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Disciplinas mínimas do concurso de juiz por ramo (Res. CNJ 75)

Quem escolhe estudar para juiz logo esbarra em uma dúvida: quais matérias, afinal? A resposta não é uma lista única. A Resolução 75/09 do CNJ traz anexos com a relação mínima de disciplinas para cada ramo do Poder Judiciário, e é essa relação que os editais de cada tribunal devem respeitar. Este guia lê os anexos do texto compilado, explica a lógica dos blocos da prova objetiva e traduz o anexo de “noções gerais de direito e formação humanística”, que costuma ser o mais ignorado e um dos mais cobrados.

Como a resolução organiza as matérias

O art. 6º da resolução diz que as provas da primeira, da segunda e da quarta etapas versam, no mínimo, sobre as disciplinas dos anexos, conforme o segmento do Judiciário. O art. 13, inciso III, manda o edital apresentar o conteúdo das disciplinas observando essa relação mínima. “Mínimo” quer dizer que o tribunal pode acrescentar matérias, mas não pode cobrar menos.

A prova objetiva (art. 32) se divide em três blocos de questões, discriminados nos anexos. Cada bloco reúne disciplinas afins. Como o art. 43 exige desempenho mínimo em cada bloco, não adianta ir muito bem em um e abandonar outro. Para quem estuda, o bloco é a unidade de planejamento.

Justiça estadual, do Distrito Federal e Territórios

O anexo da Justiça estadual lista, como relação mínima: direito civil, processual civil, eleitoral, ambiental, do consumidor, da criança e do adolescente, penal, processual penal, constitucional, empresarial, tributário e administrativo, mais noções gerais de direito e formação humanística e direitos humanos.

Na distribuição da prova objetiva, o texto agrupa assim:

  • bloco um: civil, processual civil, consumidor e criança e adolescente;
  • bloco dois: penal, processual penal, constitucional e eleitoral;
  • bloco três: empresarial, tributário, ambiental, administrativo, noções gerais de direito e formação humanística e direitos humanos.

Quem quiser ser juiz no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios entra por esse anexo, conforme o edital.

Justiça Federal

A relação mínima para juiz federal substituto inclui direito constitucional, previdenciário, penal, processual penal, econômico e de proteção ao consumidor, civil, processual civil, empresarial, financeiro e tributário, administrativo, ambiental, internacional público e privado, além das noções gerais e dos direitos humanos. Perceba a ênfase em matérias de interesse da União: previdenciário, tributário e financeiro, econômico.

Justiça do Trabalho

A lista para juiz do trabalho substituto contempla direito individual e coletivo do trabalho, administrativo, penal, processual do trabalho, constitucional, civil, processual civil, internacional e comunitário, previdenciário, empresarial, da criança e do adolescente, mais as noções gerais e os direitos humanos. O núcleo trabalhista divide espaço com matérias comuns, e o texto mostra que a prova não é só de direito do trabalho.

Justiça Militar

Para a Justiça Militar da União, o anexo cita direito penal militar e direito internacional humanitário, constitucional e direitos humanos, processo penal militar e organização judiciária militar, forças armadas e legislação básica sobre organização, disciplina e administração, direito administrativo e processual civil, além das noções gerais. A Justiça Militar estadual tem lista própria, com direito penal militar, constitucional, processual penal militar, administrativo, organização judiciária militar e legislação federal e estadual relativa às organizações militares.

As noções gerais de direito e formação humanística

O Anexo VI é o que mais surpreende o candidato que vem só da dogmática. O texto compilado traz, entre outros, estes eixos:

Eixo Exemplos de temas do anexo
Sociologia do direito Administração judiciária, gestão, relações sociais, direito e comunicação, resolução de conflitos
Psicologia judiciária Comunicação, assédio moral e sexual, teoria do conflito, negociação e mediação, comportamento de partes e testemunhas
Ética e estatuto jurídico da magistratura Regime jurídico, deveres, Código de Ética da Magistratura Nacional, corregedorias, responsabilidade do magistrado, planejamento estratégico
Filosofia do direito Conceito de justiça, conceito de direito, equidade, interpretação
Teoria geral do direito e da política Direito objetivo e subjetivo, fontes, súmula vinculante, eficácia da lei no tempo, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O art. 47, na redação dada pela Resolução 423, deu à primeira prova escrita o desenho de questões sobre quaisquer pontos do programa específico do ramo. Já o Anexo VI continua parte da relação mínima, e a prova oral também o cobra, na forma do art. 6º. Tratar essas matérias como “decoreba filosófica” é um erro: elas aparecem como questões que mostram raciocínio, e por isso o guia sobre prova oral importa.

Como usar a lista no planejamento

  1. Escolha o ramo: a lista de matérias depende dele.
  2. Marque, em cada bloco, as matérias em que você tem lacuna e comece por elas.
  3. Reserve tempo fixo para noções gerais e humanística, porque costumam ser a parte menos estudada.
  4. Leia o edital e compare com o anexo: o tribunal pode ter incluído matéria além do mínimo.
  5. Use a norma de ingresso como base para a parte de estatuto da magistratura.

Erros comuns

  • Estudar pelo programa de outro ramo (por exemplo, estadual para Justiça do Trabalho).
  • Deixar os direitos humanos de lado: a lista inclui a disciplina em todos os ramos civis.
  • Ignorar o Anexo VI.
  • Confundir o Exame Nacional da Magistratura com a prova específica do ramo; veja o guia do ENAM.

Próximos passos

Fontes e atualização

Conferido na fonte acima na data de publicação deste guia. Os anexos são alterados por resoluções sucessivas e a Justiça Militar e o Anexo VII têm particularidades; confira a redação vigente e o edital.

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