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A Lei 11.738/08 regulamenta o piso salarial profissional nacional dos profissionais do magistério público da educação básica, previsto no art. 206, VIII, da CF/88. O que a prova cobra são conceitos: o piso vale para o vencimento inicial da carreira, tem jornada de referência de 40 horas semanais, limita a 2/3 a parte da jornada com alunos e se atualiza anualmente por regra legal. A lei foi alterada recentemente (Lei 15.437/26), então atenção ao material desatualizado. Este guia não informa valores; consulte o valor vigente em ato oficial do MEC.
Fundamento constitucional e finalidade
O art. 206 da CF/88 inclui entre os princípios do ensino a valorização dos profissionais da educação escolar, com planos de carreira e ingresso por concurso, e o piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal (incisos V e VIII). A Lei 11.738/08 é essa lei federal para o magistério público da educação básica. O art. 1º, na redação atual, informa que ela regulamenta o inciso XII do caput do art. 212-A da Constituição, dispositivo do Fundeb. O Planalto também anota “Vide ADI 4167”, ação direta em que o STF examinou a lei; quem estuda para provas jurídicas deve ler o acórdão, o que foge ao escopo deste guia.
O que é o piso (art. 2º, § 1º)
O piso salarial profissional nacional é o valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não poderão fixar o vencimento inicial das Carreiras do magistério público da educação básica, para a jornada de, no máximo, 40 horas semanais.
Três palavras decidem muitas questões:
- vencimento inicial: o piso é a base da carreira, não a remuneração total; gratificações e vantagens podem existir além dele, conforme a lei de cada ente;
- carreiras: vale para o início de cada carreira do magistério, e as progressões seguem os planos locais;
- jornada de no máximo 40 horas: o valor integral refere-se a essa jornada de referência.
Para jornadas menores, o § 3º determina que os vencimentos iniciais serão, no mínimo, proporcionais ao piso. Exemplos de raciocínio: jornada de 20 horas = metade do piso; jornada de 30 horas = três quartos. A proporção vem da razão entre as horas (20/40 = 0,5; 30/40 = 0,75).
Quem é profissional do magistério (art. 2º, § 2º)
Por profissionais do magistério público da educação básica entendem-se aqueles que desempenham:
- atividades de docência; ou
- atividades de suporte pedagógico à docência, isto é, direção ou administração, planejamento, inspeção, supervisão, orientação e coordenação educacionais,
exercidas no âmbito das unidades escolares de educação básica, em suas diversas etapas e modalidades. A redação atual esclarece que se incluem os professores da educação infantil, independentemente da designação do cargo ou da função, e também os profissionais contratados por tempo determinado, sempre com a formação mínima determinada pela legislação federal de diretrizes e bases (LDB).
Consequência: o piso do magistério não alcança, automaticamente, todos os trabalhadores da educação (como servidores de apoio sem funções de magistério) e depende de a atividade ser exercida na unidade escolar. Esse conceito é parecido com o das “funções de magistério” da LDB (art. 67, § 2º), mas as leis têm finalidades diferentes: uma para fixar o piso; a outra, para a aposentadoria especial.
Limite de 2/3 para interação com os educandos (art. 2º, § 4º)
Na composição da jornada, observar-se-á o limite máximo de 2/3 da carga horária para o desempenho de atividades de interação com os educandos. O restante é dedicado a atividades como planejamento, correção, formação e reuniões, em linha com o art. 67, V, da LDB (período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho).
Cálculo para a jornada de referência: 40 horas × 2/3 = 26,67 horas, isto é, 26 horas e 40 minutos no máximo de interação com os alunos; sobram, no mínimo, 13 horas e 20 minutos (1/3) para atividades extraclasse. Para uma jornada de 20 horas, o limite é 13 horas e 20 minutos de interação e o mínimo de 6 horas e 40 minutos para as demais.
Atualização anual (arts. 5º e 5º-A)
Na redação atual, o valor do piso é atualizado anualmente por ato do Ministro de Estado da Educação, até o último dia útil de janeiro, com efeitos a partir de janeiro. O percentual de atualização resulta da soma de:
- a variação acumulada do INPC no ano anterior ao da atualização; e
- 50% da média, dos 5 anos anteriores, da variação percentual da receita real (com base no INPC) relativa à contribuição de Estados, DF e Municípios ao Fundeb.
Há trava: o percentual não pode ser inferior à variação do INPC do ano anterior nem superior à variação percentual da receita nominal do Fundeb ocorrida entre os dois anos anteriores, compreendidas as complementações da União.
Exemplo com números hipotéticos: INPC de 4%; média da variação real da receita de 6%. Soma: 4 + (0,5 × 6) = 7%. Se a receita nominal do Fundeb variou 5% no intervalo considerado, o teto é 5% e o piso sobe 5%. O resultado nunca pode ficar abaixo do INPC do ano anterior.
O art. 5º-A obriga o MEC a publicar, até o último dia útil de janeiro, a memória de cálculo completa (dados de receita, metodologia, série histórica e parecer técnico), em dados abertos.
Esse regime substituiu o anterior, que atrelava o reajuste ao crescimento do valor mínimo por aluno do regime anterior do Fundeb. Confira a redação vigente e os atos anuais do MEC.
Financiamento e dispositivos que perderam a vigência
O art. 4º-A dispõe que a implementação do piso tem como fontes de financiamento, sem prejuízo de outras, as previstas nos incisos I e II e nas alíneas “a” e “b” do inciso V do caput do art. 212-A da CF, observadas as vinculações mínimas do inciso XI. Os arts. 3º e 4º originais (integralização progressiva do valor e complementação da União para entes sem capacidade) foram revogados. Questões baseadas neles representam a lei antiga.
O art. 2º, § 5º, aplica o piso a aposentadorias e pensões dos profissionais do magistério alcançadas pelo art. 7º da EC 41 e pela EC 47 (dispositivos de transição citados na própria lei).
Planos de carreira (art. 6º e normas relacionadas)
O art. 6º determina que União, Estados, DF e Municípios elaborem ou adequem seus Planos de Carreira e Remuneração do Magistério, tendo em vista o cumprimento do piso. O prazo original da lei já se esgotou; o que permanece é a obrigação de a carreira respeitar o piso. Outras normas se somam:
- CF, art. 206, parágrafo único: a lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre prazo para adequação dos planos de carreira;
- LDB, art. 67: ingresso por concurso, aperfeiçoamento continuado, piso, progressão por titulação ou habilitação e avaliação de desempenho, tempo de estudo e condições de trabalho;
- PNE (Lei 15.388/26), meta 17.c: planos de carreira em lei para todos os profissionais da educação básica pública, tendo como referência o piso e o limite de 2/3 da carga horária para interação com os educandos.
Erros comuns
- Dizer que o piso é a remuneração total do professor.
- Aplicar o valor integral a jornadas menores sem proporcionalidade.
- Esquecer que o limite de 2/3 é máximo para interação com alunos.
- Confundir quem recebe o piso (magistério) com todos os profissionais da educação.
- Usar a regra antiga de reajuste pelo valor mínimo por aluno do regime anterior do Fundeb.
Fontes e atualização
O texto foi alterado recentemente e outras alterações podem vir; confira a redação vigente e o ato anual do MEC com o valor. Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia.
Próximos passos
- Veja os direitos de valorização na LDB: profissionais da educação, arts. 61 a 67.
- Entenda a origem dos recursos: Fundeb, Lei 14.113/20.
- Veja a rotina de quem ingressa: professor da rede pública: como ingressar por concurso.