Informática

Computação em nuvem: IaaS, PaaS, SaaS e modelos de implantação

Computação em nuvem é o fornecimento de recursos computacionais (servidores, armazenamento, redes, plataformas e aplicações) por meio da internet, sob demanda e geralmente pagos conforme o uso. Em vez de comprar e manter equipamentos próprios, a organização consome o recurso como um serviço. Os temas mais cobrados são as características essenciais, os modelos de serviço e os modelos de implantação.

Características essenciais

Cinco características descrevem o que torna um serviço “de nuvem” de fato:

  1. Autosserviço sob demanda: o usuário contrata e libera recursos por conta própria, sem intervenção humana do provedor.
  2. Amplo acesso pela rede: os recursos são acessados por meio da rede, com dispositivos variados (computador, celular, tablet).
  3. Agrupamento de recursos (multi-inquilino): o provedor atende vários clientes com a mesma infraestrutura física, dividida de forma lógica.
  4. Elasticidade rápida: os recursos crescem ou diminuem conforme a demanda, parecendo ilimitados ao usuário.
  5. Serviço medido: o uso é monitorado e cobrado conforme o consumo.

Essas características aparecem na definição amplamente adotada de nuvem e costumam ser exploradas em questões que pedem “qual item não é uma característica”.

Modelos de serviço

A diferença entre IaaS, PaaS e SaaS está em quanto da pilha de tecnologia o provedor administra e quanto fica com o cliente.

Modelo O que o provedor entrega O que o cliente gerencia Exemplo de uso
IaaS (Infraestrutura como Serviço) Servidores virtuais, armazenamento e rede Sistema operacional, programas e dados Alugar máquinas virtuais para hospedar um sistema próprio
PaaS (Plataforma como Serviço) Ambiente pronto para desenvolver e executar aplicações Apenas a aplicação e os dados Publicar um sistema desenvolvido sem cuidar de servidores
SaaS (Software como Serviço) O aplicativo completo, pronto para uso Basicamente o uso e a configuração da conta Usar e-mail ou editor de documentos pelo navegador

Resumo mnemônico: no IaaS você recebe “o terreno”; no PaaS recebe “a obra com a estrutura pronta”; no SaaS recebe “o imóvel pronto para morar”.

Como classificar uma situação

Pergunte: quem cuida do sistema operacional?

  • Se o cliente instala e atualiza o sistema operacional: IaaS.
  • Se o provedor cuida do sistema operacional e o cliente apenas publica o seu código: PaaS.
  • Se o cliente nem enxerga a infraestrutura e só usa o aplicativo: SaaS.

Existem outras siglas, como DaaS (desktop como serviço) e FaaS (funções como serviço, “sem servidor”), mas IaaS, PaaS e SaaS são as mais cobradas.

Modelos de implantação

Modelo Quem usa Característica
Nuvem pública Vários clientes diferentes Infraestrutura do provedor, acessível ao público em geral
Nuvem privada Uma única organização Infraestrutura exclusiva, dentro ou fora da organização
Nuvem comunitária Grupo de organizações com interesses comuns Compartilhada por requisitos semelhantes, como os de segurança
Nuvem híbrida Combinação de dois ou mais modelos Integra, por exemplo, uma nuvem privada com uma pública

Um exemplo típico de nuvem híbrida: dados sensíveis ficam na nuvem privada, e a carga extra de acessos em períodos de pico é atendida pela nuvem pública.

Vantagens

  • Redução do investimento inicial em equipamentos.
  • Escalabilidade: aumentar ou reduzir recursos conforme a necessidade.
  • Acesso de qualquer lugar com internet.
  • Atualizações e manutenção a cargo do provedor.
  • Recuperação de desastres facilitada, com cópias em locais diferentes.

Riscos e cuidados

  • Dependência da internet: sem conexão, o acesso fica comprometido.
  • Dependência do provedor (lock-in): migrar para outro fornecedor pode ser difícil.
  • Privacidade e conformidade: o tratamento de dados pessoais precisa respeitar a LGPD, inclusive quando o provedor guarda os dados em outro país.
  • Responsabilidade compartilhada: o provedor protege a infraestrutura, mas o cliente é responsável por senhas, permissões e configuração correta dos seus recursos.
  • Disponibilidade: os contratos preveem níveis de serviço (SLA), que devem ser lidos com atenção.

A ideia de responsabilidade compartilhada é muito cobrada: migrar para a nuvem não transfere ao provedor toda a responsabilidade pela segurança.

Armazenamento em nuvem

Serviços de armazenamento e sincronização guardam arquivos em servidores remotos, e permitem acessá-los de vários dispositivos e compartilhá-los. Tecnicamente, são exemplos de SaaS, quando oferecidos como aplicação pronta, ou de IaaS, quando oferecidos como espaço bruto para o cliente administrar. Isso lembra que o mesmo recurso pode ser classificado conforme o ponto de vista: o que o cliente faz com ele?

Virtualização

A virtualização é uma tecnologia que sustenta a nuvem: permite que um único servidor físico execute várias máquinas virtuais isoladas entre si, cada uma com seu sistema operacional. Isso aumenta o aproveitamento do hardware e viabiliza a elasticidade. Virtualização e nuvem não são sinônimos: a virtualização é a técnica; a nuvem é o modelo de serviço que adiciona autosserviço, elasticidade e cobrança por uso.

Erros comuns

  • Achar que a nuvem elimina a necessidade de backup. O backup continua sendo recomendável.
  • Dizer que “nuvem” significa apenas armazenamento de arquivos.
  • Confundir PaaS com SaaS: no PaaS o cliente desenvolve a aplicação; no SaaS ele só a utiliza.
  • Afirmar que nuvem privada sempre fica dentro da empresa; a infraestrutura exclusiva pode ser hospedada por terceiros.
  • Entender que a responsabilidade pela segurança passa 100% ao provedor.

Próximos passos

Leia também

Para continuar no site

Viu algo errado, desatualizado ou confuso? Relatar erro nesta página