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Questão de reescrita pede que você troque ou reorganize um trecho sem alterar o sentido e sem criar erro gramatical. A maioria das alternativas erradas falha em uma de três coisas: quebra o paralelismo, compara coisas diferentes ou deixa a frase com duplo sentido. Este guia mostra o método de conferência e os defeitos que o Manual de Redação da Presidência da República cataloga em documentos oficiais.
Método de conferência em quatro passos
Diante de uma proposta de reescrita, faça sempre nesta ordem:
- Sentido: a nova frase diz a mesma coisa? Verifique se não surgiu causa, condição, tempo ou intensidade que o original não tinha.
- Sintaxe: sujeito, verbo e complementos continuam ligados corretamente, com concordância e regência?
- Pontuação: a vírgula ou o ponto novo separa o que não pode ser separado?
- Estrutura: os elementos coordenados têm a mesma forma gramatical?
Se qualquer um dos quatro falhar, a alternativa está errada, mesmo que “soe bem”.
Paralelismo: ideias iguais, forma igual
Paralelismo é apresentar ideias de mesmo nível em forma gramatical idêntica. O Manual da Presidência dá este caso:
- Errado: “Recomendou-se aos Ministérios economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas.”
- Por quê: a primeira oração é reduzida de infinitivo (economizar), a segunda é desenvolvida, com “que” (que elaborassem).
- Certo (duas saídas): “…que economizassem energia e (que) elaborassem planos…” ou “…economizar energia e elaborar planos…”.
Outro defeito frequente é misturar substantivos com orações: “Mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter ambição.” A correção do Manual é padronizar: “Mostrou determinação, segurança, inteligência e ambição” ou “Mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e ambição”.
Falso paralelismo
Acontece quando se coloca no mesmo nível o que tem hierarquia diferente. “O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa” põe cidades e uma pessoa na mesma lista. Uma saída é separar: “visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta última capital, encontrou-se com o Papa.”
Também aparece o “e que” sem um “que” anterior: “O procurador é jurista renomado, e que tem sólida formação.” Corrige-se retirando o “que” (“é jurista renomado e tem sólida formação”) ou retirando o “e”.
Correlações
Estruturas como “não só… mas também”, “tanto… quanto”, “ou… ou” exigem que o que vem depois de cada parte tenha a mesma forma. Do Manual:
- Errado: “Ou Vossa Senhoria apresenta o projeto, ou uma alternativa.”
- Certo: “Vossa Senhoria ou apresenta o projeto, ou propõe uma alternativa.”
Comparação: compare coisas do mesmo tipo
Na fala omitimos termos; na escrita isso gera comparação indevida.
| Frase com erro | Problema | Correção do Manual |
|---|---|---|
| O salário de um professor é mais baixo do que um médico. | compara salário com pessoa | …do que o (salário) de um médico. |
| O alcance do Decreto é diferente da Portaria. | compara alcance com documento | …diferente do alcance da Portaria. |
| O Ministério da Educação tem mais verbas do que os Ministérios do Governo. | o MEC está incluído no grupo | …do que os outros (ou demais) Ministérios. |
Regra prática: depois de “do que” ou “de”, pergunte “o que está sendo comparado com o quê?”. Os dois lados devem ser da mesma natureza. E, quando o termo comparado faz parte do conjunto, use “outros” ou “demais”.
Ambiguidade: o pronome sem dono
Frase ambígua admite mais de um sentido. A causa mais comum é pronome com dois antecedentes possíveis. O Manual traz estes casos:
- Pronome pessoal: “O Ministro comunicou a seu secretariado que ele seria exonerado.” Quem seria exonerado? Reescreva: “O Ministro comunicou a própria exoneração a seu secretariado.”
- Pronome relativo: “Roubaram a mesa do gabinete em que eu costumava trabalhar.” Dependendo do que se quer dizer, “no qual” (gabinete) ou “na qual” (mesa) resolve, pois “o qual” e “a qual” marcam o gênero.
- Oração reduzida sem sujeito claro: “Sendo indisciplinado, o Chefe advertiu o funcionário.” Quem é indisciplinado? Clara: “O Chefe advertiu o funcionário por ser este indisciplinado.”
Em provas de interpretação, “o qual / a qual” é o recurso clássico para resolver ambiguidade de relativo.
Sujeito preposicionado e frases fragmentadas
O Manual orienta evitar o sujeito preposicionado, ou seja, a preposição “de” ligada diretamente ao sujeito de um verbo no infinitivo: prefira “É tempo de o Congresso votar a emenda” a “É tempo do Congresso votar…”. O mesmo vale para “Apesar de a Assessoria ter informado” em vez de “Apesar da Assessoria ter informado”. Essa é a posição da redação oficial; algumas bancas e gramáticas aceitam a contração em casos como este, por isso, em dúvida, siga o que a questão pedir e confira o gabarito oficial da banca.
Já a frase fragmentada é uma oração subordinada pontuada como se fosse frase completa: “O Programa recebeu a aprovação do Congresso Nacional. Depois de ser longamente debatido.” Correção: ligar com vírgula ou inverter a ordem.
Substituição de conectivos e voz: o que preserva o sentido
Outras reescritas comuns:
- Troca de “embora” por “mas”: “Embora estudasse pouco, passou” equivale a “Estudava pouco, mas passou”. Mas trocar “embora” por “porque” inverte a relação e muda o sentido.
- Trocar causa por consequência inverte o sentido: “Choveu, portanto cancelou” não equivale a “Cancelou, portanto choveu”.
- Posição do pronome, vírgula antes do “que” restritivo e troca de verbo (de “informar” para “comunicar a”) exigem revisar regência.
Exemplo resolvido
Enunciado: assinale a reescrita que corrige o falso paralelismo de “O novo servidor é dedicado e que domina o sistema.”
a) O novo servidor é dedicado e domina o sistema. b) O novo servidor é dedicado, que e domina o sistema. c) O novo servidor, é dedicado e que domina o sistema. d) O novo servidor é dedicado e que domine o sistema.
Gabarito: A. O defeito é o “e que” sem nenhum “que” anterior: ele coordena um adjetivo (dedicado) com uma oração. Em A, as duas ideias viram dois predicados paralelos (é dedicado / domina o sistema). B inverte a ordem sem sentido. C separa o sujeito do verbo com vírgula e mantém o “e que”. D mantém o problema e ainda muda o modo verbal, alterando o sentido.
Erros comuns
- Trocar uma palavra e mudar o sentido sem perceber (ex.: “pode” por “deve”).
- Corrigir só a pontuação e manter o paralelismo quebrado.
- Aceitar comparação com termo omitido porque “dá para entender”.
- Esquecer que “mais… do que” exige termos de mesma natureza.
- Resolver a ambiguidade criando outra.
Fontes e atualização
Os defeitos, os exemplos e as correções de paralelismo, comparação, ambiguidade, sujeito preposicionado e frases fragmentadas citados aqui foram conferidos no capítulo de gramática da 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República. Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia. Bancas podem adotar outra gramática de referência: o que vale em prova é o critério dela.
Próximos passos
Treine a ligação entre ideias em coesão e coerência, revise pronomes relativos e pratique a técnica de interpretação de texto passo a passo.