare a conclusão com a introdução: a tese deve estar alinhada.
- Teste cada proposta com a pergunta “quem faz o quê, como e para quê?”.
- Corte tudo que não contribui com a retomada ou com o encaminhamento.
Quando o tema não pede solução
Nem toda prova discursiva exige proposta. Em temas de reflexão, como o papel da ética ou o valor da informação, o fecho pode ser uma síntese que recupera a tese e mostra sua consequência. Nesse caso, evite inventar uma “solução” artificial só para cumprir um modelo: uma conclusão honesta e coerente vale mais do que uma proposta sem ligação com os argumentos. Em contrapartida, se o enunciado usar verbos como “proponha”, “sugira” ou “apresente medidas”, a proposta passa a ser parte obrigatória da avaliação, e deixá-la de fora tende a custar pontos.
Lista de verificação rápida
- A tese foi retomada com outras palavras?
- Os argumentos principais foram sintetizados?
- Há proposta ou reflexão compatível com o edital?
- Não há ideia nova?
- O texto termina de forma firme?
Próximos passos
Se quiser rever o texto como um todo, leia redação dissertativa: estrutura básica. Para corrigir o que você escreveu, siga o guia de como treinar e corrigir redação sozinho.