Roteiros por concurso e carreira

Roteiro de estudos para Técnico do Seguro Social do INSS

O concurso de Técnico do Seguro Social do INSS que serviu de base para este roteiro tinha duas provas objetivas no estilo Certo/Errado, 120 itens ao todo, e um peso enorme de Direito Previdenciário: são 70 itens de conhecimentos específicos contra 50 de básicos. Quem estuda só Português e Informática e deixa a legislação previdenciária para depois enfrenta o piso da P2 sem preparo. Este é o edital anterior; o do próximo concurso pode mudar, então confira sempre o texto vigente.

O que o edital lido previa

O edital lido foi o Edital 1 do INSS, organizado pelo Cebraspe, para o cargo de Técnico do Seguro Social, com requisito de ensino médio ou curso técnico equivalente concluído até a posse, jornada de 40 horas semanais e vagas distribuídas por Gerência Executiva do INSS (havia uma para o Distrito Federal). As atividades descritas incluíam atender ao público, reconhecer direitos previdenciários e os vinculados à Lei 8.742/93 (LOAS), instruir e tramitar processos e atuar em orientação previdenciária.

A seleção tinha duas etapas:

Etapa Prova Itens Caráter
1ª P1, conhecimentos básicos 50 eliminatório e classificatório
1ª P2, conhecimentos específicos 70 eliminatório e classificatório
2ª Curso de formação prova objetiva de 120 itens e 2 questões discursivas de até 15 linhas eliminatório e classificatório

As duas provas objetivas eram aplicadas juntas, no turno da tarde, em 3 horas e 30 minutos, e valiam 120 pontos no total. O curso de formação tinha até 180 horas presenciais, e a frequência integral era exigida, com tolerância de faltas justificadas até um limite previsto no edital.

Nota líquida e os três pisos

Cada item era julgado Certo ou Errado: acerto vale um ponto, erro desconta um ponto e branco vale zero. Isso é a nota líquida do Cebraspe. O edital eliminava quem:

  • obtivesse menos de 10 pontos na P1;
  • obtivesse menos de 21 pontos na P2;
  • obtivesse menos de 36 pontos no conjunto das duas provas.

Além dos pisos, só avançavam os candidatos mais bem classificados dentro do limite de aprovados por Gerência Executiva previsto no anexo do edital; quem ficasse fora desse limite estava reprovado mesmo com a nota mínima.

Exemplo resolvido

Maria faz a P1 com 30 acertos, 10 erros e 10 em branco: 30 - 10 = 20 pontos. Na P2, tem 40 acertos, 15 erros e 15 em branco: 40 - 15 = 25 pontos. Soma: 45. Passou nos três pisos (20 ≥ 10, 25 ≥ 21, 45 ≥ 36).

João faz 35 pontos na P1 e 19 na P2. A soma é 54, bem acima de 36, mas ele é eliminado porque 19 é menor que 21. A lição prática: uma P1 forte não compensa uma P2 fraca, e o inverso também vale.

Conteúdo da P1: o que o edital listou

  • Língua Portuguesa: interpretação, tipologia textual, ortografia, acentuação, classes de palavras, crase, sintaxe da oração e do período, pontuação, concordância, regência, significação das palavras e redação de correspondências oficiais conforme o Manual de Redação da Presidência da República.
  • Ética no serviço público: Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto 1.171/94) e Decreto 6.029/07.
  • Noções de Direito Constitucional: direitos e garantias fundamentais e administração pública (arts. 37 a 41 da CF/88).
  • Noções de Direito Administrativo: organização administrativa, agentes públicos e a Lei 8.112/90, poderes, atos administrativos, serviços públicos, controle e responsabilidade civil do Estado, Lei 8.429/92 e Lei 9.784/99.
  • Noções de Informática: internet e intranet, edição de textos, planilhas e apresentações no LibreOffice, Windows 7 e 10, navegação, correio eletrônico, vírus e worms.
  • Raciocínio lógico-matemático: proposições, tautologia, conjuntos e porcentagens.

Observe que o edital não informa quantos itens cada disciplina tem dentro dos 50 da P1. Por isso, use as provas anteriores da banca para estimar o peso, sem tratar a estimativa como regra. Para a lógica, veja proposições e tabela-verdade e porcentagem e variações.

Conteúdo da P2: o coração da prova

Os 70 itens da P2 giram em torno da seguridade social. O edital listou, entre outros pontos:

  1. Seguridade Social: origem, conceito, organização e princípios constitucionais.
  2. Regime Geral de Previdência Social: segurados obrigatórios (empregado, doméstico, contribuinte individual, avulso e segurado especial), facultativo, filiação e inscrição.
  3. Financiamento: receitas, contribuições, salário de contribuição, arrecadação, prazos, decadência e prescrição, crimes contra a seguridade social e recursos administrativos.
  4. Plano de Benefícios: espécies de prestações, carência, salário de benefício, renda mensal, reajustamento, manutenção, perda e restabelecimento da qualidade de segurado.
  5. Serviço social e reabilitação profissional.
  6. Benefícios de legislações especiais (pensões especiais, seguro-defeso do pescador artesanal).
  7. LOAS, com BPC e auxílio-inclusão.
  8. Regimes próprios, certidão de tempo de contribuição, contagem recíproca e compensação previdenciária.
  9. A Emenda Constitucional 103/19, a Lei Complementar 142/13, as Leis 8.212/91 e 8.213/91, o Decreto 3.048/99 e a Instrução Normativa PRES/INSS 128/22.

Repare que o edital pede a lei seca e os atos infralegais, não só a teoria. Sobre a base constitucional, leia seguridade social na CF/88 e EC 103 e previdência do servidor.

Roteiro por fases (modelo, sem prazo mágico)

  1. Fase 1: mapeamento. Monte o edital verticalizado com os itens da P1 e da P2. Faça uma prova anterior do Cebraspe só para diagnosticar.
  2. Fase 2: P2 em blocos. Estude por tema: segurados, depois custeio, depois benefícios, depois LOAS. Em cada bloco, leia os artigos das Leis 8.212/91 e 8.213/91 e resolva questões do mesmo tema no mesmo dia.
  3. Fase 3: atos infralegais. Releia o que o Decreto 3.048/99 e a IN 128/22 acrescentam. É onde muita pegadinha de “prazo” e “documento exigido” nasce.
  4. Fase 4: P1 em ritmo constante. Português e Ética pedem prática diária; Direito Administrativo e Constitucional pedem resumos curtos.
  5. Fase 5: simulados cronometrados. Treine 120 itens em 3 horas e 30 minutos, calculando a nota líquida e verificando os três pisos.
  6. Fase 6: revisão de erros. Mantenha um caderno de erros por tema.

Erros comuns

  • Estudar Previdência por resumo de terceiros e nunca abrir a lei.
  • Chutar sem estratégia e ver a nota líquida cair.
  • Ignorar o piso da P2 ao distribuir o tempo de estudo.
  • Esquecer que o edital cita sistemas e versões específicas (por exemplo, Windows 7 e 10 e LibreOffice), que podem ser atualizados no próximo.
  • Deixar a LOAS e as pensões especiais para o fim: são temas curtos e cobrados de forma literal.

Próximos passos

Fontes e atualização

Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia. O edital do próximo concurso pode mudar; confira. Estrutura de provas, pisos e conteúdos são os do edital lido, não uma previsão.

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