Seu navegador não oferece leitura em voz alta. Você pode ler o guia normalmente.
No período simples, a pontuação segue os termos da oração. No período composto, ela depende da relação entre as orações: coordenadas (independentes entre si) ou subordinadas (uma depende da outra). Quem classifica a oração antes de pontuar acerta com segurança as questões de “emprego da vírgula” e de “alteração de sentido pela pontuação”. Este guia organiza as regras por tipo de oração; o uso geral da vírgula está em uso da vírgula: regras e erros comuns, e a classificação das orações, em orações coordenadas e subordinadas.
Orações coordenadas
Assindéticas e aditivas
Orações coordenadas sem conectivo (assindéticas) separam-se por vírgula: “Cheguei, li o edital, assinei a ficha.” Com “e”, não se usa vírgula quando as orações têm o mesmo sujeito: “Li o edital e assinei a ficha.” Quando os sujeitos são diferentes, é comum e correto separar: “Li o edital, e ela assinou a ficha.” Com “nem”, a regra é semelhante: “Não estudou nem trabalhou”, mas, na repetição enfática, “Nem estudou, nem trabalhou”.
Adversativas
“Mas” é sempre precedido de vírgula (ou ponto e vírgula, se a oração é longa): “Estudei muito, mas não passei.” Para “porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto”, a posição define:
- No início da segunda oração: vírgula ou ponto e vírgula antes e vírgula depois: “Estudei muito; contudo, não passei.”
- No meio ou no fim dela: o conectivo vem isolado por vírgulas: “Estudei muito; não passei, porém.” / “A prova, porém, foi longa.”
Alternativas
“Ou” simples não pede vírgula: “Estude ou trabalhe.” Quando repetido, as orações se separam: “Ou você estuda, ou você trabalha.”
Conclusivas
“Logo, portanto, por isso, assim, então” ficam isolados quando intercalados: “A prova é longa; portanto, administre o tempo.” O “pois” tem posição própria: conclusivo só vem depois do verbo e entre vírgulas (“Estudou muito; foi, pois, aprovado”); no início da oração, “pois” é explicativo.
Explicativas
“Pois”, “porque” e “que” com valor explicativo são precedidos de vírgula e justificam a ordem dada antes: “Estude, pois a prova se aproxima.” “Cuidado, que o prazo acabou.” Teste: se for possível trocar por “pois”, é explicativa e leva vírgula. Quando “porque” expressa a causa de um fato (“A prova foi adiada porque choveu”), é subordinada adverbial causal e, em geral, dispensa a vírgula.
Ponto e vírgula
O ponto e vírgula marca pausa maior que a vírgula e menor que o ponto. Usos mais cobrados:
- Separar orações coordenadas longas ou que já contêm vírgulas: “Os candidatos, depois de lerem o edital, escolheram o cargo; as candidatas, por sua vez, preferiram revisar a legislação.”
- Separar itens de enumeração (como incisos e alíneas), principalmente quando são extensos.
- Antes de conectivos adversativos e conclusivos quando se quer destacar a oposição ou a consequência.
Em frases curtas, a vírgula costuma bastar; por isso a questão de prova geralmente pergunta qual sinal é possível, não qual é o único.
Orações subordinadas substantivas
As substantivas funcionam como sujeito, objeto, predicativo, complemento nominal ou aposto da oração principal. Como são termos essenciais ou integrantes, não se separam por vírgula da principal:
- “Espero que você passe.” (objetiva direta)
- “É necessário que todos estudem.” (subjetiva)
- “Tenho certeza de que passarei.” (completiva nominal)
- “Não sei se ele virá.” (objetiva direta)
O erro típico é “Espero, que você passe”. A apositiva é a exceção: vem introduzida por dois-pontos ou vírgula, pois explica um termo: “Só peço isto: que você revise.” Se a substantiva vier intercalada com verbo declarativo, usam-se vírgulas: “O prazo, disse o diretor, será prorrogado.”
Orações subordinadas adverbiais
- Anteposta à principal: vírgula obrigatória depois dela. “Quando o edital saiu, aumentei o ritmo.” “Se você estudar, chegará lá.”
- Posposta: a vírgula é facultativa, ainda que seja comum usá-la com orações concessivas e consecutivas ou longas. “Aumentei o ritmo quando o edital saiu.” / “Passou, embora tenha estudado pouco.”
- Intercalada: entre vírgulas. “A prova, quando começou, estava tranquila.”
Reduzidas
As reduzidas (de gerúndio, particípio e infinitivo) com valor adverbial seguem a mesma lógica: “Estudando com constância, chegará lá.” “Terminada a prova, saímos.” “Ao chegar, sentei-me.” Quando o gerúndio indica consequência ou acréscimo, vem depois da vírgula: “A banca publicou o gabarito, abrindo prazo para recursos.”
Orações subordinadas adjetivas
Seguem a regra já vista: restritiva não leva vírgula (“Os candidatos que estudaram passaram”); explicativa vai entre vírgulas (“Os candidatos, que estudaram, passaram”). Em período composto com “o qual”, “cujo” ou preposição antes do relativo, o critério é o mesmo: se a oração apenas acrescenta uma informação, é explicativa e se isola. Veja o contraste: “O cargo para o qual me inscrevi exige nível superior” (restritiva, identifica qual cargo) e “O cargo de analista, para o qual me inscrevi, exige nível superior” (explicativa, acrescenta).
Repontuação resolvida
1. “Quando o edital foi publicado os candidatos que já estudavam aumentaram o ritmo mas muitos ainda não tinham se inscrito pois o prazo era longo.”
Passos:
- “Quando o edital foi publicado” é adverbial anteposta: vírgula depois.
- “que já estudavam” é restritiva (identifica quais candidatos): sem vírgula.
- “mas muitos…” é adversativa: vírgula antes.
- “pois o prazo era longo” é explicativa: vírgula antes.
Resultado: “Quando o edital foi publicado, os candidatos que já estudavam aumentaram o ritmo, mas muitos ainda não tinham se inscrito, pois o prazo era longo.”
2. “Estudou muito portanto passou.” Como “portanto” inicia a oração conclusiva, pode ser: “Estudou muito; portanto, passou.” Se “portanto” vier no meio: “Estudou muito; passou, portanto.”
3. “O diretor disse que o resultado, sairia hoje.” A vírgula separa o sujeito do verbo. Correção: “O diretor disse que o resultado sairia hoje.” A oração substantiva não se separa da principal.
4. “Os servidores que faltaram sem justificativa, serão notificados.” A vírgula depois de “justificativa” separa sujeito e verbo, se a oração adjetiva for restritiva. Correção: “Os servidores que faltaram sem justificativa serão notificados.” Se a intenção fosse dizer que todos faltaram, seria explicativa: “Os servidores, que faltaram sem justificativa, serão notificados.” O sentido muda.
Erros comuns
- Colocar vírgula entre a oração principal e a substantiva (“Disse, que viria”).
- Isolar “mas” no meio da frase como se fosse “porém”: “mas” fica ligado à oração que introduz.
- Esquecer a segunda vírgula de uma oração intercalada.
- Separar o sujeito do verbo com vírgula quando há oração adjetiva restritiva (“Os servidores que faltaram, serão notificados”).
- Pontuar por “pausa de respiração” em vez de pela estrutura da oração.
Conferência e orientação
A pontuação segue a tradição normativa das gramáticas, com margem de escolha em vários casos. Não há norma legal que a regule. O texto apresenta o consenso das gramáticas tradicionais e é orientação prática: em itens de alteração de sentido, o gabarito oficial da banca prevalece. Evite assumir que uma vírgula “facultativa” é errada se a questão pergunta o que é permitido.
Próximos passos
- Aprofunde os sinais em dois-pontos, travessão, parênteses e aspas.
- Pratique a análise em termos da oração.
- Revise conectivos em coesão e coerência.