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A análise sintática do período simples aparece nas provas de duas formas: pedindo a função de um trecho destacado ou exigindo que você reconheça o termo para acertar concordância, regência, crase e pontuação. A regra é separar a oração em blocos e classificar cada um. Os termos se dividem em essenciais (sujeito e predicado), integrantes (completam o sentido de um verbo ou nome) e acessórios (acrescentam informação e podem ser retirados sem quebrar a frase).
Primeiro passo: ache o verbo e pergunte pelo sujeito
Cada verbo ou locução verbal indica uma oração. Em um período simples há uma só. Localize o verbo e pergunte “quem pratica ou sofre essa ação?” ou “de quem se diz isso?”. O sujeito é o termo com o qual o verbo concorda em número e pessoa.
Tipos de sujeito
| Tipo | Como reconhecer | Exemplo |
|---|---|---|
| Simples | um núcleo | O candidato estudou. |
| Composto | dois ou mais núcleos | A banca e o órgão publicaram o edital. |
| Desinencial (oculto) | identificado pela terminação verbal | (Nós) estudamos. |
| Indeterminado | existe, mas não se quer ou não se pode identificar | Estudam muito aqui. / Precisa-se de motoristas. |
| Oração sem sujeito | verbo impessoal | Choveu muito. / Há vagas. |
O sujeito pode vir depois do verbo (sujeito posposto): “Chegaram os resultados”. Isso é cobrado porque induz o erro de concordar com o termo mais próximo.
Há três formas clássicas de indeterminar o sujeito: verbo na 3ª pessoa do plural sem referente (“Dizem que a prova será difícil”); verbo na 3ª pessoa do singular com “se”, quando o verbo não pede objeto direto (transitivo indireto, intransitivo ou de ligação: “Precisa-se de motoristas”, “Vive-se bem aqui”, “Era-se feliz”). Compare com a passiva sintética, em que o “se” liga-se a verbo transitivo direto e o sujeito existe: “Vendem-se casas” (casas = sujeito paciente). Para a transposição de vozes, veja o guia de voz verbal.
Verbos impessoais clássicos, que formam oração sem sujeito: os que indicam fenômenos da natureza (chover, ventar, anoitecer), “haver” no sentido de existir ou de tempo decorrido (“Há vagas”, “Faz dez dias que não chove”) e “fazer” ou “ser” indicando tempo ou condição meteorológica (“Faz frio”, “É tarde”).
Predicado: o que se diz do sujeito
O tipo de predicado depende do verbo e de seu núcleo.
- Predicado verbal: o núcleo é um verbo de ação ou fato. “A banca divulgou o gabarito.”
- Predicado nominal: verbo de ligação (ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar, tornar-se, andar com sentido de estar) mais predicativo do sujeito; o núcleo é o nome. “A prova estava difícil.”
- Predicado verbo-nominal: dois núcleos, um verbo de ação e um predicativo (do sujeito ou do objeto). “O candidato saiu da sala nervoso.” (predicativo do sujeito). “A banca julgou a questão difícil.” (predicativo do objeto).
Teste do verbo de ligação: se o verbo puder ser trocado por “ser” ou “estar” sem mudar muito o sentido, provavelmente liga. “Ele anda cansado” (está cansado) é ligação; “Ele anda pela rua” é verbo de ação com adjunto adverbial. “Ele ficou na sala” não liga: “na sala” é adjunto adverbial de lugar. Já “Ele ficou calmo” liga.
Termos integrantes
- Objeto direto (OD): completa verbo transitivo direto, sem preposição obrigatória. “Os candidatos receberam a convocação.” Pode vir preposicionado em casos especiais (por exemplo, com pronomes oblíquos tônicos: “Amo a ti”).
- Objeto indireto (OI): completa verbo transitivo indireto, com preposição. “O servidor obedece à chefia.”
- Complemento nominal (CN): completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), sempre com preposição. “A necessidade de estudo é evidente.” “Ele é favorável à proposta.”
- Agente da passiva: quem pratica a ação na voz passiva analítica. “O edital foi publicado pela banca.”
CN ou adjunto adnominal?
Ambos podem vir com “de” depois de um substantivo. A diferença está no sentido: o complemento nominal tem sentido passivo (é o alvo da ação ou sentimento expresso pelo nome), e o adjunto adnominal tem sentido ativo ou de posse. Compare:
- “A leitura do edital é indispensável.” O edital é lido (alvo): complemento nominal.
- “A leitura do aluno foi atenta.” O aluno lê (agente): adjunto adnominal.
- “A venda do imóvel”: o imóvel é vendido, complemento nominal. “A casa do vizinho”: posse, adjunto adnominal.
Dica de verificação: o CN só existe depois de nome que exprime ação, sentimento ou qualidade (nome abstrato derivado de verbo, como leitura, necessidade, respeito). Depois de nome concreto (casa, livro), o “de” liga adjunto adnominal.
Termos acessórios
- Adjunto adnominal: modifica substantivo (artigo, numeral, pronome adjetivo, adjetivo, locução adjetiva). “Os dois candidatos aprovados.” Em “candidatos de Brasília”, “de Brasília” é adjunto adnominal.
- Adjunto adverbial: indica circunstância (lugar, tempo, modo, causa, intensidade etc.) junto a verbo, adjetivo ou advérbio. “Choveu muito ontem.”
- Aposto: explica ou especifica um termo, em geral entre vírgulas. “Brasília, capital federal, sedia os Poderes.”
- Vocativo: chama ou interpela o interlocutor, isolado por vírgula. “Candidatos, leiam o edital.”
Análise completa de frases
1. “Os candidatos aprovados receberam a convocação.”
- Sujeito simples: “Os candidatos aprovados” (núcleo candidatos; adjuntos adnominais “Os” e “aprovados”).
- Predicado verbal: “receberam a convocação” (verbo transitivo direto + OD “a convocação”).
2. “Precisa-se de motoristas.”
- Sujeito indeterminado (verbo transitivo indireto + “se”, na 3ª pessoa do singular).
- “de motoristas”: objeto indireto.
3. “Vendem-se casas.”
- Passiva sintética. Sujeito: “casas” (paciente). Por isso o verbo concorda no plural.
4. “O candidato saiu da sala nervoso.”
- Sujeito: “O candidato”. Predicado verbo-nominal: “saiu” (verbo de ação), “da sala” (adjunto adverbial de lugar), “nervoso” (predicativo do sujeito).
5. “Há vagas na área administrativa.”
- Oração sem sujeito (“haver” = existir). “vagas” é objeto direto; “na área administrativa” é adjunto adverbial de lugar, e “administrativa” é adjunto adnominal de “área”.
Erros comuns
- Achar que o sujeito é sempre o primeiro termo da frase: observe a concordância.
- Chamar de sujeito o termo introduzido por preposição: sujeito não vem regido por preposição (em “A maioria dos candidatos passou”, o sujeito é “A maioria dos candidatos”).
- Confundir predicativo com adjunto adverbial de modo: o predicativo concorda em gênero e número com o termo que caracteriza (“Elas saíram nervosas”).
- Tratar todo “se” como índice de indeterminação: verifique a transitividade do verbo.
- Marcar CN onde há adjunto adnominal, e vice-versa: use o teste do sentido ativo ou passivo.
Conferência e orientação
Não há norma oficial única para a análise sintática; as bancas seguem a gramática tradicional, e a classificação de alguns casos limite varia entre autores (por exemplo, o objeto indireto “pleonástico” ou o complemento nominal em orações subordinadas). O texto acima apresenta a nomenclatura tradicional e é orientação prática de estudo. Em caso de divergência, o enunciado e o gabarito oficial da banca prevalecem.
Próximos passos
- Passe ao período composto com orações coordenadas e subordinadas.
- Aplique a análise em concordância verbal.
- Veja a relação verbo-complemento em regência verbal.