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Fazer um simulado e olhar só a nota total desperdiça a maior parte do que ele pode ensinar. O valor está em transformar o resultado em decisões: qual disciplina reforçar, que tipo de erro se repete, onde o tempo escapa. Para isso, você não precisa de planilhas complicadas, só de poucas métricas bem escolhidas.
A nota total diz pouco
Uma nota geral mistura situações muito diferentes. Dois candidatos podem ter o mesmo total, um por acertar tudo de Português e errar quase tudo de Direito, outro por distribuir os acertos. As ações de estudo para cada um seriam opostas. Por isso, a primeira regra é desmembrar o resultado.
Se você ainda não sabe montar um simulado completo, veja o guia como fazer simulado de concurso passo a passo. Aqui, o foco é o que fazer depois dele.
Métrica 1: acertos por disciplina
Conte, em cada disciplina, quantas questões você fez e quantas acertou. Apresente em uma tabela como esta, com números hipotéticos:
| Disciplina | Questões | Acertos | Aproveitamento (acertos/questões) |
|---|---|---|---|
| Português | 10 | 8 | 8 de 10 |
| Direito Constitucional | 10 | 5 | 5 de 10 |
| Informática | 5 | 4 | 4 de 5 |
| Raciocínio Lógico | 5 | 2 | 2 de 5 |
Use fração em vez de procurar o melhor número: “5 de 10” é mais honesto do que arredondar. Neste exemplo, as prioridades seriam Lógica e Constitucional. Se o edital tem nota mínima por disciplina, essa tabela também mostra o risco de eliminação em alguma delas.
Métrica 2: acertos por tópico
Dentro da disciplina com pior resultado, abra mais um nível. Em Constitucional, por exemplo, classifique cada questão pelo tópico: direitos e garantias, organização do Estado, controle de constitucionalidade. Talvez você descubra que os cinco erros se concentram em dois tópicos. Isso muda o plano de estudos, porque em vez de “estudar Constitucional” a meta passa a ser “refazer controle de constitucionalidade”.
Com um edital verticalizado, essa classificação fica fácil, porque cada questão aponta para uma linha da tabela.
Métrica 3: tipo de erro
Nem todo erro significa falta de conteúdo. Para cada questão errada, marque a causa principal:
- Lacuna de conteúdo: você não sabia o assunto.
- Confusão conceitual: sabia, mas trocou conceitos parecidos.
- Leitura: entendeu mal o enunciado, ignorou um “exceto” ou um “não”.
- Distração ou pressa: conhecia a resposta e marcou errado.
- Chute: não sabia, arriscou e errou.
A contagem por causa orienta ações diferentes. Muitos erros de leitura pedem treino de interpretação e atenção; muitas lacunas pedem retorno à teoria. O guia como analisar erros de simulado aprofunda cada tipo, e o caderno de erros guarda o histórico.
Métrica 4: tempo
Registre quanto tempo você gastou no total e, se possível, por bloco de disciplina. Perguntas úteis:
- Terminei com sobra ou faltou tempo?
- Em qual disciplina gastei mais do que o previsto?
- As últimas questões foram respondidas às pressas?
Se as últimas questões concentram erros de pressa, o problema não é o conteúdo, é a distribuição do tempo. O guia sobre gestão do tempo na prova ajuda a treinar isso.
Métrica 5: chutes e acertos por sorte
Marque, durante o simulado, as questões em que você teve dúvida real ou chutou. Depois, compare:
- acertos seguros;
- acertos com dúvida;
- erros seguros (você tinha certeza e errou, o mais perigoso);
- erros com dúvida.
O “erro seguro” revela um conceito errado, que vai se repetir enquanto não for corrigido. Já o “acerto com dúvida” é uma fragilidade que a nota esconde. Se a banca usa o formato certo-errado com desconto, veja também o guia sobre nota líquida e quando arriscar.
Como comparar simulados entre si
Um único simulado é uma fotografia; vários formam uma tendência. Guarde as tabelas de cada um e compare:
- a evolução por disciplina, não só a total;
- se os tópicos fracos de antes melhoraram;
- se um tipo de erro diminuiu ou apareceu de novo.
Cuidado ao comparar simulados de dificuldade diferente. Uma queda de nota pode refletir uma prova mais difícil. Por isso, olhe a tendência ao longo de vários testes, não a diferença de um para outro.
Da análise à ação
Depois de preencher as tabelas, escreva no máximo três decisões para a semana. Um exemplo:
- Refazer a teoria de dois tópicos de Constitucional e resolver questões sobre eles.
- Treinar leitura de enunciados, sublinhando negativas e palavras de restrição.
- Cronometrar um bloco de Lógica para melhorar o ritmo.
Três decisões são fáceis de cumprir; dez viram lista que ninguém abre.
Erros comuns na análise
- Olhar apenas a nota total.
- Corrigir só as questões erradas e ignorar os acertos por chute.
- Não registrar a causa do erro, repetindo-o depois.
- Comparar simulados muito diferentes como se fossem iguais.
- Gerar análises longas e não transformá-las em ação.
- Usar números externos de “média de candidatos” como referência. O que importa é a sua evolução.
Próximos passos
Registre suas tabelas no caderno de erros, monte simulados por disciplina para os pontos fracos e entenda como tratamos o assunto na política editorial.