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Como o dinheiro é criado? Uma parte vem do banco central, que emite a base monetária; a maior parte, porém, é criada pelos bancos comerciais, quando concedem empréstimos. O mecanismo é o multiplicador bancário. Em concursos, aparece em duas formas: conceitual (qual instrumento do Banco Central expande a moeda?) e numérica (quanto de moeda se cria a partir de um depósito?).
Funções da moeda
- Meio de troca: aceita nas transações.
- Unidade de conta: serve para expressar preços.
- Reserva de valor: permite transferir poder de compra no tempo (com perda quando há inflação).
Base monetária e meios de pagamento
- Base monetária (B): passivo monetário do banco central, formado pelo papel-moeda em poder do público (C) mais as reservas dos bancos (R) (dinheiro em caixa e depósitos no banco central).
- Meios de pagamento (M): moeda que o público efetivamente usa nas transações. No conceito mais restrito (M1): papel-moeda em poder do público + depósitos à vista (D). Agregados mais amplos incluem ativos financeiros de alta liquidez; a composição precisa de cada um é definida pelo Banco Central, então confira a definição adotada no seu material.
Diferença-chave: a base é a moeda “primária” emitida pelo banco central; os meios de pagamento incluem a moeda criada pelo sistema bancário, e por isso podem ser um múltiplo da base.
Como os bancos criam moeda
Os bancos não podem emprestar todo o dinheiro depositado: precisam manter uma fração como reserva (parte por exigência do banco central, o depósito compulsório, e parte por segurança). O resto vira empréstimo, que acaba voltando ao sistema como novo depósito, e assim por diante.
Exemplo em rodadas
Suponha que a exigência total de reservas seja 20% dos depósitos e que ninguém retenha papel-moeda (todo dinheiro volta ao banco).
| Rodada | Depósito novo | Reserva (20%) | Empréstimo (80%) |
|---|---|---|---|
| 1 | 1.000 | 200 | 800 |
| 2 | 800 | 160 | 640 |
| 3 | 640 | 128 | 512 |
| 4 | 512 | 102,4 | 409,6 |
| … | … | … | … |
Os depósitos formam uma progressão geométrica de razão 0,8: 1.000 + 800 + 640 + 512 + … A soma infinita é 1.000 / (1 - 0,8) = 1.000 / 0,2 = 5.000.
Portanto, a partir de 1.000 de depósito inicial, o sistema chega a 5.000 de depósitos totais: foram criados 4.000 adicionais. O mesmo resultado sai da fórmula do multiplicador.
Multiplicador simples
Multiplicador = 1 / r, onde r é o coeficiente de reservas (reservas sobre depósitos).
Com r = 0,20: multiplicador = 1 / 0,2 = 5. Um aumento de 1.000 nas reservas permite uma expansão de 5.000 nos depósitos.
Relação: quanto maior a exigência de reservas, menor o multiplicador e a capacidade de criar moeda. Com r = 0,25, o multiplicador é 4; com r = 0,10, é 10.
Multiplicador com papel-moeda em poder do público
Na prática, o público mantém parte do dinheiro em espécie, e esse papel-moeda “vaza” do sistema bancário. Seja c a razão entre papel-moeda e depósitos à vista (C / D) e r a razão entre reservas e depósitos (R / D).
- Base: B = C + R
- Meios de pagamento: M = C + D
- Multiplicador monetário = M / B = (c + 1) / (c + r)
Exemplo: c = 0,25 e r = 0,25. Multiplicador = (0,25 + 1) / (0,25 + 0,25) = 1,25 / 0,5 = 2,5. Com base monetária B = 100, os meios de pagamento são M = 2,5 x 100 = 250.
Conferência: se D = 200, então C = 0,25 x 200 = 50 e R = 0,25 x 200 = 50. B = C + R = 100. M = C + D = 50 + 200 = 250. Confere.
O multiplicador com vazamento (2,5) é menor que o simples (4, para r = 0,25), porque parte do dinheiro fica fora dos bancos. Quanto mais o público guarda papel-moeda (c maior), menor o multiplicador.
Instrumentos de política monetária
Instrumentos clássicos do banco central e seus efeitos:
| Instrumento | Ação | Efeito na oferta de moeda |
|---|---|---|
| Depósito compulsório | aumentar a exigência | contrai (menos crédito; r maior) |
| Depósito compulsório | reduzir a exigência | expande |
| Operações de mercado aberto | comprar títulos públicos (injeta reservas) | expande |
| Operações de mercado aberto | vender títulos públicos (retira reservas) | contrai |
| Redesconto / assistência de liquidez | facilitar ou encarecer o empréstimo aos bancos | expande ou contrai, conforme as condições |
| Meta para a taxa básica de juros | elevar | encarece o crédito e contrai a demanda |
Os efeitos são os do modelo básico; a transmissão real depende de expectativas, crédito e outros fatores. A meta da taxa básica no Brasil é definida pelo Comitê de Política Monetária. Veja também noções de economia: política fiscal e monetária.
Questões típicas
- “A compra de títulos públicos pelo banco central tende a ampliar a base monetária.” Certo.
- “O aumento do compulsório aumenta o multiplicador bancário.” Errado: reduz.
- “Se o multiplicador é 5 e as reservas aumentam em 200, os depósitos podem se expandir em 1.000.” Certo (200 x 5).
- “Quanto maior a preferência do público por papel-moeda, maior o multiplicador.” Errado: menor.
- “Os bancos comerciais criam moeda escritural ao conceder empréstimos.” Certo.
Erros comuns
- Confundir a base monetária com os meios de pagamento.
- Usar 1 / r quando o enunciado fornece também a razão de papel-moeda (use (c + 1) / (c + r)).
- Inverter o efeito do compulsório.
- Dizer que o banco “empresta o dinheiro do depositante” sem considerar que o empréstimo cria um novo depósito no sistema.
- Esquecer de calcular a expansão (total menos o depósito inicial) quando o enunciado pede a moeda criada.
Próximos passos
- Aprofunde o modelo keynesiano em PIB, contas nacionais, deflator e multiplicador.
- Entenda o Banco Central em Banco Central por dentro.
- Revise as progressões em sequências lógicas: PA e PG.
Fontes e atualização
- Edital da CVM (FGV): o conteúdo de Economia, em Macroeconomia, lista sistema monetário (bancos comerciais e Banco Central), base monetária e meios de pagamento (criação e destruição), multiplicador bancário e política monetária (objetivos e instrumentos).
Os cálculos foram conferidos, inclusive a soma da progressão geométrica. As definições dos agregados monetários são do Banco Central e mudam: confira o conceito do seu edital.