Guia de profissões do serviço público

Agente de combate às endemias: Lei 11.350/06 e vetores

A profissão em resumo

O que faz
Atua na vigilância, prevenção e controle de doenças e na promoção da saúde: visita imóveis, procura focos de vetores, orienta moradores e registra informações (Lei 11.350/06, art. 4º).
Formação exigida
Ensino médio completo e curso de formação inicial de no mínimo quarenta horas; sem inscrito com ensino médio, admite-se o fundamental, com três anos para concluir o médio (Lei 11.350/06, art. 7º).
Como se ingressa
Processo seletivo público (art. 9º), com regime da CLT, salvo lei local diversa (art. 8º). Ao contrário do ACS, o art. 7º não exige residência na área.
Idade mínima
A Lei 11.350/06 não fixa idade mínima. Para cargo público federal civil, a Lei 8.112/90 exige 18 anos (art. 5º); em outros entes, vale a lei local e o edital.
Idade máxima
A Lei 11.350/06 não prevê idade máxima. Em concurso civil, limite de idade só se admite se a lei do cargo o previr e a natureza das atribuições o justificar (Súmula 683 do STF); confira o edital.
Atribuições
Ações educativas e de mobilização, pesquisa entomológica e malacológica, cadastramento de imóveis, controle químico e biológico e manejo ambiental de vetores (art. 4º, § 1º); ações sobre zoonoses assistidas por profissional de nível superior (§ 2º).
Com quem lida
Moradores dos imóveis visitados, o agente comunitário de saúde e a equipe de atenção básica, com quem a lei manda integrar as ações (arts. 4º, § 1º, II, e 4º-A), e a autoridade sanitária, a quem comunica casos suspeitos.
Onde atua
Na vigilância ambiental e epidemiológica do SUS, em campo, na sua área geográfica de atuação (Lei 11.350/06, art. 4º, § 1º); o ente define o número de imóveis a fiscalizar (art. 7º, § 2º).

Idade e outros requisitos mudam por carreira e por edital. Entenda a regra geral em limite de idade em concurso e veja o mapa de carreiras com idade fixada em lei. O edital vigente prevalece.

O agente de combate às endemias (ACE) trabalha na linha de frente da vigilância ambiental: visita imóveis, procura focos de vetores, orienta moradores e registra informações para que a vigilância epidemiológica aja a tempo. A norma que o define é a mesma do agente comunitário de saúde, a Lei 11.350/06, mas as atribuições, o campo de atuação e alguns limites são próprios. Este guia ajuda a separar as duas profissões e a ler um edital de ACE sem confundir conceitos.

Atribuição geral: art. 4º

O ACE tem como atribuição o exercício de atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e promoção da saúde, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS e sob supervisão do gestor de cada ente federado.

O § 1º lista atividades típicas, na área geográfica de atuação. Entre elas:

  • ações educativas e de mobilização da comunidade relativas à prevenção e ao controle de doenças e agravos;
  • ações de prevenção e controle em interação com o ACS e a equipe de atenção básica;
  • identificação de casos suspeitos e encaminhamento à unidade de saúde, com comunicação à autoridade sanitária;
  • divulgação de informações sobre sinais, sintomas, riscos e agentes transmissores;
  • ações de campo para pesquisa entomológica, malacológica e coleta de reservatórios de doenças;
  • cadastramento e atualização da base de imóveis;
  • execução de ações de controle com medidas de controle químico e biológico, manejo ambiental e manejo integrado de vetores;
  • registro das informações das atividades, de acordo com as normas do SUS;
  • mobilização da comunidade para medidas simples de manejo ambiental.

Atividades assistidas por profissional de nível superior: § 2º

O § 2º do art. 4º trata de atividades do ACE assistidas por profissional de nível superior e condicionadas à estrutura de vigilância epidemiológica e ambiental e de atenção básica. Entre elas: participação em ações de vacinação animal contra zoonoses de relevância para a saúde pública; coleta de animais e de amostras biológicas para laboratórios; auxílio em necropsia de animais com diagnóstico suspeito de zoonoses; investigação diagnóstica laboratorial de zoonoses; e, em caráter excepcional e sob supervisão da coordenação da vigilância em saúde, controle da população de animais para combater a propagação de zoonoses. O lado da saúde animal na vigilância é tratado em médico veterinário na vigilância em saúde.

O § 3º diz que o ACE poderá participar, mediante treinamento adequado, da execução, da coordenação ou da supervisão das ações de vigilância epidemiológica e ambiental.

Requisitos: art. 7º

Segundo o texto lido, o ACE deve:

  1. ter concluído, com aproveitamento, curso de formação inicial, com carga horária mínima de quarenta horas;
  2. ter concluído o ensino médio.

O § 1º admite, quando não houver candidato inscrito com ensino médio, contratação de candidato com ensino fundamental, que deve comprovar o ensino médio em até três anos. Ao contrário do ACS, o texto compilado lido não impõe residência na área como requisito do art. 7º. O § 2º diz que cabe ao ente federativo definir o número de imóveis a serem fiscalizados, observados parâmetros do Ministério da Saúde, condições adequadas de trabalho, geografia e demografia, e flexibilização conforme a acessibilidade.

ACS x ACE

Ponto ACS ACE
Foco Prevenção e promoção na comunidade, família a família Vigilância, prevenção e controle de doenças, vetores e ambiente
Atividade central Visita domiciliar casa a casa (art. 3º, § 2º) Ações de campo, pesquisa entomológica e controle de vetores (art. 4º, § 1º)
Residência na área Exigida (art. 6º, I) Não consta do art. 7º
Curso inicial Mínimo de quarenta horas Mínimo de quarenta horas
Apoio de nível superior § 4º do art. 3º (aferições excepcionais) § 2º do art. 4º (zoonoses)

Ações integradas: art. 4º-A

O art. 4º-A prevê que ACS e ACE realizem atividades de forma integrada, com mobilizações sociais pela Educação Popular em Saúde: orientação da comunidade quanto a medidas simples de manejo ambiental, planejamento de vigilância articulado com as equipes de saúde da família, identificação e encaminhamento de situações ambientais de importância epidemiológica e campanhas ou mutirões de combate à transmissão de doenças.

Exemplo resolvido

Afirmação: “O ACE exerce suas atividades de forma isolada, sem integração com o ACS, pois pertence à vigilância.”

  1. O art. 4º, § 1º, II, trata das ações de prevenção e controle em interação com o ACS e a equipe de atenção básica.
  2. O art. 4º-A prevê atividades integradas.

Conclusão: errado. A lei manda integrar.

Contratação e acumulação

O art. 9º exige processo seletivo público para contratação de ACS e ACE. O art. 8º submete os agentes admitidos pelos gestores locais do SUS ao regime da CLT, salvo lei local diversa para Estados, DF e Municípios. O art. 2º-A reconhece ACS e ACE como profissionais de saúde, com profissões regulamentadas, para fins da alínea “c” do inciso XVI do art. 37 da CF/88.

Erros comuns

  • Aplicar ao ACE a exigência de residência na área, que a lei coloca para o ACS.
  • Confundir controle químico e biológico (ACE) com visita casa a casa para acompanhamento familiar (ACS).
  • Esquecer que algumas ações exigem assistência de profissional de nível superior.
  • Ler o edital sem conferir a lei local sobre regime e jornada.
  • Estudar só vetores e esquecer a legislação do SUS.

Próximos passos

Fontes e atualização

Texto conferido na fonte oficial na data de publicação. Confira a norma vigente, a lei local e o edital.

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