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Concordância verbal é a relação entre o verbo e o sujeito: o verbo se ajusta ao número (singular ou plural) e à pessoa do sujeito. A regra geral é simples, mas as provas exploram casos em que o sujeito está longe do verbo, vem depois dele ou tem forma incomum. Este guia reúne os casos que mais aparecem.
Primeiro passo: achar o sujeito de verdade
Antes de decidir entre singular e plural, localize o sujeito. Pergunte ao verbo: “quem pratica a ação?”. Em “O conjunto de medidas adotadas pelos órgãos públicos surtiu efeito”, o núcleo do sujeito é “conjunto”, e não “órgãos” nem “medidas”. Por isso o verbo ficou no singular.
O erro mais frequente é concordar com o termo mais próximo do verbo. Cuidado com expressões intercaladas entre o sujeito e o verbo, que não mudam a concordância.
Sujeito composto
Quando o sujeito composto vem antes do verbo, o verbo vai para o plural: “O diretor e a secretária chegaram cedo”.
Quando vem depois do verbo, há duas possibilidades aceitas: o plural ou a concordância com o núcleo mais próximo. “Chegaram o diretor e a secretária” e “Chegou o diretor e a secretária” são aceitas pela gramática. Na dúvida, prefira o plural, que é a opção mais segura.
Com núcleos ligados por “ou”, observe o sentido. Se a ideia é de exclusão (só um pode realizar a ação), o verbo fica no singular: “Maria ou Joana será a nova coordenadora”. Se o sentido é de soma, o plural é aceito.
Com sujeito composto resumido por “tudo”, “nada” ou “ninguém”, o verbo fica no singular: “Livros, cadernos, canetas, tudo estava sobre a mesa”.
Verbos impessoais: haver e fazer
O verbo “haver” no sentido de “existir” é impessoal: fica sempre na terceira pessoa do singular, mesmo se o complemento estiver no plural.
- Correto: “Havia muitos candidatos na sala”.
- Errado: “Haviam muitos candidatos na sala”.
O mesmo vale para locuções com verbo auxiliar: “Deve haver soluções” (e não “devem haver”), “Pode haver dúvidas”. O auxiliar acompanha o impessoal e também fica no singular.
O verbo “haver” com sentido de tempo decorrido também é impessoal: “Há dois meses ele estuda para a prova”.
O verbo “fazer” indicando tempo decorrido ou fenômeno natural fica no singular: “Faz dois meses que ela se mudou”, “Fez dias frios no inverno”.
O pronome “se”
Existem dois usos clássicos.
Partícula apassivadora (verbo transitivo direto): o verbo concorda com o sujeito paciente. “Vendem-se casas”, “Alugam-se salas”. Ao transformar para a voz passiva, a frase fica “Casas são vendidas”.
Índice de indeterminação do sujeito (verbo sem objeto direto, com preposição ou intransitivo): o verbo fica no singular. “Precisa-se de funcionários”, “Trata-se de questões complexas”, “Vive-se bem aqui”.
O truque é verificar se há preposição depois do verbo. Se houver, o verbo não varia.
Expressões partitivas e coletivos
Com “a maioria de”, “a maior parte de” e “grande parte de” seguidos de substantivo no plural, tanto o singular quanto o plural são aceitos. “A maioria dos alunos aprendeu” e “A maioria dos alunos aprenderam” estão corretas. Se a concordância for com o coletivo, o verbo fica no singular.
Com “mais de um”, o verbo fica no singular: “Mais de um candidato reclamou”. A exceção ocorre quando a expressão se repete ou indica reciprocidade: “Mais de um candidato se cumprimentaram”.
Com “um dos que”, o verbo costuma ir para o plural: “Ele foi um dos que chegaram atrasados”. O singular é tolerado em alguns contextos, mas o plural é mais seguro.
Pronomes relativos e pessoais
Com o pronome relativo “que”, o verbo concorda com o antecedente: “Fui eu que resolvi” (o antecedente “eu” pede primeira pessoa). Com “quem”, o verbo vai para a terceira pessoa do singular ou concorda com o antecedente: “Fui eu quem resolveu” e “Fui eu quem resolvi” são aceitas.
Com os pronomes de tratamento, o verbo fica na terceira pessoa: “Vossa Excelência decidiu”, “Vossa Senhoria será comunicada”.
Verbo ser
Nas indicações de horas, o verbo concorda com o numeral: “É uma hora”, “São duas horas”, “São quase três horas”. Para o dia do mês, a forma mais segura é “Hoje é dia 10”.
Se houver dúvida em uma questão, procure a alternativa em que o verbo concorda com o núcleo do sujeito que você identificou no primeiro passo.
Erros comuns
- Concordar com o complemento: “A taxa de reprovações aumentaram” deve ser “aumentou”.
- Pluralizar “haver”: “Haviam dúvidas” deve ser “Havia dúvidas”.
- Esquecer o singular com índice de indeterminação: “Precisam-se de empregados” deve ser “Precisa-se de empregados”.
- Ignorar o sujeito posposto: “Surgiu novas ideias” deve ser “Surgiram novas ideias”.
Exemplo resolvido
Corrija: “Existe dúvidas quanto às provas e deve haver mudanças nos prazos.”
“Existir” não é impessoal; é verbo pessoal e concorda com o sujeito “dúvidas”: “Existem dúvidas”. Já “deve haver” está correto, pois o auxiliar acompanha o impessoal. Frase correta: “Existem dúvidas quanto às provas e deve haver mudanças nos prazos.”
Próximos passos
Para completar o estudo da concordância, leia concordância nominal e casos especiais. Quem erra o verbo por não achar o sujeito também ganha com o guia de regência verbal.