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Motivação é o que leva uma pessoa a agir em direção a um objetivo; liderança é a capacidade de influenciar pessoas a trabalhar por objetivos comuns. As provas de Administração cobram dois blocos: as teorias da motivação (de conteúdo, que perguntam “o que motiva”, e de processo, que perguntam “como a motivação se forma”) e as teorias e estilos de liderança. O segredo é associar cada teoria a uma ideia central e a um exemplo, porque a questão costuma descrever uma situação e pedir o nome da teoria.
Teorias de conteúdo: o que motiva
Hierarquia de necessidades (Maslow). Cinco níveis, do básico ao topo: fisiológicas, de segurança, sociais (pertencimento), de estima e de autorrealização. Em geral, uma necessidade só passa a dominar o comportamento quando a anterior está razoavelmente satisfeita. Exemplo público: a estabilidade do cargo atende segurança; o reconhecimento da chefia atende estima; assumir um projeto desafiador atende autorrealização.
ERG (Alderfer). Reduz a hierarquia a três grupos: existência, relacionamento e crescimento. Diferente de Maslow, admite que mais de uma necessidade atue ao mesmo tempo e que, frustrado o crescimento, a pessoa retroceda para necessidades mais básicas.
Dois fatores (Herzberg). Separa fatores higiênicos (extrínsecos: salário, condições de trabalho, política da organização, supervisão, relações) dos fatores motivacionais (intrínsecos: o trabalho em si, responsabilidade, reconhecimento, realização, crescimento). Os higiênicos, quando ruins, geram insatisfação; quando bons, apenas evitam a insatisfação, sem motivar. Só os motivacionais geram satisfação. Daí a pegadinha clássica: o oposto de satisfação, para Herzberg, é “nenhuma satisfação”, e não insatisfação.
Necessidades aprendidas (McClelland). Três necessidades dominantes: realização (metas desafiadoras, feedback), afiliação (relacionamentos) e poder (influenciar e controlar). Servidor com alta necessidade de realização rende em tarefas com metas claras e retorno rápido.
Teoria X e Teoria Y (McGregor). Não é uma teoria de conteúdo estrita, mas costuma vir junto. A Teoria X pressupõe que as pessoas evitam o trabalho e precisam ser controladas e ameaçadas; a Teoria Y pressupõe que o trabalho é natural, que há autocontrole e criatividade. Gestão baseada em X tende a ser centralizadora e fiscalizatória; baseada em Y, participativa e delegadora.
Teorias de processo: como a motivação se forma
Expectativa (Vroom). A força da motivação depende de três percepções: expectância (esforço leva a bom desempenho?), instrumentalidade (bom desempenho leva à recompensa?) e valência (a recompensa é valiosa para mim?). Se qualquer fator for zero, a motivação cai. Exemplo: um servidor que acha que o esforço não muda a avaliação de desempenho tem baixa instrumentalidade.
Equidade (Adams). A pessoa compara a relação entre o que investe e o que recebe com a de colegas. Percebendo injustiça, tende a reduzir esforço, pedir mais retorno ou mudar a referência de comparação.
Estabelecimento de metas (Locke). Metas específicas e desafiadoras, aceitas pela pessoa e acompanhadas de feedback, melhoram o desempenho mais do que metas vagas do tipo “faça o melhor possível”.
| Teoria | Ideia central | Palavra-chave |
|---|---|---|
| Maslow | Níveis de necessidades | Hierarquia |
| Herzberg | Higiênicos x motivacionais | Dois fatores |
| McClelland | Realização, afiliação, poder | Necessidades aprendidas |
| McGregor | Visão do gestor sobre o trabalhador | X e Y |
| Vroom | Esforço, desempenho, recompensa | Expectativa |
| Adams | Comparação com outros | Equidade |
Liderança: do traço à contingência
- Traços. Líder seria quem possui certas características (iniciativa, comunicação). Perdeu força porque não explica quem lidera bem em contextos diferentes.
- Estilos de comportamento. O estudo clássico de Lewin, Lippitt e White descreve o líder autocrático (decide sozinho), democrático (decide com o grupo) e liberal (laissez-faire, deixa o grupo livre). Nenhum é “o melhor” em qualquer situação.
- Grid gerencial (Blake e Mouton). Cruza preocupação com a produção e com as pessoas. O ponto de máxima preocupação com ambas é o estilo de equipe.
- Contingência (Fiedler) e liderança situacional (Hersey e Blanchard). O estilo adequado depende da situação. Na situacional, o líder ajusta o estilo (diretivo, persuasivo, participativo, delegador) à maturidade do liderado: quem é novo e inseguro precisa de mais orientação; quem é experiente e comprometido aceita delegação.
- Transacional x transformacional. O transacional troca recompensa por desempenho e corrige desvios; o transformacional inspira por uma visão, estimula o questionamento e o desenvolvimento das pessoas.
Poder e liderança
As bases de poder de French e Raven são cinco: legítimo (posição formal), de recompensa, coercitivo, de referência (admiração e identificação) e especialista (conhecimento). Liderar não é o mesmo que ter cargo de chefia: a posição formal dá poder legítimo, mas a liderança também depende de referência e perícia. Há chefes sem liderança e líderes sem cargo.
Exemplo resolvido
Cenários e respostas:
- A chefia da divisão distribui tarefas, impõe prazos curtos e supervisiona de perto porque “se deixar solto, ninguém trabalha”. Teoria X; estilo autocrático.
- O gerente melhora o mobiliário e o ar-condicionado, mas a equipe continua sem interesse em assumir novas atribuições. Para Herzberg, as condições de trabalho são fatores higiênicos: evitam a insatisfação, mas não motivam.
- Um servidor recém-nomeado, entusiasmado, mas sem experiência, recebe instruções detalhadas e acompanhamento próximo. Liderança situacional com estilo diretivo.
- Servidores sabem que uma gratificação de desempenho existe, mas acreditam que a avaliação não diferencia ninguém. Baixa instrumentalidade na teoria de Vroom.
Liderança no marco da governança pública
O Decreto 9.203/17, que trata da política de governança da administração pública federal, define liderança como um dos três mecanismos de governança (ao lado de estratégia e controle) e a descreve como conjunto de práticas de natureza humana ou comportamental exercida nos principais cargos das organizações, para assegurar condições mínimas de boa governança: integridade, competência, responsabilidade e motivação (art. 5º, I). Veja que, no texto oficial, motivação é uma das quatro condições da liderança.
Erros comuns
- Classificar salário como motivador em Herzberg. Ele é higiênico.
- Dizer que Maslow exige satisfação completa de uma necessidade antes da próxima; a teoria fala em predominância.
- Confundir poder legítimo com liderança.
- Achar que o estilo democrático é sempre superior; na situação de urgência ou de pouca maturidade, o diretivo pode ser o adequado.
- Tratar Teoria X e Y como tipos de trabalhador: são pressupostos do gestor.
Fontes e atualização
- Decreto 9.203/17, Planalto: art. 5º, I.
As teorias de motivação e de liderança são conteúdo de teoria da administração (orientação conceitual de manuais); os autores citados são os tradicionalmente associados a cada ideia, e a banca pode usar nomenclatura ligeiramente diferente. Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia.
Próximos passos
- Veja o papel da liderança no ciclo de gestão em funções da administração.
- Relacione o tema à capacitação de gestores em gestão de pessoas e a PNDP.
- Estude as regras éticas dos agentes em ética no serviço público.