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O edital de Auditor Federal de Finanças e Controle (AFFC) da CGU, lido para este guia, aceita graduação em qualquer área e organiza a seleção em três blocos de conhecimento e duas discursivas. A novidade em relação aos concursos tradicionais de controle é que o programa privilegia governança, riscos, integridade, dados e atuação integrada da CGU, com menos ênfase em disciplinas clássicas isoladas. O edital do próximo concurso pode mudar; confira sempre o texto vigente.
Estrutura de provas no edital lido
O edital (organizado pelo Cebraspe) previa três provas objetivas, no estilo Certo ou Errado, e uma prova discursiva:
| Prova | Bloco | Itens | Pontuação por item |
|---|---|---|---|
| P1 | Conhecimentos básicos | 40 | 1 ponto (erro tira 1) |
| P2 | Conhecimentos complementares | 40 | 1 ponto (erro tira 1) |
| P3 | Conhecimentos específicos | 90 | 2 pontos (erro tira 2) |
| P4 | Discursiva | 2 questões | 100 pontos no total |
As objetivas somavam 260 pontos, e o peso dobrado da P3 mostra onde está a prova: 180 dos 260 pontos vêm do bloco específico. O edital fixava notas mínimas: pelo menos 8 pontos na P1, 12 na P2, 54 na P3 e 78 na soma. Falhar em qualquer uma elimina, não importa o restante. Na discursiva, uma questão de até 30 linhas (30 pontos) tratava de conhecimentos complementares, e uma situação-problema de até 60 linhas (70 pontos) tratava de conhecimentos específicos do cargo. A nota mínima na discursiva era de 50 pontos.
Há ainda uma lógica de corte: só tinha a discursiva corrigida quem ficasse entre os mais bem colocados nas objetivas, conforme o quadro do edital. Ou seja, passar nos pisos não basta; a posição conta.
O que cai em cada bloco
Básicos: Estado, democracia, direitos e ciência política; sociedade brasileira, desigualdades, diversidade e desenvolvimento; ética pública e responsabilidade profissional; administração pública e fundamentos de políticas públicas.
Complementares: governança, riscos e integridade pública e privada; transparência, ouvidoria e participação social; direito público aplicado, controle e responsabilização (decisão administrativa, motivação, proporcionalidade, devido processo, diferença entre procedimento investigativo e processo sancionador); evidências, dados e inteligência artificial; fundamentos de auditoria governamental e atuação integrada da CGU (avaliação, consultoria e apuração, independência, objetividade e modelo das três linhas).
Específicos, especialidade Auditoria: auditoria governamental (planejamento, matriz de planejamento, evidências, comunicação e monitoramento); finanças públicas, orçamento e contabilidade pública (PPA, LDO e LOA, execução da despesa, restos a pagar, responsabilidade fiscal); políticas públicas e métodos de investigação e avaliação; auditoria de contratações, transferências e execução de recursos; integridade, transparência e responsabilização aplicadas ao controle, incluindo a aplicação articulada da LAI e da LGPD. As especialidades de Tecnologia da Informação (Ciência de Dados, Infraestrutura de TI e Desenvolvimento de Sistemas) têm blocos próprios, como aprendizado de máquina, computação em nuvem e cibersegurança, e engenharia de software e arquitetura de sistemas. Escolha a especialidade antes de montar o plano.
Como ler esse tipo de programa
O programa descreve capacidades, não só temas. Em vez de “Licitações: modalidades”, aparece algo como análise de vulnerabilidades, incentivos e capacidades institucionais, combinação de respostas preventivas, corretivas e de responsabilização. Isso sugere itens que dão um caso e pedem raciocínio: o que a auditoria deve fazer, qual instrumento é adequado, por quê. Para treinar, transforme cada subtópico em uma pergunta de caso: “o gestor recebeu uma denúncia anônima; qual a diferença entre apurar, investigar e sancionar, e quem faz o quê?”.
Exemplo de decisão na P3
Com peso 2, cada erro custa dois pontos. Se em um bloco de dez itens você tem certeza de seis e dúvida real em quatro, e sua taxa de acerto nos duvidosos é de metade, o saldo esperado dessas quatro apostas é zero. Se for menos de metade, o saldo é negativo. Deixe em branco o que você chutaria sem critério e arrisque quando conseguir eliminar uma alternativa com segurança. Veja nota líquida: quando arriscar.
Roteiro por fases
- Fase 1, especialidade e mapa. Defina Auditoria ou uma das especialidades de TI e monte o edital verticalizado por bloco, anotando os pisos.
- Fase 2, o núcleo do específico. Auditoria governamental, orçamento e contabilidade pública e contratações. É onde estão os 180 pontos.
- Fase 3, o complementar. Governança, riscos, integridade, LAI e LGPD. Comece pelos guias LAI e LGPD no poder público.
- Fase 4, o básico para não cair no piso. Ciência política, sociedade, ética e administração pública. O piso é baixo, mas a P1 é eliminatória.
- Fase 5, escrita. Treine uma situação-problema de 60 linhas por semana: contexto, análise, proposta de encaminhamento e riscos. Peça a correção por alguém que conheça a área.
- Fase 6, simulados longos. As objetivas tinham cinco horas de duração; treine resistência com blocos de 170 itens.
Modelo de semana de estudo
Para quem tem cerca de duas horas por dia: segunda, auditoria governamental; terça, orçamento e contabilidade pública; quarta, governança, riscos e integridade; quinta, direito público aplicado e controle; sexta, dados e inteligência artificial (conceitos, evidências, ética); sábado, simulado parcial com correção; domingo, uma questão discursiva de 30 linhas ou uma situação-problema (alternando as semanas). Cada bloco termina com cinco a dez itens Certo ou Errado, e os erros vão para um caderno com a regra correta.
Para a situação-problema de 60 linhas, use um roteiro fixo: contexto e risco, critério aplicável, evidências necessárias, análise, proposta de encaminhamento e riscos residuais. Esse roteiro funciona porque o edital descreve a avaliação por conteúdo, expressão escrita e uso do registro formal.
Checklist antes de se inscrever
- Escolher a especialidade (Auditoria ou uma das de TI) pelo perfil, não pela concorrência.
- Ler as atribuições do cargo e as lotações do edital vigente.
- Entender os pisos por prova e o corte para correção da discursiva.
- Conferir se há retificações do edital.
- Calcular quanto tempo você tem entre hoje e a prova.
Erros comuns
- Estudar apenas Direito Administrativo clássico, quando o programa pede análise de controle e integridade.
- Ignorar o bloco de dados e inteligência artificial, que aparece até na parte complementar.
- Esquecer a diferença entre avaliação, consultoria e apuração.
- Decorar normas sem treinar a discursiva de situação-problema.
- Deixar a P1 para o fim por ser “básica”, mas eliminatória.
Próximos passos
- Entenda o órgão em controladoria e controle interno: CGU e CGDF.
- Reforce o conceito em controle da administração.
- Estude a carreira em auditor fiscal: o que faz e como se preparar.
Vagas, datas e situação do concurso ficam na ficha do concurso.
Fontes e atualização
Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia. O edital do próximo concurso pode mudar; confira. Pesos, pisos e nomes de bloco são os do edital lido; retificações posteriores podem alterar itens.