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Discursiva: critérios de nove editais e fórmulas de desconto

A prova discursiva parece igual em todo concurso: um texto, uma nota. Os editais lidos mostram que ela é bem diferente de banca para banca. Muda o valor, o número de linhas, o critério, a nota mínima e, em alguns casos, a conta, com fórmulas que descontam os erros de português em proporção ao tamanho do texto. Este guia compara nove editais e usa números hipotéticos para mostrar como a fórmula afeta quem escreve pouco e quem escreve o máximo.

Quadro comparativo

Edital lido Valor Linhas Como a nota é montada Mínimo
TRT 10 (Cebraspe) 30 até 30 conteúdo, menos desconto por erros pelo tamanho do texto metade da nota máxima, na ampla concorrência
TRF 1 (FGV) 20 de 15 a 20 estrutura global (abordagem e progressão) mais correção gramatical, com dedução por erro e por linha faltante ou excedente metade da nota
TRT 6 (FCC) 10 de 20 a 30 conteúdo, estrutura e expressão, em partes de 4, 3 e 3 seis
BRB (IADES) 10 de 20 a 30 quatro critérios de 2,5 menos desconto proporcional por erros seis
Cristalina (Ibest) 10 de 20 a 30 conteúdo (até 9) mais escrita (até 1) seis
SEE-MG (Consulplan) 20 texto sobre tema inédito parte do máximo e perde pontos por tipo de erro metade da nota
Polícia Penal de Goiás (IBFC) 10 de 15 a 30 conforme edital; questão de execução penal cinco
Arsesp (Vunesp) 40 conforme edital redação, ou questão dissertativa (10) mais estudo de caso (30) metade da nota
TRF 2 (AOCP) conforme o cargo redação ou estudo de caso pontos por estudo de caso e no conjunto da prova metade em cada estudo de caso e três quintos no conjunto, na ampla concorrência

O peso da discursiva na nota final depende do edital; veja a conta com o quadro de provas do edital como meta de estudo.

A fórmula do desconto por erro

Três editais lidos descontam erros de português de forma proporcional ao total de linhas escritas.

  • Cebraspe (TRT 10): o candidato recebe uma nota de conteúdo (NC), com teto de 30. O número de erros (NE) conta grafia, morfossintaxe e propriedade vocabular. O número total de linhas efetivamente escritas é TL. A nota é NPD = NC menos 6 vezes NE dividido por TL. Se der menor que zero, é zero. Para os cargos de analista, o conteúdo é avaliado por pelo menos dois examinadores, e a nota de conteúdo é a média de duas notas convergentes; se divergirem muito, há uma terceira correção e vale a média das duas mais próximas.
  • IADES (BRB): a nota é o domínio do conhecimento específico (DCE) menos o quociente entre o número de erros e o total de linhas, multiplicado por dois. Zero se negativa; eliminação abaixo de seis.
  • Ibest (Cristalina): soma do domínio do conteúdo (até nove pontos) com o da modalidade escrita (um ponto).

Exemplo hipotético com a fórmula do Cebraspe: um candidato tem NC igual a 24 e comete 10 erros. Se escreve 30 linhas, a nota é 24 menos 6 vezes 10 dividido por 30, ou seja, 24 menos 2, igual a 22. Se escreve 20 linhas, o desconto é 6 vezes 10 dividido por 20, ou seja, 3, e a nota é 21. A diferença de um ponto vem só do tamanho. Outro cenário: 24 de conteúdo e 20 erros em 30 linhas dá desconto de 4 e nota 20.

O exemplo não é previsão de nota, só ilustra o mecanismo: o mesmo conteúdo e o mesmo número de erros rendem mais num texto mais longo, até o limite máximo de linhas. Por isso o Cebraspe desconsidera o que excede as linhas, e outros editais descontam por linha excedente. Ao treinar, escreva até o máximo sem inventar conteúdo para encher, e revise para reduzir erros.

Critérios de conteúdo e forma

Os editais dividem o que é avaliado em blocos semelhantes, com nomes diferentes:

  • FCC: conteúdo (perspectiva, análise crítica, consistência dos argumentos), estrutura (gênero, progressão, coesão) e expressão (nível de linguagem, norma culta).
  • FGV: abordagem do tema e progressão textual na parte global; seleção vocabular e norma culta na parte gramatical.
  • IADES: tema e texto, argumentação, coesão e coerência, elaboração crítica (proposta de intervenção).
  • Ibest e Cebraspe: conteúdo e domínio da modalidade escrita, em duas avaliações.
  • Consulplan: aspectos macroestruturais e microestruturais, com pontos descontados por tipo de erro.

Os editais coincidem em pedir que se respeite o tema e o gênero, que o texto seja organizado e que se escreva na norma culta. A FCC avisa que abordagem tangencial, parcial ou diluída em divagações reduz a nota; o IADES e o Cebraspe dão zero para fuga ao tema.

Quando a nota vira zero

Pelos editais lidos, as causas mais comuns de zero são fuga ao tema, texto em branco, letra ilegível, identificação fora do local próprio, texto com menos do mínimo de linhas (IADES, Ibest) e escrita fora do local indicado. A folha de texto definitivo é o único documento válido; o rascunho não conta em nenhum edital lido.

Quem tem a discursiva corrigida

Em quase todos os editais, só quem fica dentro de um limite de classificação na objetiva tem a prova corrigida. Veja nota mínima, nota de corte e limite de correção. Isso significa que treinar a discursiva só depois do resultado da objetiva é arriscado: se a objetiva não o coloca no limite, a discursiva nem é corrigida.

Como treinar

  1. Descubra a grade da banca do seu concurso e ensaie com ela. Os editais publicam os critérios.
  2. Treine com o limite de linhas real.
  3. Corrija seu texto em duas rodadas: uma de conteúdo, outra de português, como pedem os editais.
  4. Use o modelo de resposta e checklist de revisão e o guia prova discursiva: como é corrigida e como treinar.

Erros comuns

  • Treinar redação genérica e esquecer a grade do edital.
  • Escrever menos do mínimo de linhas.
  • Marcar o texto com nome ou rubrica.
  • Copiar trechos dos textos de apoio.
  • Deixar o rascunho como se fosse a resposta final.

Próximos passos

Fontes e atualização

Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia. Os números dependem do edital; confira a grade vigente do seu concurso.

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