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Três serviços fazem a rede doméstica e corporativa funcionar sem que o usuário perceba: o DNS traduz nomes em endereços, o DHCP entrega a configuração de rede ao computador que acabou de se conectar e o NAT permite que muitos equipamentos de uma rede privada compartilhem um endereço público. As provas de redes cobram o funcionamento de cada um e suas pegadinhas. A visão geral de portas e protocolos está em redes de computadores e internet; aqui o foco é o mecanismo.
DNS: do nome ao endereço
O DNS (Sistema de Nomes de Domínio) é um banco de dados distribuído e hierárquico. Nenhum servidor conhece todos os nomes; cada um cuida de uma parte (uma zona) e sabe a quem perguntar para o resto.
Quem participa de uma consulta
| Papel | Função |
|---|---|
| Cliente (resolvedor stub) | o computador que precisa do endereço; pergunta ao servidor de DNS configurado |
| Resolvedor recursivo | servidor que faz o trabalho de descobrir a resposta e guarda em cache (em geral, o do provedor ou da rede) |
| Servidores raiz | indicam quem cuida de cada domínio de nível superior |
| Servidores de domínio de nível superior (TLD) | cuidam de .br, .com e semelhantes e indicam os servidores do domínio consultado |
| Servidor autoritativo | detém a resposta oficial sobre o domínio |
Passo a passo de uma consulta por www.exemplo.com.br
- O navegador verifica se já tem o endereço em memória; o sistema operacional também mantém cache.
- Sem resposta, o computador pergunta ao resolvedor recursivo.
- Se o resolvedor não tiver em cache, ele consulta um servidor raiz, que o encaminha ao servidor responsável por
.br. - O servidor de
.brindica o servidor responsável porcom.br, e este indica o servidor autoritativo deexemplo.com.br. - O servidor autoritativo responde com o endereço.
- O resolvedor devolve a resposta ao cliente e guarda em cache pelo tempo indicado no TTL (tempo de vida) do registro.
O cache torna as consultas seguintes quase imediatas, e o TTL explica por que uma mudança de endereço de um site leva algum tempo para “propagar”: caches espalhados continuam respondendo o valor antigo até o TTL expirar.
Uma consulta é recursiva quando o cliente pede ao servidor que traga a resposta final; é iterativa quando o servidor responde apenas com a indicação de quem consultar em seguida. Na prática, o cliente faz consulta recursiva ao resolvedor, e o resolvedor faz consultas iterativas à hierarquia.
Registros mais cobrados
| Tipo | Função |
|---|---|
| A | associa nome a endereço IPv4 |
| AAAA | associa nome a endereço IPv6 |
| CNAME | apelido: aponta um nome para outro nome |
| MX | servidor de e-mail do domínio, com prioridade |
| NS | servidores de nomes autoritativos da zona |
| PTR | resolução reversa: endereço para nome |
| TXT | texto livre; usado em verificações de domínio e em mecanismos de autenticação de e-mail |
| SOA | dados da zona, como servidor primário e parâmetros de atualização |
No MX, vale o menor número de prioridade primeiro: o servidor com prioridade 10 é tentado antes do de prioridade 20. O CNAME não pode coexistir com outros registros no mesmo nome, e um MX não deve apontar para um CNAME.
O DNS usa, em geral, a porta 53, com UDP para consultas comuns e TCP para respostas grandes e transferência de zona entre servidores.
Segurança no DNS
Ataques clássicos: envenenamento de cache (inserir resposta falsa no cache do resolvedor, desviando usuários para sites falsos) e sequestro de DNS. A extensão DNSSEC acrescenta assinaturas digitais às respostas para que o resolvedor verifique a autenticidade; ela garante origem e integridade, mas não cifra a consulta.
DHCP: configuração automática
O DHCP entrega a um equipamento, sem configuração manual, o endereço IP, a máscara, o gateway padrão e os servidores DNS, entre outros parâmetros. Usa UDP: porta 67 no servidor e 68 no cliente.
As quatro mensagens: DORA
| Etapa | Mensagem | Quem envia | Para quem |
|---|---|---|---|
| D | Discover (descoberta) | cliente | broadcast: “há algum servidor DHCP?” |
| O | Offer (oferta) | servidor | propõe um endereço |
| R | Request (requisição) | cliente | aceita a oferta e pede o endereço |
| A | Acknowledge (confirmação) | servidor | confirma e informa o tempo de concessão |
A primeira mensagem é um broadcast porque o cliente ainda não tem endereço nem sabe quem é o servidor. Por isso o DHCP funciona dentro de um domínio de broadcast; para atender várias redes, os roteadores usam um agente de retransmissão (relay) que encaminha as mensagens ao servidor.
Concessão (lease)
O endereço é emprestado por um tempo. Antes de acabar, o cliente tenta renovar. Se o tempo vence sem renovação, o endereço volta ao conjunto. A concessão pode ser automática, dinâmica ou por reserva: o servidor associa o endereço físico (MAC) de um equipamento a um IP fixo sempre entregue a ele. Reserva não é o mesmo que configurar IP estático no equipamento.
Endereço automático de emergência
Quando não encontra servidor DHCP, um computador pode atribuir a si mesmo um endereço da faixa 169.254.0.0/16 (endereço de link local, conhecido no Windows como APIPA). Esse endereço permite conversar apenas com a rede local. Ver um 169.254... no computador é pista clássica de que o DHCP falhou.
NAT e PAT: compartilhando endereços
O NAT (tradução de endereços de rede) troca os endereços de pacotes ao passar por um roteador ou firewall. O principal uso é permitir que uma rede com endereços privados acesse a internet usando um ou poucos endereços públicos.
Faixas privadas definidas pela norma de endereçamento privado, conferidas por programa:
| Faixa | Intervalo |
|---|---|
10.0.0.0/8 |
10.0.0.0 a 10.255.255.255 |
172.16.0.0/12 |
172.16.0.0 a 172.31.255.255 |
192.168.0.0/16 |
192.168.0.0 a 192.168.255.255 |
Pegadinhas de faixa: 172.32.0.1 e 192.169.0.1 não são privados (estão logo fora das faixas); 127.0.0.1 é loopback, e 169.254.x.x é link local, nenhum dos dois privado no sentido da norma. Endereços privados não são roteados na internet pública.
Tipos
- NAT estático: um endereço privado corresponde a um público fixo, um para um.
- NAT dinâmico: usa um conjunto de endereços públicos, atribuídos conforme a demanda.
- PAT (ou NAPT, “sobrecarga”): muitos endereços privados compartilham um único endereço público, diferenciados pela porta. É o que acontece na rede doméstica. O roteador mantém uma tabela de traduções: quando a resposta chega para uma porta, ele sabe a qual equipamento interno entregar.
Consequência: de fora, só se enxerga o endereço público; os equipamentos internos ficam “escondidos”, o que dificulta conexões iniciadas de fora para dentro. Para isso existe o encaminhamento de portas (port forwarding). O NAT não é um firewall: o efeito de esconder endereços é colateral, e não substitui regras de segurança. O IPv6 foi projetado com espaço de endereços suficiente para dispensar o NAT como solução de escassez.
Quem faz o quê: quadro de revisão
| Serviço | Pergunta que responde | Porta |
|---|---|---|
| DNS | qual o endereço deste nome? | 53 |
| DHCP | qual endereço e configuração eu uso? | 67 e 68 (UDP) |
| NAT/PAT | como a rede privada sai para a internet? | não tem porta própria; traduz endereços e portas |
Erros comuns
- Dizer que o DNS armazena as páginas: ele só traduz nomes em endereços.
- Confundir DNS (nome para IP) com DHCP (entrega o IP).
- Achar que o
Discoverdo DHCP é enviado a um servidor conhecido: é broadcast. - Achar que
172.32.x.xé privado. - Dizer que o NAT criptografa o tráfego.
- Esquecer que o DNSSEC autentica, mas não cifra.
Fontes e atualização
Não há norma oficial brasileira sobre estes protocolos; o conteúdo segue os padrões da internet e a literatura de redes. As faixas privadas e o pertencimento de endereços citados foram conferidos por cálculo executado. Detalhes de implementação mudam entre fabricantes: confira o edital.
Próximos passos
- Calcule sub-redes em VLSM e sumarização de rotas.
- Entenda as camadas em modelo OSI e TCP/IP.
- Reforce a defesa em firewall, IDS/IPS, VPN e MFA.