Seu navegador não oferece leitura em voz alta. Você pode ler o guia normalmente.
Qualidade, em gestão, é a capacidade de um produto ou serviço atender às necessidades e expectativas de quem o usa. Em concursos, o tema se divide em três partes: os teóricos da qualidade (cada um com uma ideia-chave), o ciclo PDCA de melhoria contínua e as ferramentas para analisar problemas (Pareto, Ishikawa, 5W2H e outras). A seguir, as ideias organizadas com um exemplo numérico resolvido.
Teóricos e ideias-chave
| Autor | Ideia associada |
|---|---|
| Deming | Melhoria contínua; ciclo PDCA; responsabilidade da alta administração; a maior parte dos problemas está no sistema, não no trabalhador |
| Juran | Qualidade como “adequação ao uso”; trilogia da qualidade: planejamento, controle e melhoria |
| Crosby | Qualidade como conformidade com requisitos; zero defeito; fazer certo da primeira vez; o custo está na não conformidade |
| Ishikawa | Círculos de controle da qualidade; diagrama de causa e efeito (espinha de peixe) |
| Feigenbaum | Controle da qualidade total, envolvendo toda a organização |
A gestão da qualidade total (TQM) reúne esses princípios: foco no cliente (no setor público, o usuário do serviço), envolvimento de todos, melhoria contínua, decisões baseadas em fatos e dados e visão de processos. Quem usa uma norma de sistema de gestão da qualidade de mercado (as normas da família ISO 9000, por exemplo) segue a mesma lógica, mas essas normas são privadas e não são lei.
PDCA: o ciclo da melhoria contínua
O PDCA (ou ciclo de Deming) tem quatro etapas que se repetem:
- P (Plan, planejar): identificar o problema, analisar suas causas e definir metas e plano de ação.
- D (Do, executar): realizar o plano, de preferência em escala piloto, e treinar as pessoas.
- C (Check, verificar): comparar os resultados com as metas.
- A (Act, agir): padronizar se deu certo; se não, corrigir e voltar ao P.
Variante: o SDCA (S de standard) é usado para manter o padrão já conquistado, enquanto o PDCA melhora o padrão. Em outras palavras, melhorar é PDCA; manter é SDCA.
As sete ferramentas básicas da qualidade
- Folha de verificação: formulário para coletar dados de forma organizada.
- Diagrama de Pareto: ordena as causas ou categorias por frequência, com curva de percentuais acumulados; mostra que poucas causas respondem pela maior parte dos efeitos.
- Diagrama de causa e efeito (Ishikawa, espinha de peixe): organiza causas possíveis por categorias, tradicionalmente os “6M”: método, máquina, mão de obra, material, medida e meio ambiente.
- Histograma: distribuição de frequências de uma variável.
- Diagrama de dispersão: relação entre duas variáveis (correlação).
- Gráfico de controle (carta de controle): acompanha a variação de um processo ao longo do tempo e separa variação normal de variação por causa especial.
- Fluxograma (algumas listas trazem a estratificação no lugar dele): visão das etapas do processo.
Exemplo resolvido: Pareto
Uma unidade de atendimento registrou, em um mês, 200 reclamações, classificadas assim:
| Causa | Ocorrências | Participação | Acumulado |
|---|---|---|---|
| Documentação incompleta | 90 | 45% | 45% |
| Erro de cadastro | 50 | 25% | 70% |
| Demora na resposta | 30 | 15% | 85% |
| Sistema indisponível | 20 | 10% | 95% |
| Outras | 10 | 5% | 100% |
Cálculo: 90 dividido por 200 é 0,45, ou 45%; 50 por 200 é 25%; 30 por 200 é 15%; 20 por 200 é 10%; 10 por 200 é 5%. A soma das ocorrências é 90 + 50 + 30 + 20 + 10 = 200, e os percentuais fecham em 100%.
Leitura: as duas primeiras causas respondem por 70% dos casos, e as três primeiras por 85%. A “regra 80/20” é uma aproximação (cerca de 80% dos efeitos vêm de cerca de 20% das causas), não uma lei exata, e aqui três de cinco categorias (60%) ficam em 85%. A decisão prática é atacar primeiro documentação incompleta, por exemplo com uma lista de verificação no balcão, e depois o erro de cadastro. Em seguida, o Ishikawa ajudaria a investigar por que a documentação chega incompleta (método de orientação, meio, material informativo) e o 5W2H organiza o plano.
5W2H e 5S
5W2H é um plano de ação com sete perguntas: What (o quê), Why (por quê), Where (onde), When (quando), Who (quem), How (como) e How much (quanto custa). Exemplo: “o quê: lista de verificação; por quê: reduzir documentação incompleta; onde: balcão; quando: no próximo mês; quem: chefe do atendimento; como: folha impressa e digital; quanto: custo de impressão”.
5S é um programa de organização do ambiente de trabalho, de origem japonesa, com cinco sensos: utilização (seiri: separar o necessário do desnecessário), organização (seiton: um lugar para cada coisa), limpeza (seiso), padronização ou saúde (seiketsu) e autodisciplina (shitsuke). Na repartição, é separar processos e papéis vencidos, identificar prateleiras e manter o hábito.
Seis Sigma e DMAIC
Seis Sigma é uma abordagem de redução de variação e de defeitos que usa o método DMAIC: Define (definir), Measure (medir), Analyze (analisar), Improve (melhorar) e Control (controlar). Note a semelhança com o PDCA: ambos são ciclos estruturados de melhoria, mas o Seis Sigma é mais ancorado em estatística.
Qualidade no setor público
Qualidade no serviço público não é opcional: o art. 37 da CF/88 inclui a eficiência entre os princípios, e o Decreto 9.203/17 (norma da administração federal, citada aqui como referência) pede, entre as diretrizes de governança, simplificação administrativa e modernização da gestão (art. 4º, II) e o monitoramento do desempenho (art. 4º, III). Sobre gestão de riscos, o art. 17, IV, determina que os resultados da gestão de riscos sejam usados para apoiar a melhoria contínua do desempenho e dos processos de gerenciamento de risco, controle e governança. Na relação com o cidadão, a Lei 13.460/17 trata dos direitos do usuário. A diferença em relação ao setor privado é que, no público, o usuário muitas vezes não pode escolher outro prestador, o que torna a responsabilidade pela qualidade ainda maior.
Erros comuns
- Confundir controle da qualidade (verificar e corrigir) com garantia da qualidade (prevenir por meio de processos adequados).
- Trocar as etapas do PDCA: verificar é o C, agir é o A.
- Dizer que o Pareto mostra todas as causas com peso igual; ele mostra a concentração.
- Atribuir o zero defeito a Deming (é Crosby) ou a trilogia a Crosby (é Juran).
- Ler o gráfico de controle como lista de culpados; ele mostra variação do processo, não desempenho individual.
Fontes e atualização
- Decreto 9.203/17, Planalto: art. 4º, II e III, e art. 17, IV.
- Constituição Federal, Planalto: art. 37, caput (eficiência).
Os autores, o PDCA e as ferramentas da qualidade são conteúdo de manuais de administração, sem texto legal único (orientação conceitual); os dados do exemplo são fictícios e didáticos. Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia.
Próximos passos
- Aplique o PDCA a fluxos em gestão por processos.
- Aprenda a medir resultados em indicadores e gestão por resultados.
- Revise o contexto constitucional em princípios do art. 37 da CF/88.