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Estruturas de mercado classificam os mercados conforme o número de vendedores, o tipo de produto, a facilidade de entrada e o poder de fixar preços. É assunto recorrente de microeconomia em concursos, em geral cobrado de duas formas: identificar a estrutura pela descrição e fazer um cálculo simples de equilíbrio. O guia traz as duas.
Panorama
| Estrutura | Vendedores | Produto | Entrada | Poder de preço |
|---|---|---|---|---|
| Concorrência perfeita | muitos | homogêneo | livre | nenhum (tomador de preço) |
| Concorrência monopolística | muitos | diferenciado | livre | pequeno |
| Oligopólio | poucos | homogêneo ou diferenciado | com barreiras | considerável; interdependência |
| Monopólio | um | sem substitutos próximos | bloqueada | grande |
Do lado dos compradores: monopsônio é o mercado com um único comprador; oligopsônio, poucos compradores. A lógica é simétrica à dos vendedores.
Regra geral do lucro máximo
Qualquer firma que busca maximizar lucro produz até o ponto em que o custo da última unidade é igual à receita obtida com ela:
Receita marginal (RMg) = Custo marginal (CMg)
A diferença entre as estruturas está em como a RMg se comporta.
Concorrência perfeita
Condições: muitos vendedores e compradores, produto homogêneo, informação perfeita, livre entrada e saída. Cada firma é tomadora de preço: o preço é dado pelo mercado.
- Como a firma vende qualquer quantidade ao mesmo preço, RMg = preço (P).
- Equilíbrio da firma: P = CMg.
- No longo prazo, a livre entrada e saída leva o lucro econômico a zero: o preço iguala o custo médio mínimo.
- É eficiente: o preço reflete o custo de produzir a última unidade.
A curva de demanda enfrentada pela firma é horizontal (perfeitamente elástica), embora a demanda do mercado tenha inclinação negativa.
Monopólio
Uma única firma abastece o mercado. Enfrenta a demanda do mercado, que é decrescente: para vender mais, precisa baixar o preço de todas as unidades. Por isso a receita marginal fica abaixo do preço: RMg < P.
Exemplo numérico: demanda de mercado P = 100 - Q, custo marginal constante e igual a 20 (sem custos fixos, para simplificar).
Monopolista.
- Receita total = P x Q = (100 - Q) x Q = 100Q - Q².
- Receita marginal = 100 - 2Q (a RMg tem o dobro da inclinação da demanda).
- RMg = CMg: 100 - 2Q = 20, logo 2Q = 80 e Q = 40.
- Preço: P = 100 - 40 = 60.
- Lucro = (P - custo) x Q = (60 - 20) x 40 = 1.600.
Concorrência perfeita (mesmo mercado, mesma tecnologia).
- P = CMg: 100 - Q = 20, logo Q = 80 e P = 20.
- Lucro econômico = (20 - 20) x 80 = 0.
Comparação e perda de peso morto
| Concorrência | Monopólio | |
|---|---|---|
| Quantidade | 80 | 40 |
| Preço | 20 | 60 |
| Excedente do consumidor | 1/2 x (100 - 20) x 80 = 3.200 | 1/2 x (100 - 60) x 40 = 800 |
| Lucro do produtor | 0 | 1.600 |
| Excedente total | 3.200 | 800 + 1.600 = 2.400 |
A diferença de excedente total (3.200 - 2.400 = 800) é a perda de peso morto (ou perda irrecuperável de eficiência): o triângulo entre as quantidades 40 e 80 e entre os preços 20 e 60, de área 1/2 x (60 - 20) x (80 - 40) = 800. Ela ocorre porque o monopolista restringe a produção e cobra um preço acima do custo marginal. Parte do excedente do consumidor é transferida ao monopolista (1.600) e outra parte desaparece (800).
Barreiras à entrada e monopólio natural
Origens do monopólio: controle de insumo essencial, patentes e direitos exclusivos, concessões do poder público e economias de escala tão fortes que uma só firma abastece o mercado ao menor custo. Este último caso é o monopólio natural (por exemplo, certas redes de distribuição). Nele, o custo médio é decrescente em toda a faixa relevante da demanda, e a regulação enfrenta um dilema: fixar o preço igual ao custo marginal levaria a prejuízo (o custo médio está acima do marginal), enquanto o preço igual ao custo médio é uma alternativa que cobre os custos, ainda que reduza a eficiência.
Discriminação de preços
O monopolista pode cobrar preços diferentes a consumidores diferentes quando consegue separar os mercados e impedir a revenda. Nas classificações usuais, a de primeiro grau extrai todo o excedente do consumidor (cada um paga o máximo que aceitaria). Os graus restantes variam conforme o autor; siga o material da sua banca.
Concorrência monopolística
Muitas firmas vendem produtos diferenciados (restaurantes, marcas de roupas). Cada uma tem algum poder sobre o preço do seu produto, mas a livre entrada leva o lucro econômico a zero no longo prazo. Características: curva de demanda da firma negativamente inclinada, diferenciação, publicidade, capacidade ociosa.
Oligopólio
Poucas firmas, interdependentes: cada uma considera a reação das rivais ao decidir preço ou quantidade. Modelos clássicos:
- Cartel: as firmas combinam produzir como um monopólio e dividir o lucro. No exemplo, o cartel de duas firmas produz Q = 40 ao preço de 60, 20 unidades cada, com lucro de 800 para cada uma. A prática é ilegal em muitos países, e há incentivo a trapacear (produzir mais que a cota), o que torna o acordo instável.
- Cournot: as firmas escolhem quantidades simultaneamente. Com duas firmas idênticas, demanda P = 100 - Q e CMg = 20, a quantidade de cada uma é (100 - 20) / 3, aproximadamente 26,67. Produção total: cerca de 53,33. Preço: 100 - 53,33, aproximadamente 46,67. Lucro de cada firma: (46,67 - 20) x 26,67, cerca de 711. Resultado intermediário: mais produção e preço menor que o monopólio, menos que a concorrência perfeita.
- Bertrand: as firmas competem por preços com produto idêntico; no modelo simples, o preço cai ao custo marginal.
- Stackelberg: uma firma líder escolhe a quantidade primeiro, e a seguidora reage.
- Curva de demanda quebrada: explica a rigidez de preços em oligopólios (se uma firma sobe o preço, as rivais não acompanham; se baixa, elas acompanham).
Falhas de mercado
Quando o mercado livre não leva à alocação eficiente, fala-se em falhas de mercado:
- Poder de mercado (monopólio e oligopólio).
- Externalidades: efeitos de uma atividade sobre terceiros sem pagamento ou compensação (poluição como externalidade negativa).
- Bens públicos: não rivais e não excludentes; o mercado tende a ofertá-los abaixo do necessário.
- Assimetria de informação: um lado sabe mais que o outro.
Essas falhas justificam a intervenção do Estado (regulação, tributos, subsídios), com custos próprios.
Erros comuns
- Dizer que o monopolista fixa preço e quantidade livremente. Ele escolhe um ponto da demanda.
- Igualar preço ao custo marginal no monopólio. O monopolista produz onde RMg = CMg, e o preço fica acima do CMg.
- Esquecer que, na concorrência perfeita, o lucro econômico de longo prazo é zero (o que não é prejuízo).
- Chamar de oligopólio qualquer mercado com “poucas empresas conhecidas”, sem verificar barreiras e interdependência.
- Confundir monopólio natural com monopólio legal.
Próximos passos
- Veja a sensibilidade da demanda em elasticidades preço, renda e cruzada.
- Acompanhe os agregados em PIB, contas nacionais e multiplicador keynesiano.
- Entenda as empresas estatais em empresas públicas e sociedades de economia mista.
Fontes e atualização
- Edital da CVM (FGV): o conteúdo de Economia, em Microeconomia, lista estruturas de mercado (concorrência perfeita, concorrência imperfeita, monopólio, oligopólio), externalidades, bens públicos e assimetria de informação.
Os cálculos foram conferidos, incluindo a decomposição do excedente (3.200 = 800 + 1.600 + 800). Modelos de oligopólio variam entre autores: siga o material da sua banca.