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Orações coordenadas e subordinadas: como classificar na prova

Para classificar uma oração, faça duas perguntas nesta ordem: ela depende sintaticamente de outra? Se não, é coordenada (ou principal). Se sim, é subordinada, e o passo seguinte é descobrir a função que ela exerce: de substantivo (sujeito, objeto, complemento), de adjetivo (caracteriza um termo) ou de advérbio (circunstância). Com os testes abaixo, você classifica sem decorar listas gigantes.

O ponto de partida: período, oração e verbos

Cada verbo ou locução verbal indica uma oração. “Estudei e passei” tem duas orações; “Espero que você passe” também tem duas. O período formado por uma só oração é simples; o formado por duas ou mais é composto.

  • Coordenação: orações sintaticamente independentes entre si, apenas ligadas.
  • Subordinação: uma oração exerce função dentro da outra. A que depende chama-se subordinada; a que “recebe” a função, principal.

Orações coordenadas

Podem ser assindéticas (sem conectivo, separadas por vírgula, ponto e vírgula ou dois-pontos) ou sindéticas (com conjunção coordenativa). As sindéticas se classificam pelo sentido da conjunção:

Tipo Ideia Conectivos comuns Exemplo
Aditiva soma e, nem, não só… mas também Estudou e revisou.
Adversativa oposição mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto Estudou, mas errou.
Alternativa escolha ou, ora… ora, quer… quer Ou estuda, ou perde.
Conclusiva conclusão logo, portanto, por isso, pois (depois do verbo) Estudou muito; logo, passará.
Explicativa justificativa que, porque, pois (antes do verbo) Estude, que a prova se aproxima.

A armadilha do “pois”

O “pois” pode ser conclusivo ou explicativo, conforme a posição. Deslocado para depois do verbo e entre vírgulas, é conclusivo: “Você estudou; deve, pois, passar.” No início da oração, é explicativo: “Estude, pois a prova se aproxima.”

Teste da explicativa: ela justifica uma ordem, opinião ou afirmação feita antes (“Estude, que…”). Já a causal (subordinada) indica a causa de um fato.

Orações subordinadas substantivas

Equivalem a um substantivo e, por isso, podem ser substituídas pela palavra “isso”. Geralmente começam por “que” (conjunção integrante) ou “se”.

Tipo Função Exemplo
Subjetiva sujeito É necessário que todos estudem.
Objetiva direta objeto direto Espero que você passe.
Objetiva indireta objeto indireto (com preposição) Lembre-se de que o prazo termina.
Completiva nominal complemento de um nome Tenho certeza de que passarei.
Predicativa predicativo do sujeito O problema é que faltou tempo.
Apositiva aposto Só peço isto: que me ouçam.

Como diferenciar

  • Subjetiva: substitua por “isso” no lugar do sujeito: “Isso é necessário”. Aparece depois de expressões como “é preciso”, “convém”, “parece”, “sabe-se”.
  • Objetiva direta × indireta: a indireta vem com preposição exigida pelo verbo (de, em, a, com). “Duvido de que ele venha”: “duvidar” pede “de”.
  • Objetiva indireta × completiva nominal: olhe o termo que a preposição completa. Se for um verbo, é objetiva indireta; se for um substantivo ou adjetivo (certeza de, receio de, necessário a), é completiva nominal.

“Que” integrante ou pronome relativo?

Teste: se a oração inteira introduzida pelo “que” pode ser trocada por “isso”, o “que” é conjunção integrante (oração substantiva). Se pode ser trocado por “o qual / a qual / os quais” e retoma um termo anterior, é pronome relativo (oração adjetiva).

Orações subordinadas adjetivas

Funcionam como adjetivo: caracterizam um substantivo anterior e são introduzidas por pronome relativo (que, quem, o qual, cujo, onde, quanto).

  • Restritiva: limita o termo, não tem vírgulas. “Os candidatos que estudaram com método avançaram.” (só os que estudaram avançaram)
  • Explicativa: acrescenta uma característica de todo o grupo, vem entre vírgulas. “Os candidatos, que estudaram com método, avançaram.” (todos estudaram e avançaram)

A vírgula muda o sentido, e é um dos itens mais cobrados. Se quiser aprofundar a pontuação, veja o guia sobre uso da vírgula.

Orações subordinadas adverbiais

Indicam uma circunstância da oração principal. A classificação vem da conjunção e do sentido.

Tipo Ideia Conectivos
Causal causa porque, já que, visto que, como (= porque)
Consecutiva consequência tão… que, tanto… que, de modo que
Condicional condição se, caso, desde que, a menos que
Concessiva obstáculo que não impede embora, ainda que, mesmo que, conquanto
Comparativa comparação como, que nem, do que
Conformativa conformidade conforme, segundo, consoante
Final finalidade para que, a fim de que
Proporcional proporção à medida que, quanto mais… mais
Temporal tempo quando, assim que, logo que, depois que

Concessiva ou adversativa?

Parecem iguais, mas a concessiva é subordinada e a adversativa é coordenada. “Embora estudasse pouco, passou” (concessiva) equivale a “Estudava pouco, mas passou” (adversativa). O sentido é parecido; a estrutura, não.

Orações reduzidas

Quando o verbo está no infinitivo, gerúndio ou particípio, sem conectivo, a oração é reduzida.

  • “Ao chegar, ligou.” = “Quando chegou, ligou.” (temporal reduzida de infinitivo)
  • “Estudando, passará.” = “Se estudar, passará.” (condicional reduzida de gerúndio)
  • “Terminada a prova, saímos.” = “Quando a prova terminou, saímos.” (temporal reduzida de particípio)

Método: converta a reduzida em desenvolvida, coloque a conjunção que mantém o sentido e classifique.

Questões resolvidas

1. “Embora estivesse cansado, continuou o trabalho.” A oração em destaque é subordinada adverbial concessiva. “Embora” introduz um obstáculo que não impediu a ação.

2. “Não sei se ele virá.” A oração “se ele virá” é subordinada substantiva objetiva direta (Não sei isso), introduzida por conjunção integrante.

3. “Tinha certeza de que passaria.” “De que passaria” complementa o substantivo “certeza”: subordinada substantiva completiva nominal.

4. “Chegou tão cansado que dormiu.” Subordinada adverbial consecutiva: o “tão” na principal anuncia o “que” da consequência.

5. “Ela, que sempre revisa, errou.” Subordinada adjetiva explicativa (entre vírgulas).

6. “Estude, que a prova se aproxima.” Coordenada sindética explicativa: o “que” justifica a ordem e equivale a “pois”.

Erros comuns

  • Classificar toda oração com “que” como adjetiva.
  • Confundir objetiva indireta com completiva nominal.
  • Ignorar a vírgula e trocar restritiva por explicativa.
  • Tratar “pois” sempre como explicativo.
  • Esquecer que “como” pode ser causal, comparativo ou conformativo; o sentido decide.

Como estudar

Pegue frases de provas anteriores da banca do seu concurso e faça, em cada uma: (1) circule os verbos; (2) marque a oração principal; (3) classifique cada oração restante. Anote os erros no caderno de erros. As nomenclaturas podem variar um pouco entre gramáticas; sempre siga a lógica do enunciado e o critério da sua banca.

Próximos passos

Revise coesão e coerência, aprofunde pronomes relativos e pratique a regência verbal.

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