Carreiras por formação

Concursos para quem é formado em TI: cargos e requisitos

Tecnologia da informação é uma das áreas em que o requisito de formação mais varia de edital para edital. Há cargos que exigem graduação na área, cargos que aceitam qualquer curso superior acrescido de pós-graduação em TI, e cargos de controle e de bancos que aceitam qualquer graduação, deixando a TI para a prova. Conhecer essas três famílias evita descartar um concurso por engano ou descobrir tarde que o seu diploma não vale.

As três famílias de requisito

1. Graduação na área de TI, ou qualquer graduação com pós-graduação em TI. Esse desenho aparece nos tribunais. No edital do TRF 1, as especialidades de Analista Judiciário em Análise de Dados, Análise de Sistemas de Informação, Governança e Gestão de TI, Segurança da Informação, Suporte em TI e Tecnologia da Informação pediam nível superior completo na área de TI, ou nível superior em qualquer área acrescido de pós-graduação em TI com no mínimo 360 horas. O edital do TJDFT lido repetia a lógica, com o mesmo piso de carga horária. No TRT 10, a especialidade de TI aceitava graduação na área de informática ou qualquer curso superior mais pós-graduação em informática.

2. Qualquer graduação, sem exigência de TI. O edital do Banco Central lido, para Analista na área de Tecnologia da Informação, pedia diploma de nível superior em qualquer área de formação. O edital do TCU para Auditor Federal de Controle Externo, orientação Auditoria de TI, também aceitava qualquer área. O conhecimento de TI estava só no conteúdo da prova.

3. Cursos específicos listados. O edital da Polícia Federal para Perito Criminal, na área de informática, listava Ciências da Computação, Engenharia da Computação, Engenharia de Redes de Comunicação, Engenharia Mecatrônica, Informática, Análise de Sistemas e Processamento de Dados. A SEEDF, na especialidade de TI de Gestor em Políticas Públicas e Gestão Educacional, pedia graduação em TI ou qualquer graduação com especialização em TI.

Mapa de cargos

Cargo O que o edital lido pedia Fonte
Analista Judiciário, Apoio Especializado, TI e especialidades (TRF 1) Superior em TI, ou qualquer superior com pós em TI de pelo menos 360 horas Edital do TRF 1
Técnico Judiciário, Apoio Especializado, Suporte Técnico (TRF 1) Qualquer superior com habilitação específica em cursos de TI (redes, banco de dados, sistemas operacionais, segurança etc.) com carga horária somada mínima de 120 horas/aula Edital do TRF 1
Analista Judiciário, Tecnologia da Informação (TRT 10) Graduação na área de Informática, ou qualquer superior com pós em Informática Edital do TRT 10
Analista, área TI (Banco Central) Qualquer área de formação superior Edital do Banco Central
Auditor Federal de Controle Externo, Auditoria de TI (TCU) Qualquer área de formação superior Edital do TCU
Perito Criminal Federal, informática (PF) Cursos de computação e afins, conforme lista do edital Edital da PF
Gestor em Políticas Públicas e Gestão Educacional, TI (SEEDF) Graduação em TI, ou qualquer área com especialização em TI Edital consolidado da SEEDF
Professor de Educação Básica, Informática (SEEDF) Licenciatura em Informática, ou bacharelado ou tecnológico com complementação pedagógica Edital consolidado da SEEDF

Nenhum dos editais lidos exigia registro em conselho profissional para cargos de TI. A lei de regulamentação de uma profissão e o seu conselho aparecem em áreas como Contabilidade, Engenharia e Enfermagem; para TI, o que importa é o diploma e, quando houver, a pós-graduação. Confira cada edital.

O que costuma ser cobrado

A especialidade de TI do TRT 10 trouxe os seguintes blocos: engenharia de software (orientação a objetos, metodologias ágeis, requisitos, qualidade, DevOps e infraestrutura como código), desenvolvimento de sistemas, inteligência artificial e aprendizado de máquina, bancos de dados, infraestrutura de TI, segurança da informação e normativos da plataforma digital do Poder Judiciário. O padrão se repete em outros órgãos com variações, e o edital do TCU para Auditoria de TI combinou infraestrutura, engenharia de dados, engenharia de software, segurança, nuvem e inteligência artificial com controle externo, auditoria governamental, contratações de TI e gestão de TI.

Repare em dois detalhes: (a) a prova mistura conteúdo técnico com legislação específica do órgão, e (b) o bloco de segurança da informação é praticamente universal. Para a base, veja bancos de dados, redes e internet, criptografia e segurança da informação.

Exemplo resolvido: conversão de binário

Um item clássico de base: converter 101101, em binário, para decimal. Cada posição vale uma potência de 2, da direita para a esquerda: 1, 2, 4, 8, 16, 32. Somam-se as posições com bit 1: 32 + 8 + 4 + 1 = 45. A conta inversa confirma: 45 = 32 + 8 + 4 + 1, logo 101101. Questões desse tipo avaliam raciocínio, não memória.

Exemplo resolvido: consulta em banco de dados

Uma tabela de processos tem cinco linhas, com o campo “dias” valendo 3, 10, 7, 15 e 4. A consulta que conta quantos processos têm mais de 5 dias é SELECT COUNT(*) FROM processos WHERE dias > 5. Os valores maiores que 5 são 10, 7 e 15; o resultado é 3. A pegadinha comum é incluir o 4 ou o 3, que não atendem à condição.

Como ingressar: passo a passo

  1. Defina sua trilha: desenvolvimento, infraestrutura, segurança, dados ou suporte. Veja carreiras de TI no serviço público.
  2. Cheque, em cada edital, a família de requisito: graduação em TI, qualquer graduação mais pós, ou qualquer área.
  3. Se for o caso, confirme que a pós-graduação tem carga mínima de 360 horas e reconhecimento do MEC, conforme o edital.
  4. Monte o estudo por blocos: engenharia de software, banco de dados, redes, segurança e legislação do órgão.
  5. Treine questões do estilo da banca, que costumam usar a plataforma de cada órgão como contexto.

Como comparar com outras opções

  • Tribunais: foco em desenvolvimento e infraestrutura, com especialidades separadas e requisito de TI.
  • Controle externo (TCU, TCDF): o cargo é de auditor, não de técnico de TI; a TI entra como orientação e a prova mistura auditoria, controle e legislação. Veja o roteiro do TCU em Auditoria de TI.
  • Banco Central: requisito aberto e prova exigente; leia o roteiro do Analista do Banco Central.
  • Polícia Federal: perícia em informática, com lista fechada de cursos.

Erros comuns

  • Presumir que “qualquer pós-graduação” vale: o edital pede pós em TI com carga mínima.
  • Ignorar a diferença entre graduação tecnológica e bacharelado quando o edital cita um dos dois.
  • Estudar só linguagens e esquecer infraestrutura e segurança.
  • Deixar de lado a legislação do órgão (como a plataforma digital do Judiciário e a LGPD).
  • Usar um edital de TI como modelo de outro: a lista de matérias muda de órgão para órgão.

Próximos passos

Fontes e atualização

Conferido nas fontes acima na data de publicação deste guia. Os requisitos são os dos editais lidos, alguns de concursos anteriores, e o próximo edital pode mudar; confira o texto vigente.

Leia também

Para continuar no site

Viu algo errado, desatualizado ou confuso? Relatar erro nesta página