Informática

PROCV aproximado: faixas de nota e o erro da tabela fora de ordem

Quase todo candidato aprende o PROCV com correspondência exata, aquela em que o último argumento é FALSO ou 0. O que costuma derrubar em prova é o outro uso: a correspondência aproximada, usada para enquadrar um valor numa faixa (nota em conceito, tempo de serviço em adicional, renda em categoria). Aqui o último argumento é VERDADEIRO ou 1, e a regra de que a tabela precisa estar em ordem crescente passa a ser decisiva. Este guia mostra o raciocínio, uma tabela de faixas com resultados conferidos em planilha (LibreOffice Calc) e os erros típicos.

Não há norma sobre o tema; é conhecimento de ferramenta. Para o PROCV exato, veja funções clássicas e referências e PROCV, ÍNDICE e CORRESP.

Como a busca aproximada funciona

A sintaxe é a mesma: =PROCV(valor; tabela; coluna; VERDADEIRO). Com a correspondência aproximada, a função não procura igualdade; ela procura, na primeira coluna da tabela, o maior valor que seja menor ou igual ao valor procurado, e devolve o conteúdo da coluna indicada naquela linha.

Por isso a primeira coluna guarda o limite inferior de cada faixa, em ordem crescente, e a coluna de resultado guarda o rótulo da faixa.

Exemplo: nota em conceito

Considere a tabela em A1:B5, com os limites inferiores:

Nota mínima (A) Conceito (B)
0 E
5 D
6 C
7 B
9 A

A fórmula =PROCV(D1;$A$1:$B$5;2;VERDADEIRO) aplicada a diferentes notas dá:

Nota Resultado Por quê
4,9 E Maior limite menor ou igual a 4,9 é 0
5 D O limite 5 é igual à nota; a faixa começa nele
6,5 C Maior limite menor ou igual a 6,5 é 6
8,99 B Maior limite menor ou igual é 7
9 A Limite 9 igual à nota
10 A Maior limite menor ou igual é 9; não é preciso criar linha para 10
0 E Limite 0

Esses resultados foram conferidos em planilha, e a alternativa =ÍNDICE($B$1:$B$5;CORRESP(D1;$A$1:$A$5;1)) deu exatamente os mesmos conceitos nas sete notas testadas.

Por que a tabela é de limites inferiores

Quem monta “0 a 4,99; 5 a 5,99; …” com os dois extremos não precisa dos dois: basta o início de cada faixa. O fim da faixa é implícito: ela vai até antes do próximo limite. Se você colocar o limite superior na primeira coluna, o enquadramento sai deslocado.

O mesmo exemplo com correspondência exata

Com FALSO no último argumento, a mesma tabela só devolve um conceito se a nota for exatamente um dos limites. Nos testes, as notas 5, 9 e 0 devolveram D, A e E; as notas 4,9, 6,5, 8,99 e 10 devolveram #N/D. É a razão pela qual o uso de faixas pede VERDADEIRO. O erro #N/D significa “valor não disponível”, e é como o PROCV avisa que não achou o que procurava.

O erro da tabela fora de ordem

A correspondência aproximada pressupõe que a primeira coluna esteja em ordem crescente. A função usa uma busca por bisseção (descarta metade da lista a cada passo), e essa lógica só funciona em lista ordenada. Se a tabela estiver embaralhada, o resultado é imprevisível: pode vir um valor errado sem nenhuma mensagem de erro.

Teste feito: com os mesmos limites digitados na ordem 5, 0, 9, 6, 7, o LibreOffice Calc devolveu “E” para a nota 6,5 e “E” para a nota 7, ambos errados (o certo seria C e B). Para as notas 9 e 5, os resultados saíram certos por coincidência. Os resultados de uma tabela desordenada podem variar de um programa para outro, por isso a regra de prova é: tabela fora de ordem com VERDADEIRO não é confiável. A banca costuma usar isso como pegadinha: “a função retorna #N/D” está errado, porque ela retorna um valor qualquer.

Nota abaixo do menor limite

Se a nota procurada for menor que o menor limite da tabela (por exemplo, -1 numa tabela que começa em 0), a função devolve #N/D: não existe limite menor ou igual. Por isso, a primeira linha costuma ser o menor valor possível (aqui, 0). O tratamento comum é =SEERRO(PROCV(D1;$A$1:$B$5;2;VERDADEIRO);"fora da faixa").

Quando preferir ÍNDICE e CORRESP

CORRESP(valor; intervalo; 1) faz a mesma busca aproximada, com a mesma exigência de ordem crescente, e devolve a posição. A combinação com ÍNDICE tem duas vantagens: pode buscar para a esquerda (o resultado não precisa estar à direita do limite) e não quebra quando se inserem colunas, pois não depende de um número de coluna fixo.

Quando VERDADEIRO é omitido

Em muitas versões de planilha, deixar o último argumento do PROCV em branco equivale a VERDADEIRO. Esse é o motivo de tantos erros em planilhas reais: o usuário esquece o FALSO e a função faz a busca aproximada sem avisar. Em prova, “o último argumento é opcional e, se omitido, a busca é aproximada” é afirmação correta.

Erros comuns

  • Usar VERDADEIRO para códigos e identificadores (matrículas, CPFs), em que só vale igualdade.
  • Montar a tabela com limites superiores.
  • Deixar a tabela sem ordem crescente.
  • Esquecer o travamento da tabela com $ ao copiar a fórmula para baixo (veja referências relativas e absolutas).
  • Esperar que notas acima do maior limite deem erro: elas caem na última faixa.
  • Confundir a posição da coluna de resultado (o terceiro argumento conta a partir da primeira coluna da tabela, e não da planilha).

Roteiro de resolução em prova

  1. Identifique se o enunciado fala em faixas (intervalos) ou em igualdade.
  2. Se for faixa, confira se a primeira coluna tem limites inferiores em ordem crescente.
  3. Aplique “maior valor menor ou igual” ao valor procurado.
  4. Leia o terceiro argumento: é a coluna da tabela, a partir da 1.
  5. Cheque os casos de borda: valor igual a um limite e valor abaixo do primeiro.

Próximos passos

Veja gráficos, formatação condicional e tabela dinâmica, texto, arredondamento e precedência de operadores e editor de texto Word e Writer.

Fontes e atualização

Sem norma aplicável. Os resultados foram obtidos em planilha de teste no LibreOffice Calc, com as funções equivalentes em inglês. Nomes e comportamento podem variar entre Excel e Calc; confira o edital e a versão do programa citada. Veja a metodologia do site.

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