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Figuras de linguagem que mais caem: metáfora, metonímia e outras

Figuras de linguagem são recursos que afastam a expressão do sentido literal para dar mais força, beleza ou ironia ao texto. Em provas, a tarefa é reconhecer a figura em uma frase e explicar o efeito que ela produz. Aprender a pergunta certa para cada figura torna o reconhecimento quase mecânico.

Figuras de palavras (tropos)

Alteram o sentido das palavras.

Metáfora

Identificação entre dois elementos sem conectivo comparativo. “Seu olhar é um oceano.” “O tempo é um rio.” Pergunta-chave: há uma equivalência direta entre coisas diferentes?

Comparação

Aproxima dois elementos com conectivo (como, tal qual, feito, parece). “Seu olhar é como um oceano.” A diferença para a metáfora é a presença do conectivo comparativo.

Metonímia

Substitui uma palavra por outra com a qual mantém relação de proximidade ou contiguidade. Principais tipos:

  • Autor pela obra: “Li Machado de Assis” (li um livro dele).
  • Continente pelo conteúdo: “Tomei dois copos” (de bebida).
  • Parte pelo todo: “Não havia um teto para eles” (casa). Esse caso também é chamado de sinédoque.
  • Lugar pelo povo: “O Brasil comemorou o título.”
  • Marca pelo produto: “Preciso de uma gilete” (lâmina de barbear).
  • Efeito pela causa: “Vive do suor do rosto” (do trabalho).

Pergunta-chave: o termo foi trocado por outro vizinho no sentido, e não por algo parecido (o que seria metáfora).

Catacrese

É uma metáfora já incorporada à língua, por falta de outro termo: “pé da mesa”, “braço da cadeira”, “embarcar no avião”. Costuma passar despercebida.

Perífrase (antonomásia)

Substitui um nome por uma característica ou expressão: “o rei do futebol”, “a cidade maravilhosa”, “o bruxo do Cosme Velho”. Pergunta-chave: o nome foi trocado por um epíteto conhecido?

Sinestesia

Mistura de sensações de sentidos diferentes: “um perfume doce”, “uma voz quente”, “uma cor berrante”.

Figuras de pensamento

Alteram o sentido global da frase.

Antítese

Aproximação de ideias opostas: “A vida tem alegrias e tristezas”, “Ele prefere o silêncio ao barulho”.

Paradoxo

Reunião de ideias contraditórias que, pensadas bem, fazem sentido: “Quanto mais aprendo, mais descubro que não sei”, “Estou sozinho em meio à multidão”.

Dica para diferenciar: antítese coloca ideias opostas lado a lado; paradoxo apresenta uma contradição aparente que revela uma verdade.

Ironia

Dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica ou humorística: “Que ótima ideia, esquecer os documentos!”. O contexto revela a intenção.

Hipérbole

Exagero intencional: “Já te falei mil vezes”, “Estou morrendo de fome”.

Eufemismo

Suavização de uma ideia desagradável: “Ele nos deixou” (morreu), “O candidato não obteve êxito” (foi reprovado).

Personificação (prosopopeia)

Atribuição de características humanas a seres não humanos: “O vento sussurrava segredos”, “A cidade acordou cedo”.

Gradação

Sequência de ideias em ordem crescente ou decrescente de intensidade: “Foi um sussurro, depois uma voz, por fim um grito”.

Apóstrofe

Chamamento enfático a alguém ou a algo: “Ó mar, quantas lágrimas…”, “Candidatos, atenção!”.

Figuras de sintaxe (construção)

Alteram a estrutura da frase.

  • Elipse: omissão de termo facilmente subentendido. “Na sala, só o silêncio” (havia).
  • Zeugma: elipse de um termo que já apareceu. “Ele comprou café; ela, chá.”
  • Pleonasmo: repetição de ideia para dar ênfase. “Vi com meus próprios olhos.”
  • Polissíndeto: repetição de conectivos. “E corre, e pula, e grita.”
  • Assíndeto: ausência de conectivos. “Chegou, entrou, sentou.”
  • Anáfora: repetição de palavra no início de versos ou frases. “Ainda é cedo, ainda é possível, ainda dá tempo.”
  • Inversão (hipérbato): alteração da ordem direta. “De tanta emoção, calou-se o povo.”

Figuras de som

  • Aliteração: repetição de sons consonantais. “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”
  • Assonância: repetição de sons vocálicos.
  • Onomatopeia: imitação de sons. “Tic-tac”, “zum-zum”.

Quadro-resumo para distinguir pares

Par Diferença
Metáfora x comparação Sem conectivo x com conectivo
Metáfora x metonímia Semelhança x proximidade
Antítese x paradoxo Opostos lado a lado x contradição aparente
Hipérbole x eufemismo Exagera x suaviza
Personificação x metáfora Traço humano dado a não humano x identificação geral

Como resolver em prova

  1. Ler a frase como se fosse literal. Se não fizer sentido, há figura.
  2. Procurar conectivos de comparação.
  3. Testar se a troca é por semelhança (metáfora) ou por proximidade (metonímia).
  4. Perguntar o efeito: exagerar, suavizar, criticar, embelezar.
  5. Conferir o contexto, especialmente para a ironia.

Erros comuns

  • Chamar toda expressão figurada de metáfora.
  • Confundir metonímia com metáfora.
  • Chamar de ironia qualquer humor.
  • Chamar de hipérbole um simples elogio.
  • Marcar figura em frase literal: “Ele estudou muito” não tem figura alguma.
  • Confundir antítese e paradoxo.

Exemplo resolvido

Identifique as figuras: “(1) O Planalto anunciou novas regras. (2) Seu sorriso é um raio de sol. (3) A prova era um monstro de mil cabeças. (4) Que beleza, perder o ônibus de novo!”

  1. Metonímia: o lugar (Planalto) pela instituição (o governo).
  2. Metáfora: o sorriso é identificado ao raio de sol, sem conectivo.
  3. Metáfora com traços de hipérbole: a prova é identificada a um monstro e exagera em “mil cabeças”.
  4. Ironia: o falante diz “beleza” para criticar.

Próximos passos

Para aplicar o reconhecimento de sentido figurado, leia semântica, polissemia e parônimos. Depois, pratique em questões usando o roteiro de interpretação de texto.

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