Roteiros por concurso e carreira

Câmara, Analista: roteiro de Arquivologia e Biblioteconomia

No edital de Analista Legislativo da Câmara dos Deputados, a especialidade Documentação e Informação Legislativa reúne dois cargos: Arquivologia e Biblioteconomia. O programa é muito diferente do que aparece nos concursos mais comuns: mistura Ciência da Informação, dados, inteligência artificial e a teoria clássica de cada profissão. Este roteiro usa o edital do Cebraspe e organiza o estudo. O próximo edital pode mudar; confira sempre o texto vigente.

Requisitos e atribuições no edital

Os dois cargos exigem diploma de graduação na área (Arquivologia ou Biblioteconomia), com registro no conselho de exercício profissional, e têm lotação exclusiva em Brasília, na unidade de documentação e informação legislativa. As atribuições listadas incluem suporte informacional à atividade legislativa e fiscalizatória, análise, catalogação, classificação e indexação de material, pesquisas em bases especializadas, conservação e restauração de acervos e, para os arquivistas, política de gestão arquivística, plano de classificação, tabelas de temporalidade, avaliação documental e tratamento de arquivos históricos.

Provas, pisos e correção

A estrutura é a mesma dos demais cargos de Analista do certame:

Etapa Itens ou valor Regra
P1, conhecimentos básicos 90 itens mínimo de 18 pontos
P2, conhecimentos específicos 90 itens mínimo de 27 pontos
Soma das objetivas 180 pontos mínimo de 54 pontos
P3, discursiva 60 pontos mínimo de 30 pontos

Cada item é Certo ou Errado: acerto soma 1 ponto, erro tira 1 e branco vale zero. A discursiva tem duas questões de até 20 linhas (15 pontos cada) e uma peça técnica de até 50 linhas (30 pontos). O desconto por erro de língua portuguesa é proporcional às linhas escritas: NQ = NC menos 3 vezes NE dividido por TL nas questões, e NPT = NC menos 6 vezes NE dividido por TL na peça. Para cada cargo, o edital limita quantos candidatos têm a discursiva corrigida, com o mesmo número para ampla concorrência e para cada reserva. Veja o guia sobre como as bancas corrigem a discursiva.

Exemplo refeito. NC = 14 em uma questão, com 2 erros em 16 linhas: NQ = 14 menos 6 dividido por 16, ou seja, 14 menos 0,375, que dá 13,625. Os erros pesam pouco quando o texto é denso e correto; pesam muito em textos curtos e descuidados.

O bloco comum às duas áreas

Nos conhecimentos específicos, os dois cargos compartilham quatro grandes blocos. Eles ocupam boa parte do programa, por isso entram primeiro no plano:

  1. Ciência da Informação, gestão, governança e ética: dado, informação e documento; ciclo de vida; governança de dados (qualidade, proveniência, catálogos, dados abertos); metadados (descritivos, administrativos, técnicos, de preservação); vocabulários controlados, tesauros, taxonomias e ontologias; interoperabilidade; transparência, acesso e sigilo.
  2. Sistemas informacionais, ciência de dados e proteção da informação: modelagem, bancos relacionais e não relacionais, sistemas de busca, estatística descritiva, visualização de dados, mineração de textos, recuperação da informação (indexação, operadores booleanos, precisão e revocação), segurança e criptografia.
  3. Noções de tecnologia e inteligência artificial aplicadas à informação: lógica de programação, noções de SQL, expressões regulares, APIs, web scraping com seus limites jurídicos e éticos, classificação automática, OCR, modelos de linguagem de grande porte, RAG, avaliação de respostas de IA (alucinação inclusive) e proteção de dados.
  4. Conhecimentos básicos (P1): Língua Portuguesa, Inglesa, Direito Administrativo e Administração Pública, Direito Constitucional e Regimento Interno, Tecnologia da Informação e Dados.

Exemplo resolvido de recuperação da informação. Uma busca devolve 40 documentos; 30 são relevantes e a base tem 60 documentos relevantes sobre o assunto. Precisão = relevantes recuperados dividido por total recuperado = 30 dividido por 40 = 0,75. Revocação = relevantes recuperados dividido por total de relevantes na base = 30 dividido por 60 = 0,5. Alargar a busca tende a subir a revocação e derrubar a precisão; é esse equilíbrio que vale entender, porque o edital cita as duas medidas.

O bloco de Arquivologia

O edital divide o específico em dois blocos próprios:

  • Teoria arquivística, gestão documental, política arquivística e legislação: princípios arquivísticos, fundo, série e dossiê, teoria das três idades e records continuum, valores documentais, diplomática, política e programa de gestão de documentos, classificação funcional, tabela de temporalidade, documentos digitais (SIGAD, e-ARQ Brasil, autenticidade), Lei 8.159/91, SINAR e CONARQ, ICP-Brasil, digitalização e as normas internas da Câmara listadas no edital, além do Plano de Classificação e da Tabela de Temporalidade da Casa.
  • Tratamento, preservação, memória e patrimônio documental: arranjo e descrição multinível, NOBRADE, ISAD(G) e normas correlatas, Records in Contexts (RiC), preservação física e digital (OAIS, PREMIS, formatos, migração, fixidez e checksums), repositório arquivístico digital confiável, arquivos permanentes, curadoria, difusão e memória institucional.

Dica de estudo. Faça uma linha do tempo do documento: produção, tramitação, guarda corrente, transferência, avaliação, eliminação ou recolhimento. Ao lado de cada etapa, escreva o instrumento envolvido (plano de classificação, tabela de temporalidade, listagem de eliminação). Assim você fixa a relação entre teoria e prática.

O bloco de Biblioteconomia

  • Fundamentos, organização e representação da informação: cinco leis, bibliotecas físicas, digitais e híbridas, IFLA, catalogação descritiva e controle de autoridade, RDA, AACR2, IFLA LRM e sua relação com os modelos FRBR, FRAD e FRSAD, ISBD, MARC 21, Dublin Core, BIBFRAME e Linked Data, indexação pré e pós-coordenada, CDD e CDU, tesauros e SKOS, desenvolvimento e gestão de coleções, normas da ABNT e fichas catalográficas.
  • Sistemas, serviços e métricas: sistemas integrados de bibliotecas, OPAC, repositórios institucionais, OAI-PMH, Z39.50, fontes de informação legislativa e jurídica (LexML), redes cooperativas, serviço de referência, estudos de usuários, bibliometria, cientometria e altmetria.

Roteiro em fases

  1. Fase 1, mapa do programa. Monte o edital verticalizado e marque o que é comum às duas áreas e o que é só seu.
  2. Fase 2, bloco comum. Metadados, governança de dados e recuperação da informação em primeiro lugar, porque valem para ambas as áreas.
  3. Fase 3, núcleo da profissão. Teoria arquivística ou catalogação e indexação, conforme o cargo.
  4. Fase 4, tecnologia e IA. Estude conceito, vantagem, limite e risco de cada técnica, no nível do edital, que fala em noções e conceitos.
  5. Fase 5, básicos e discursiva. Reserve blocos semanais para Português e Direito Administrativo e para treinar a peça técnica.

Erros comuns

  • Tratar a prova como “só de Arquivologia” ou “só de Biblioteconomia” e deixar o bloco comum para o final.
  • Decorar siglas (NOBRADE, RDA, OAIS) sem saber o que cada norma regula.
  • Esquecer que a P1 tem piso e que o Regimento da Câmara aparece nos básicos.
  • Estudar IA só por manchetes, sem os conceitos do edital.
  • Não treinar a peça técnica com limite de 50 linhas.

Próximos passos

Fontes e atualização

Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia. Pisos, fórmulas e conteúdos são os do edital lido; retificações posteriores podem alterá-los, então confira a versão atualizada.

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