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Tipo textual é a estrutura interna do texto (narrativo, descritivo, dissertativo, injuntivo). Gênero textual é a forma concreta que o texto assume em uma situação social, como notícia, crônica, ofício ou receita. A distinção é básica em Língua Portuguesa e aparece com frequência em provas, geralmente em questões que pedem a identificação de um ou de outro.
Tipos textuais: a estrutura
Os tipos são poucos e definem como o conteúdo é organizado.
Narração
Conta fatos que acontecem no tempo, com personagens, ação e cenário. Sinais: verbos de ação no pretérito, marcadores temporais (“depois”, “no dia seguinte”), sequência de eventos. Exemplo: “Chegou cedo à repartição, pegou a senha e aguardou sua vez.”
Descrição
Apresenta características de pessoas, lugares, objetos ou situações, como um retrato. Sinais: verbos de ligação no presente ou no imperfeito, muitos adjetivos, ausência de progressão temporal. Exemplo: “A sala era ampla, clara e silenciosa, com mesas dispostas em fileiras.”
Dissertação
Expõe ou defende ideias. Pode ser expositiva (apenas explica) ou argumentativa (defende uma tese com argumentos). Sinais: presente do indicativo, conectivos lógicos, tese e argumentos. Exemplo: “A leitura diária amplia o vocabulário, pois expõe o leitor a estruturas variadas.”
Injunção (instrução)
Orienta o leitor a agir, por meio de verbos no imperativo ou no infinitivo. Sinais: ordens, passos numerados, tom diretivo. Exemplo: “Leia o edital, anote as datas e confira o local da prova.”
Alguns autores incluem a exposição como tipo separado; o edital ou o material da banca definem a classificação adotada. Fique atento ao termo usado.
Gêneros textuais: a função social
Os gêneros nascem das atividades humanas e são numerosos. Cada um tem finalidade, suporte, público e linguagem próprios.
- Notícia: informa um fato recente de forma objetiva.
- Reportagem: aprofunda um tema, com várias fontes.
- Crônica: comenta o cotidiano com tom pessoal e, muitas vezes, humor.
- Artigo de opinião: defende ponto de vista com argumentos.
- Editorial: expressa a posição de um veículo de comunicação.
- Carta do leitor: opina sobre algo publicado.
- Receita: ensina a preparar algo; é predominantemente injuntiva.
- Bula: orienta o uso de um medicamento.
- Ofício, requerimento, memorando: gêneros da comunicação oficial, com formato padronizado.
- Anúncio: tenta persuadir o público a consumir algo.
- Charge e tirinha: combinam imagem e texto, muitas vezes com crítica social.
Tipo versus gênero: um quadro de comparação
| Critério | Tipo textual | Gênero textual |
|---|---|---|
| O que define | Estrutura e organização | Função social e contexto |
| Quantidade | Poucos | Muitos |
| Exemplos | Narração, dissertação | Notícia, crônica, ofício |
| Pergunta-chave | Como o texto se organiza? | Para que e onde o texto circula? |
Um mesmo gênero pode misturar tipos
Uma notícia é narrativa quando relata o ocorrido, descritiva quando retrata o local e dissertativa quando explica as causas. A prova costuma perguntar qual tipo predomina. Observe o objetivo principal do trecho indicado.
Uma receita traz uma lista de ingredientes (listagem descritiva) e um modo de preparo (injunção). Predomina a injunção.
Como identificar na prova
- Pergunte-se: o texto conta uma sequência de acontecimentos? Narração.
- Ele apresenta características, sem avanço no tempo? Descrição.
- Ele defende ou explica ideias com argumentos? Dissertação.
- Ele dá ordens ou instruções? Injunção.
- Para o gênero, pergunte onde o texto circula (jornal, repartição, internet) e qual é seu objetivo.
Marcas de linguagem por gênero
- Notícia: título direto, verbos no pretérito, terceira pessoa, linguagem objetiva.
- Crônica: primeira pessoa ou tom pessoal, humor ou lirismo, linguagem próxima da fala.
- Artigo de opinião: tese clara, argumentos, posicionamento explícito.
- Ofício: fórmulas de abertura e fecho, numeração, vocativo e identificação do remetente, linguagem impessoal.
Funções da linguagem em uma frase
Muitas provas combinam o tema com as funções da linguagem. Em resumo:
- Referencial: informa de forma objetiva.
- Emotiva: expressa sentimentos do emissor.
- Conativa: tenta convencer o receptor, com imperativos e vocativos.
- Poética: valoriza a forma da mensagem.
- Fática: testa ou mantém o contato (“Alô?”).
- Metalinguística: o código fala do próprio código, como uma definição de dicionário.
Erros comuns
- Tratar “dissertação” e “artigo de opinião” como se fossem a mesma coisa. O primeiro é tipo, o segundo é gênero.
- Dizer que o gênero “notícia” é um tipo.
- Classificar pelo assunto: um texto sobre viagem não é, por isso, narrativo.
- Acreditar que cada texto tem um único tipo.
- Confundir objetividade com ausência de opinião: o gênero carrega a intenção.
Exemplo resolvido
Texto: “Antes de enviar o requerimento, confira seus dados, anexe a cópia do documento e guarde o protocolo.”
Tipo predominante: injunção, pois há verbos no imperativo orientando ações. Gênero provável: instrução ou orientação de procedimento, em manual ou comunicado.
Se a questão oferecer a alternativa “texto narrativo, porque descreve ações”, ela está errada: as ações são ordenadas ao leitor, e não relatadas no tempo.
Próximos passos
Com a noção de estrutura e função, avance para a interpretação de texto passo a passo. Para entender como as partes do texto se ligam, veja coesão e coerência.