Administração, gestão e economia

Estrutura organizacional, organograma e departamentalização

Estrutura organizacional é o conjunto de divisões do trabalho, relações de autoridade e canais de comunicação que fazem uma organização funcionar. Em provas, o assunto aparece em três frentes: tipos de departamentalização (funcional, territorial, por produto, por cliente, por processo, por projeto, matricial), conceitos estruturais (hierarquia, amplitude de controle, centralização, linha e assessoria) e leitura de organograma. Este guia organiza tudo com exemplos de órgãos públicos e uma conta de amplitude resolvida.

Elementos da estrutura

  • Divisão do trabalho e especialização. Quanto mais as tarefas são separadas, maior a especialização e maior a necessidade de coordenação.
  • Hierarquia (cadeia de comando). Linha de autoridade do topo à base. Princípio clássico da unidade de comando: cada pessoa se reporta a um único chefe. A estrutura matricial é a que flexibiliza esse princípio.
  • Amplitude de controle (ou de comando). Número de subordinados diretos de um chefe. Amplitude estreita gera muitos níveis hierárquicos (estrutura alta); amplitude larga gera menos níveis (estrutura achatada).
  • Centralização e descentralização. Na centralização, as decisões ficam no topo; na descentralização, são tomadas em níveis inferiores, perto do fato. No serviço público federal, o art. 10 do Decreto-Lei 200/67 manda distinguir o nível de direção do de execução e deixar a decisão de casos individuais, em princípio, ao nível de execução, enquanto a estrutura central fixa normas, critérios, programas e princípios.
  • Formalização. Grau em que regras, cargos e procedimentos estão escritos (regimentos, manuais, organogramas).
  • Linha e assessoria (staff). Os órgãos de linha exercem as atividades-fim e têm autoridade de comando sobre a cadeia; os de assessoria (staff) apoiam com conhecimento especializado, sem autoridade de comando sobre a linha. Exemplo: o gabinete jurídico assessora o diretor, que decide.

Estrutura formal e informal

A formal é a prevista em norma e representada no organograma. A informal nasce das relações pessoais, afinidades e redes de influência que não constam de nenhum documento, mas afetam o resultado. Uma boa gestão reconhece a informal, em vez de fingir que ela não existe. Questões gostam de afirmar que a informal “substitui” a formal: ela a complementa, não a revoga.

Departamentalização: critérios para agrupar atividades

Departamentalizar é agrupar atividades e pessoas em unidades segundo um critério. Os principais:

Critério Como agrupa Exemplo público Ponto forte Risco
Funcional Por especialidade Diretorias de pessoal, orçamento, tecnologia Especialização, economia de escala Visão fechada; “silos”
Territorial (geográfico) Por região Regionais de saúde ou de ensino, administrações regionais Proximidade do usuário Duplicação de estrutura
Por produto ou serviço Por tipo de entrega Subsecretarias de cada política Foco no resultado de cada serviço Competição por recursos
Por cliente (público-alvo) Por tipo de usuário Atendimento à criança, ao idoso Atendimento adaptado Sobreposição de atividades
Por processo Por etapa do fluxo Protocolo, análise, decisão Fluxo contínuo Pouca visão do todo
Por projeto Equipe montada para o projeto Força-tarefa para um sistema novo Foco e flexibilidade Temporária; reintegração dos membros
Matricial Combina dois critérios, em geral funcional e projeto Analista que responde à chefia funcional e ao gerente do projeto Compartilha especialistas Duplo comando, conflito de autoridade

As organizações reais misturam critérios: o nível mais alto pode ser por função, e o nível abaixo por região. Quando a questão pede o critério predominante, identifique o primeiro agrupamento a partir do topo.

Leitura de organograma

O organograma é a representação gráfica da estrutura: retângulos (unidades), linhas (relações). Linha contínua vertical indica subordinação hierárquica; linha tracejada costuma indicar ligação funcional ou de assessoria. Ele mostra a estrutura formal, mas não mostra como o trabalho flui (para isso existem o fluxograma e o mapeamento de processos) nem as atribuições de cada unidade (que ficam no regimento ou manual de organização). Seus tipos mais citados: vertical (o mais comum), horizontal (da esquerda para a direita) e circular (níveis em anéis concêntricos).

Conta resolvida: amplitude e níveis

Uma unidade precisa de 64 executores na base. Compare duas amplitudes de controle.

Amplitude 4. Cada chefe tem 4 subordinados diretos. Para 64 executores, são necessários 64 dividido por 4, igual a 16 chefes de primeiro nível; esses 16 precisam de 16 dividido por 4, igual a 4 chefes de segundo nível; e esses 4 respondem a 1 chefe de topo. Níveis: 4 (topo, 4, 16, 64). Total de pessoas: 1 + 4 + 16 + 64 = 85, sendo 21 chefes.

Amplitude 8. Para 64 executores, 64 dividido por 8, igual a 8 chefes; e 8 dividido por 8, igual a 1 chefe de topo. Níveis: 3 (topo, 8, 64). Total: 1 + 8 + 64 = 73, sendo 9 chefes.

Conclusão: com os mesmos 64 executores, a amplitude maior reduziu um nível e 12 posições de chefia (21 menos 9). O custo é que cada chefe passa a supervisionar mais gente, o que exige subordinados mais autônomos, tarefas padronizadas ou bom sistema de informação. Não existe número ideal único; depende da complexidade do trabalho e da capacitação da equipe.

Configurações estruturais de Mintzberg

Alguns editais citam as configurações descritas por Henry Mintzberg: estrutura simples (poucos níveis, poder concentrado no dirigente), burocracia mecanizada (tarefas rotineiras, muita formalização, típica de grandes repartições de massa), burocracia profissional (poder nos especialistas, como hospitais e universidades), forma divisionalizada (unidades semiautônomas por produto ou região) e adhocracia (equipes flexíveis para inovar). Decore a associação entre tipo e exemplo; a banca costuma descrever a situação e pedir o tipo.

Erros comuns

  • Dizer que a matricial respeita a unidade de comando; ela a quebra por desenho.
  • Confundir o critério territorial (onde está o serviço) com o por cliente (quem é atendido).
  • Achar que assessoria (staff) manda na linha. Ela aconselha; a decisão é do gestor.
  • Tratar o organograma como retrato completo da organização, esquecendo a estrutura informal.
  • Misturar centralização (concentração de decisão) com concentração de unidades num mesmo local, que é fato físico.

Delegação na prática

Delegar é transferir a outra autoridade a competência para praticar atos. O Decreto-Lei 200/67 trata a delegação de competência como instrumento de descentralização administrativa, para dar rapidez e objetividade às decisões, e exige que o ato indique com precisão a autoridade delegante, a delegada e as atribuições delegadas (arts. 11 e 12). Se a prova for de um ente que não seja a União, confira no edital qual norma de delegação do ente é cobrada.

Fontes e atualização

A departamentalização, a amplitude de controle e as configurações de Mintzberg são conceitos de teoria das organizações (orientação conceitual de manuais), sem texto legal único; adote o vocabulário do edital. Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia.

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