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Pronomes relativos retomam um termo já citado (o antecedente) e introduzem uma oração que o explica ou o restringe. Em provas, o assunto aparece em duas frentes: a escolha do pronome certo e a preposição que deve acompanhá-lo. Quem domina essas duas ideias evita boa parte dos erros de regência e de reescrita.
Os pronomes relativos e quando usar cada um
- Que: retoma pessoa ou coisa. “O edital que li é claro.”
- Quem: retoma pessoa, sempre precedido de preposição quando é complemento. “A colega a quem pedi ajuda chegou.”
- O qual, a qual, os quais, as quais: equivalem ao “que” e são úteis após preposição ou para evitar ambiguidade. “A empresa sobre a qual falamos é pública.”
- Cujo, cuja, cujos, cujas: indicam posse. “O candidato cujo nome saiu na lista foi convocado.”
- Onde: indica lugar. “A cidade onde nasci é pequena.”
- Quanto, quanta: depois de tudo, tanto ou todo. “Faça tudo quanto puder.”
- Como, quando: indicam modo e tempo em estruturas específicas. “O modo como ele resolveu foi simples.”
A regra de ouro: o relativo herda a regência
Se o verbo da oração relativa pede uma preposição, ela deve aparecer antes do relativo. Para descobrir, destaque a oração e reconstrua a frase original.
- “O livro de que preciso é caro.” A forma original é “Preciso do livro”. “Precisar” pede “de”.
- “O jogo a que assisti foi decisivo.” A forma original é “Assisti ao jogo”. “Assistir” no sentido de ver pede “a”.
- “A vaga a que aspiro é na área administrativa.” (aspirar a)
- “O prazo de que me esqueci terminou.” (esquecer-se de)
O erro típico é omitir a preposição: “O livro que preciso” deve ser “O livro de que preciso”. Em fala, isso é comum; em prova, é erro.
Cujo: posse, concordância e ausência de artigo
“Cujo” tem três características que as provas adoram.
- Indica posse e liga dois substantivos: “O servidor cujo cargo é efetivo” (o cargo do servidor).
- Concorda com a coisa possuída, não com o possuidor: “A candidata cujos documentos foram aceitos” (documentos é plural, então “cujos”).
- Nunca vem seguido de artigo: “O servidor cujo o cargo…” é errado. Escreva “O servidor cujo cargo…”.
Se o termo depois de “cujo” exigir preposição, ela vem antes do pronome: “O processo a cujo andamento me refiro”, “O cargo em cuja descrição consta a atribuição”.
Cuidado: não use “cujo” quando não houver posse. “O livro cujo li” é errado; o correto é “O livro que li”.
Onde e aonde
“Onde” indica lugar sem ideia de movimento: “A sala onde estudo é silenciosa”. “Aonde” (a + onde) acompanha verbos de movimento que pedem “a”: “A cidade aonde vamos fica perto”. Teste: se o verbo for “ir” ou “chegar”, é “aonde”. Se for “estar”, “morar” ou “nascer”, é “onde”.
Erro clássico: usar “onde” para tempo. “O ano onde tudo aconteceu” deve ser “O ano em que tudo aconteceu”.
Para antecedentes que não são lugar físico, como “uma situação onde há conflito” ou “o documento onde consta a regra”, o uso é muito difundido, mas as bancas mais conservadoras preferem “uma situação em que há conflito” e “o documento em que consta a regra”. Na prova, a forma com “em que” é sempre segura.
Que e o qual: quando trocar
Depois de preposição de duas ou mais sílabas, o relativo “o qual” costuma soar melhor: “A mesa sobre a qual deixei o relatório”. Também é preferido quando o “que” gera ambiguidade: “O filho da vizinha, o qual estudou comigo, passou” deixa claro que o rapaz estudou comigo. Já “O filho da vizinha que estudou comigo passou” pode se referir ao filho ou à vizinha.
Quem: sempre pessoa e preposição
“Quem” só retoma pessoas ou entidades personificadas, e quase sempre vem após preposição quando tem antecedente: “O colega com quem estudei”, “A professora a quem agradeci”. Sem antecedente, pode vir sozinho: “Quem estuda aprende”.
Quanto
Surge depois dos pronomes indefinidos “tudo”, “tanto”, “todo”: “Tudo quanto estudei ajudou”. Não substitui o “que” em frases comuns.
Erros comuns
- Omitir a preposição: “A vaga que aspiro” no lugar de “A vaga a que aspiro”.
- Colocar artigo depois de “cujo”: “cujo o nome”.
- Usar “onde” para tempo: “o dia onde cheguei” (o correto é “o dia em que cheguei”).
- Usar “aonde” com verbo de lugar fixo: “Aonde você mora?” deve ser “Onde você mora?”.
- Usar “cujo” sem posse.
- Esquecer a concordância do “cujo” com o termo possuído.
Exemplo resolvido
Una as frases usando um pronome relativo: “O edital trata de regras. Preciso conhecer essas regras.”
Análise: “Preciso conhecer essas regras” tem o verbo “conhecer”, que não exige preposição; já “O edital trata de regras” pode ficar como principal. Resultado: “O edital trata de regras que preciso conhecer.”
Outro exemplo: “A banca elaborou uma prova. A dificuldade da prova surpreendeu.” A posse aparece em “dificuldade da prova”, então: “A banca elaborou uma prova cuja dificuldade surpreendeu.”
Próximos passos
Para fixar a ideia da preposição exigida, estude regência verbal e os verbos mais cobrados. Em seguida, veja como esses pronomes ajudam a ligar ideias em coesão e coerência.