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Formação de palavras: derivação, composição e outros processos

Questões de formação de palavras pedem que você descubra como uma palavra nasceu: por derivação (acréscimo de afixos), por composição (junção de palavras) ou por outros processos, como abreviação, sigla e hibridismo. A tática é reconhecer a estrutura da palavra e aplicar o teste da retirada: o que acontece se eu tirar cada parte. Este guia organiza o conteúdo e resolve a classificação de dez palavras. O conhecimento ajuda também em ortografia e em vocabulário, com ligação direta ao guia de semântica e parônimos.

Estrutura da palavra

  • Radical: parte que traz o significado básico. Em “infelizmente”, o radical é “feliz”.
  • Prefixo: vem antes do radical (in-, des-, re-, anti-, super-).
  • Sufixo: vem depois (-mente, -ção, -eza, -ável, -izar).
  • Vogal temática: liga o radical às desinências (cantar, mesa).
  • Desinências: marcam gênero e número nos nomes, e modo, tempo, número e pessoa nos verbos (cantávamos).
  • Vogais e consoantes de ligação: facilitam a pronúncia (cafeicultura, cafeteira, chaleira).

As palavras de mesmo radical formam uma família (feliz, infeliz, felicidade, felicitar).

Derivação: acrescentar afixos a uma palavra

Processo O que acontece Exemplo
Prefixal só prefixo infeliz, desfazer, reler
Sufixal só sufixo felizmente, pedreiro, fiscalizar
Prefixal e sufixal prefixo e sufixo acrescentados em momentos separados infelizmente, deslealdade
Parassintética prefixo e sufixo acrescentados ao mesmo tempo; sem um deles, a palavra não existe entardecer, amanhecer, entristecer
Regressiva redução da palavra primitiva (verbo vira substantivo) pesca (de pescar), ataque, venda, choro
Imprópria (conversão) mudança de classe sem alterar a forma o jantar, um não, o porquê

Parassíntese ou prefixal e sufixal?

Esta é a grande pegadinha. Teste da retirada:

  • Entardecer: sem “en-” fica “tardecer”; sem “-ecer” fica “entarde”. Nenhuma das duas existe. Logo, os afixos entraram juntos: parassíntese.
  • Infelizmente: sem “-mente”, resta “infeliz”, que existe; sem “in-”, resta “felizmente”, que existe. Os afixos entraram em etapas: derivação prefixal e sufixal, não parassintética.
  • Deslealdade: sem “des-”, resta “lealdade”, palavra existente. Logo, não é parassíntese.

Regressiva: o contrário da sufixação

Na derivação regressiva, a palavra nova é mais curta: o verbo pescar gera o substantivo “pesca”; atacar gera “ataque”; vender gera “venda”. Os substantivos que designam ação e vêm de verbos (deverbais) costumam ser regressivos. Compare com “pescaria”, que é sufixal.

Composição: unir radicais

  • Justaposição: os elementos se juntam sem alterar a pronúncia ou os sons: guarda-roupa, couve-flor, passatempo, para-choque. Pode ter hífen ou não, conforme as regras de hífen no Acordo Ortográfico.
  • Aglutinação: os elementos se fundem e perdem sons ou acentos, formando uma palavra nova: aguardente (água + ardente), planalto (plano + alto), pernalta (perna + alta), vinagre (vinho + acre), fidalgo (filho + de + algo).

Para decidir, pergunte: houve perda de som ou de letra de algum dos elementos? Se sim, aglutinação. Se cada elemento permaneceu intacto, justaposição.

Outros processos

  • Hibridismo: palavra composta de elementos de línguas diferentes: automóvel (grego + latim), televisão (grego + latim), sociologia (latim + grego), burocracia (francês + grego).
  • Abreviação (truncamento): redução de palavra mais longa: foto (fotografia), moto (motocicleta), pneu (pneumático), metrô (metropolitano).
  • Sigla e acrônimo: formada pelas letras iniciais: ONU, INSS. Alguns se leem como palavra (acrônimos): ONU, Anvisa.
  • Palavra-valise (amálgama): junção de partes de duas palavras: portunhol (português + espanhol), showmício (show + comício), informática (informação + automática).
  • Onomatopeia: imita som: tique-taque, miau, zum-zum.
  • Estrangeirismo e neologismo não são, em rigor, processos de formação, e sim entrada de palavras novas ou emprestadas; algumas bancas os tratam à parte.

Sufixos que formam classes de palavras

Reconhecer o sufixo ajuda a descobrir a classe e a grafia:

  • -mente forma advérbios a partir de adjetivos (rapidamente, fortemente).
  • -izar forma verbos de substantivos e adjetivos sem “s” no radical (organizar, utilizar); já -isar aparece quando o radical já tem “s” (analisar, pesquisar, avisar, improvisar).
  • -ez, -eza formam substantivos abstratos de adjetivos (rigidez, beleza). -ês, -esa formam gentílicos e títulos (português, portuguesa).
  • -ção, -mento formam substantivos de ação a partir de verbos (organização, atendimento).
  • -ável, -ível dão ideia de possibilidade (amável, compreensível).

Prefixos e radicais frequentes

Reconhecer o sentido de prefixos e radicais ajuda a decifrar palavras desconhecidas e aparece em questões de vocabulário.

Elemento Sentido Exemplos
a-, an- negação, ausência amoral, anônimo
anti-, contra- oposição antidoping, contradizer
des-, in- negação ou ação contrária desfazer, inútil
inter-, intra- entre; dentro interestadual, intramuscular
pré-, pós- antes; depois pré-escolar, pós-graduação
re- repetição reler, reconstruir
sub-, super- abaixo; acima subsolo, superpovoado
bio-, geo-, tele-, auto- vida; terra; longe; si mesmo biologia, geografia, telefone, autógrafo

Dez palavras classificadas

  1. infelizmente: prefixal e sufixal (in- + feliz + -mente).
  2. entardecer: parassintética (en- + tarde + -ecer).
  3. pesca: derivação regressiva (de pescar).
  4. aguardente: composição por aglutinação (água + ardente, com perda de som).
  5. guarda-chuva: composição por justaposição.
  6. automóvel: hibridismo.
  7. pneu: abreviação.
  8. o jantar: derivação imprópria (verbo usado como substantivo).
  9. INSS: sigla.
  10. desalmado: parassintética (des- + alma + -ado); sem “des-” fica “almado” e sem “-ado” fica “desalma”, formas que não existem na língua.

Passo a passo para classificar

  1. Separe radical e afixos.
  2. Teste a retirada de cada afixo: se a palavra restante existe, os afixos entraram em etapas; se nenhuma existe, parassíntese.
  3. Verifique se a palavra é mais curta que a forma de origem (regressiva).
  4. Se for formada por dois radicais, verifique se houve perda de som (aglutinação) ou não (justaposição).
  5. Se houve troca de classe sem mudança de forma, derivação imprópria.
  6. Confira origem das partes para hibridismo, e siglas e abreviações pela forma.

Erros comuns

  • Chamar de parassintética toda palavra com prefixo e sufixo.
  • Confundir derivação regressiva com sufixal: a regressiva encurta a palavra.
  • Classificar “guarda-chuva” como aglutinação por causa do hífen: o hífen não define o processo.
  • Confundir hibridismo com estrangeirismo.
  • Ignorar o contexto, pois a mesma forma pode ser classe diferente (“o jantar” e “jantar”).

Conferência e orientação

A classificação segue a nomenclatura da gramática tradicional; alguns casos (por exemplo, a diferença entre abreviação e redução, ou entre acrônimo e sigla) variam entre autores. Não há norma legal sobre o tema, e este guia é orientação prática de estudo. Em caso de divergência, vale o critério da banca no enunciado.

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