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O modo verbal indica a atitude de quem fala diante do fato: o indicativo apresenta o fato como certo, o subjuntivo como possível, duvidoso ou desejado, e o imperativo expressa ordem, pedido ou conselho. As provas de português cobram três coisas nesse tema: o futuro do subjuntivo dos verbos irregulares (o erro “se eu ver” é campeão), a correlação entre os tempos de uma frase e a acentuação de pares como tem e têm. Este guia organiza tudo, com todas as formas conferidas.
Quadro dos modos e tempos
| Modo | Tempos | Exemplo com o verbo cantar |
|---|---|---|
| Indicativo | presente | canto |
| pretérito perfeito | cantei | |
| pretérito imperfeito | cantava | |
| pretérito mais-que-perfeito | cantara | |
| futuro do presente | cantarei | |
| futuro do pretérito | cantaria | |
| Subjuntivo | presente | cante |
| pretérito imperfeito | cantasse | |
| futuro | cantar | |
| Imperativo | afirmativo e negativo | canta, cante, não cantes |
As formas nominais são infinitivo (cantar), gerúndio (cantando) e particípio (cantado). O infinitivo pode ser flexionado (infinitivo pessoal): “ao chegarem”, “para sermos”. Os tempos compostos usam ter ou haver mais particípio: “tenho cantado”, “tinha cantado”, “terá cantado”.
Quando usar o subjuntivo
O subjuntivo aparece, em geral, em orações subordinadas e depois de palavras que indicam dúvida, desejo, hipótese ou finalidade.
- Conjunções e locuções: se, caso, embora, ainda que, para que, a fim de que, contanto que, a menos que, sem que.
- Advérbios de dúvida e de desejo: talvez, possivelmente, oxalá, tomara que.
- Verbos que expressam vontade ou possibilidade na oração principal: quero que, espero que, é provável que.
- Tempo futuro indefinido: quando, assim que, logo que, depois que, enquanto, referidos a algo ainda por acontecer. “Quando chegar, avise.”
Compare: “Quando chegou, avisou” (fato passado, indicativo) com “Quando chegar, avise” (fato futuro, subjuntivo).
O futuro do subjuntivo e os verbos irregulares
Para verbos regulares, o futuro do subjuntivo é igual ao infinitivo: “se eu cantar”, “quando eles estudarem”. Para os irregulares, a regra prática é partir da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, tirar o -ram e acrescentar -r.
| Infinitivo | 3ª pl. do pretérito perfeito | Futuro do subjuntivo (eu / ele) |
|---|---|---|
| fazer | fizeram | fizer |
| querer | quiseram | quiser |
| pôr | puseram | puser |
| trazer | trouxeram | trouxer |
| ter | tiveram | tiver |
| estar | estiveram | estiver |
| saber | souberam | souber |
| haver | houveram | houver |
| ver | viram | vir |
| vir | vieram | vier |
| ser / ir | foram | for |
| dar | deram | der |
O ponto mais traiçoeiro é ver e vir. O futuro do subjuntivo de ver é vir (se eu vir, se ele vir), idêntico ao infinitivo do verbo vir. O de vir é vier (se ele vier). Assim:
- Correto: “Se você vir o relatório, avise.” Errado: “Se você ver o relatório.”
- Correto: “Quando ele vier, conversaremos.” Errado: “Quando ele vir” (isso seria do verbo ver).
- Correto: “Se eles virem o erro, corrigirão.” Errado: “se eles verem”.
- Correto: “Se você puser o documento na mesa.” Errado: “se você por”.
- Correto: “Se ele fizer a inscrição.” Errado: “se ele fazer”.
- Correto: “Se eu quiser, posso mudar.” Errado: “se eu querer”.
- Derivados acompanham o primitivo: “se ele repuser” (repor), “se ele intervier” (intervir), “se ele mantiver” (manter), “se ele contiver” (conter) e “se ele previr” (prever, que segue ver: previram menos -ram mais -r dá previr).
Na dúvida, aplique sempre a regra da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito.
Correlação entre tempos
Uma frase com condição exige coerência entre o tempo da oração com “se” e o da oração principal.
| Oração com “se” | Oração principal | Exemplo |
|---|---|---|
| futuro do subjuntivo | futuro do presente (ou presente/imperativo) | Se estudar, passará. |
| pretérito imperfeito do subjuntivo | futuro do pretérito | Se estudasse, passaria. |
| pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo (tivesse + particípio) | futuro do pretérito composto (teria + particípio) | Se tivesse estudado, teria passado. |
Erros típicos: “Se eu estudaria, passaria” (futuro do pretérito no lugar errado) e “Se eu tivesse estudado, passaria” quando se quer falar do passado: a construção é admitida na fala, mas o par que as bancas consideram canônico é “se tivesse estudado, teria passado”. Em provas de reescrita, muda-se o tempo da oração com “se” e pede-se o ajuste do resto.
Imperativo na prática
- Afirmativo: a forma de tu vem do presente do indicativo sem o -s (“tu cantas” origina “canta”). Para você, nós e vocês, usa-se o presente do subjuntivo (“cante”, “cantemos”, “cantem”).
- Negativo: sempre o presente do subjuntivo (“não cantes”, “não cante”).
Em textos oficiais prevalece a terceira pessoa (você): “Compareça”, “Apresente os documentos”, “Aguarde”. Observe o erro comum “Faz isso” (tu) misturado com “você”: use “Faça isso”.
Acentuação de verbos que mudam com o número
Alguns verbos têm formas diferentes no singular e no plural da terceira pessoa:
- ter e vir: ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm.
- Derivados com acento no singular: ele mantém, eles mantêm; ele detém, eles detêm; ele convém, eles convêm; ele intervém, eles intervêm; ele provém, eles provêm.
Teste simples: se o sujeito está no plural, o verbo leva o circunflexo em têm ou vêm. “Os servidores que vêm de outro órgão têm direitos iguais.”
Treino comentado
- “Se o candidato ver o erro, deve recorrer.” Corrija para vir (futuro do subjuntivo de ver).
- “Quando as provas vierem corrigidas, o resultado será divulgado.” Correto: vierem é o futuro do subjuntivo de vir, na 3ª pessoa do plural.
- “Se o governo interviesse a tempo, evitaria o dano.” Correto: imperfeito do subjuntivo com futuro do pretérito.
- “Os documentos mantém a validade.” Errado; o certo é mantêm, porque o sujeito é plural.
- “Caso você requeira a certidão, será atendido.” Correto: presente do subjuntivo de requerer, que tem a forma requeiro no presente do indicativo.
Erros comuns
- Usar “ver” e “vir” um pelo outro no futuro do subjuntivo.
- Trocar tem por têm e vem por vêm.
- Usar futuro do pretérito logo depois de “se” (“se eu faria”).
- Esquecer que a regra de partir do pretérito perfeito vale também para os derivados.
- Misturar tu e você no imperativo.
Fontes e atualização
O assunto segue a gramática normativa tradicional. As flexões foram conferidas pela regra do pretérito perfeito (3ª pessoa do plural) e por exemplos próprios da redação. A distinção tem/têm e vem/vêm é regra da ortografia vigente; o acento circunflexo marca o plural. Para cada banca, confira o estilo de questão em provas anteriores; o edital manda.
Próximos passos
- Revise acentuação gráfica.
- Treine voz verbal ativa, passiva e reflexiva.
- Aplique a concordância verbal.