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O teste de hipóteses é a ferramenta que responde se uma diferença observada na amostra é grande demais para ser atribuída ao acaso. Está no edital de estatística de muitos cargos de análise e costuma gerar questões conceituais curtas: o que é H0, o que é nível de significância, qual erro é qual. Este guia define cada termo, resolve um teste z completo e dá um quadro para memorizar os erros, tudo com contas conferidas.
Matéria de estatística inferencial, sem norma aplicável. Se precisar rever a curva z, leia distribuição normal.
Os elementos do teste
- Hipótese nula (H0): a afirmação “de nada novo”, em geral com igualdade. Exemplo: a média é 50.
- Hipótese alternativa (H1): o que o pesquisador quer evidenciar. Exemplo: a média é diferente de 50 (bilateral), maior que 50 ou menor que 50 (unilaterais).
- Nível de significância (α): a probabilidade máxima aceita de rejeitar H0 quando ela é verdadeira. Valores usuais: 0,05 e 0,01.
- Estatística de teste: número calculado da amostra que mede a distância entre o observado e o que H0 prevê.
- Região crítica: o conjunto de valores da estatística que levam à rejeição de H0.
- p-valor: a probabilidade, supondo H0 verdadeira, de obter um resultado tão extremo quanto o observado ou mais.
Regra de decisão pelo p-valor
- Se p-valor ≤ α: rejeita-se H0.
- Se p-valor > α: não se rejeita H0.
Note o jargão: “não rejeitar H0” não é “provar H0”. A amostra apenas não trouxe evidência suficiente contra ela.
Exemplo resolvido: teste z para a média
Um órgão afirma que o tempo médio de atendimento é de 50 minutos. Uma amostra de n = 36 atendimentos tem média de 54 minutos, e o desvio padrão (considerado conhecido) é 12. Teste, com α = 0,05 e hipótese bilateral, se a média difere de 50.
Passo 1: hipóteses
H0: μ = 50. H1: μ ≠ 50.
Passo 2: estatística de teste
- Erro padrão: 12 / √36 = 2.
- z = (54 − 50) / 2 = 2,0.
Passo 3: decisão pela região crítica
Para α = 0,05 bilateral, os valores críticos são −1,96 e +1,96. Como 2,0 > 1,96, o valor cai na região crítica. Rejeita-se H0.
Passo 4: decisão pelo p-valor
P(Z ≥ 2) = 0,0228; no teste bilateral, dobra-se: p-valor = 0,0455. Como 0,0455 < 0,05, rejeita-se H0. As duas formas coincidem, como devem.
Se a média amostral fosse 52
- z = (52 − 50) / 2 = 1,0, dentro de −1,96 e +1,96.
- p-valor bilateral = 0,3173, maior que 0,05.
- Não se rejeita H0: a diferença de 2 minutos é compatível com o acaso nessa amostra.
Esse segundo cenário mostra a lição: a mesma diferença prática pode ser significativa ou não, dependendo do tamanho da amostra e da variabilidade.
Os dois tipos de erro
| Realidade → / Decisão ↓ | H0 verdadeira | H0 falsa |
|---|---|---|
| Rejeitar H0 | Erro tipo I (probabilidade α) | Acerto (poder do teste, 1 − β) |
| Não rejeitar H0 | Acerto | Erro tipo II (probabilidade β) |
Memorize assim:
- Tipo I: rejeitar uma H0 verdadeira (“falso alarme”). Controlado diretamente por α.
- Tipo II: não rejeitar uma H0 falsa (“deixar passar”). Probabilidade β.
- Poder do teste: 1 − β, a chance de detectar um efeito que existe.
Para uma amostra fixa, reduzir α aumenta β: há uma troca entre os erros. A forma de reduzir os dois ao mesmo tempo é aumentar o tamanho da amostra.
Teste unilateral
Se H1 fosse “μ > 50” (unilateral à direita), com α = 0,05 o valor crítico seria +1,645 e o p-valor seria P(Z ≥ 2) = 0,0228. O resultado z = 2,0 também rejeita. O que muda é que a probabilidade de erro tipo I se concentra em uma só cauda. Escolher o tipo de H1 depois de olhar os dados é uma prática incorreta.
Como a prova costuma cobrar
- “O nível de significância é a probabilidade de cometer erro tipo II.” Errado: é tipo I.
- “Se o p-valor é menor que α, rejeita-se H0.” Certo.
- “Não rejeitar H0 prova que H0 é verdadeira.” Errado.
- “Aumentar o tamanho da amostra aumenta o poder do teste, mantendo α.” Certo.
- “O p-valor é a probabilidade de H0 ser verdadeira.” Errado: ele pressupõe H0 verdadeira e mede a probabilidade dos dados.
Erros comuns
- Inverter os erros tipo I e II.
- Esquecer de dobrar o p-valor no teste bilateral.
- Colocar a afirmação a ser provada em H0. Em geral, a conclusão forte (rejeição) corresponde a H1.
- Usar o valor crítico de um lado só num teste bilateral.
- Interpretar “estatisticamente significativo” como “importante na prática”.
Roteiro de resolução
- Escreva H0 e H1 e escolha α.
- Calcule o erro padrão e a estatística z.
- Compare com o valor crítico ou calcule o p-valor.
- Conclua em linguagem do problema: rejeita ou não rejeita H0.
Próximos passos
Combine com intervalo de confiança, amostragem e correlação e regressão.
Fontes e atualização
Assunto de estatística, sem norma aplicável; cálculos conferidos por programa. Os valores críticos são os da normal padrão. Confira no edital o que entra na prova e quais tabelas são fornecidas. Veja a metodologia do site.