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Regência nominal: substantivos e adjetivos com preposição e crase

Regência nominal é a relação entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e o termo que o completa, ligados por preposição. O nome pede um complemento, e a preposição certa depende do nome: “acesso a”, “fiel a”, “ciente de”, “contrário a”. A questão de prova costuma esconder o erro numa preposição trocada, na falta da preposição diante do pronome relativo ou na crase. Quem entende a lógica evita decorar listas sem sentido.

Como funciona

Quase todo nome que exprime ação, sentimento ou qualidade pode ter complemento nominal, sempre preposicionado: “a necessidade de estudo”, “o respeito às regras”, “favorável à proposta”. No caso de nomes derivados de verbo, a preposição costuma coincidir com a do verbo de origem: “obedecer a” e “obediência a”; “aspirar a” e “aspiração a” (com algumas exceções, por isso a lista abaixo é útil). Para reconhecer o complemento, veja termos da oração.

Nomes e preposições mais cobrados

Com a preposição “a”

Nome Exemplo
acesso a O cidadão tem acesso à informação.
alusão a Fez alusão ao edital.
anterior a / posterior a Data anterior à publicação.
superior a / inferior a Nota superior à média.
contrário a / favorável a Posição contrária à proposta.
fiel a Fiel à lei.
indiferente a / insensível a Indiferente às críticas.
igual a / idêntico a / semelhante a Idêntico ao anterior.
obediência a / desobediência a Obediência às normas.
preferível a Estudar é preferível a reclamar.
relativo a / referente a Questões relativas à prova.
sujeito a Sujeito às penalidades.
imune a / propício a Imune às pressões.

Quando o nome pede “a” e o complemento é feminino com artigo, ocorre crase: “obediência à chefia”, “acesso à internet”. Se o complemento é masculino, só há preposição: “acesso ao sistema”. Se o complemento é verbo ou palavra sem artigo, não há crase: “apto a trabalhar”, “preferível a esperar”.

Com “de”, “em”, “com”, “por”, “para”

Nome Preposição Exemplo
ciente de Ciente de que o prazo terminou.
necessidade de Necessidade de revisão.
capaz de ou para Capaz de resolver / capaz para o cargo.
apto a ou para Apto a assumir / apto para a função.
bacharel em Bacharel em Direito.
residente em Residente em Brasília.
situado em ou a Situado em área central.
compatível / incompatível com Horário compatível com o trabalho.
descontente / satisfeito com Satisfeito com o resultado.
confiança / confiante em Confiança na banca.
interesse em ou por Interesse em concursos / por carreiras.
ansioso por ou para Ansioso pelo resultado.
ávido / curioso de ou por Ávido de conhecimento.
preferência por Preferência por estudar à noite.
medo / orgulho de Medo de errar.
responsável por (algo) e perante (alguém) Responsável pelo ato perante a chefia.
próximo / junto / vizinho a ou de Próximo ao local / do local.

Com algumas palavras há mais de uma forma aceita (capaz de/para, ávido de/por). Em questão de múltipla escolha, o erro quase sempre está em uma preposição que o nome não aceita, como “preferível do que” (o correto é “preferível a”), “obediência de regras” (o correto é “a”) ou “residente à Rua X” (o usual é “em”).

Regência e pronome relativo

A preposição exigida pelo nome (ou pelo verbo) precisa vir antes do pronome relativo. Transforme o período em duas frases e identifique a preposição:

  1. “O candidato tem acesso à informação.” + “A informação é pública.” Junte: “A informação a que o candidato tem acesso é pública.” (acesso a)
  2. “Os candidatos são fiéis à lei.” Junte: “A lei à qual os candidatos são fiéis…” ou “A lei a que os candidatos são fiéis…” (fiel a; com o relativo “a qual”, flexiona e há crase por causa de “lei”).
  3. “Ele tem medo da prova.” Junte: “A prova de que ele tem medo…” (medo de)
  4. “Ela tem confiança na banca.” Junte: “A banca em que ela tem confiança…” (confiança em)

Erro típico: “A informação que o candidato tem acesso” (falta o “a”). Outro: “A prova que ele tem medo” (falta o “de”). Com “cujo”, a preposição também vem antes: “a lei a cujo cumprimento todos estão obrigados”.

Preposição antes de “que”

Quando o complemento nominal é uma oração iniciada por “que”, a norma culta mantém a preposição do nome: “Estou ciente de que o prazo terminou”, “Há necessidade de que todos assinem”, “Tenho certeza de que passarei”. Na fala informal se omite a preposição, mas em questão de língua formal a omissão pode ser apontada como erro.

Exercícios resolvidos

1. Qual a forma correta? a) “Prefiro estudar do que dormir.” b) “Prefiro estudar a dormir.” Resposta: b. “Preferir” pede “a”; evita-se “do que” e “mais do que” com esse verbo. Com o nome, vale o mesmo: “Estudar é preferível a dormir”.

2. Complete: “A medida é compatível ___ lei.” Resposta: “com a”. O nome “compatível” pede “com”; como “lei” é feminino com artigo, fica “com a lei”. Não há crase, pois “com” não é “a”.

3. “A regra à qual o servidor é obediente” ou “a regra que o servidor é obediente”? O nome “obediente” pede “a”: “A regra a que o servidor é obediente” ou “à qual”. A segunda frase, sem a preposição, está incorreta.

4. “Ele é superior à média”: há crase? “Superior” pede “a”; “média” é feminina e aceita artigo. Há crase. Em “superior a mil pontos”, não há, pois o numeral não leva artigo.

Erros comuns

  • Trocar a preposição pela que “soa bem”: confira o nome na lista.
  • Esquecer a preposição diante do relativo (“que” por “a que”, “de que”, “em que”).
  • Usar crase diante de palavra masculina ou de verbo: “apto à trabalhar” está errado.
  • Confundir regência nominal (nome) com verbal (verbo): “aspirar a” é verbal, “aspiração a” é nominal. O mesmo raciocínio funciona nos dois, mas confira regência verbal.

Conferência e orientação

A regência dos nomes é registrada em gramáticas normativas e dicionários de regência, que às vezes divergem sobre variantes aceitas (por exemplo, “capaz de/para”). Não há texto legal que a fixe; este guia é orientação prática, com as formas de maior consenso. Em dúvida, o gabarito da banca prevalece, e questões bem formuladas evitam variantes controversas.

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