Seu navegador não oferece leitura em voz alta. Você pode ler o guia normalmente.
Quando a prova pergunta “qual ferramenta bloqueia isto?”, a resposta depende de entender o que cada tecnologia faz e onde se posiciona. Este guia separa as defesas mais cobradas de segurança em redes e mostra as diferenças que as bancas exploram. Para ameaças e golpes, veja segurança da informação: ameaças, malware e golpes digitais; para criptografia, chaves simétrica e assimétrica.
O objetivo: proteger confidencialidade, integridade e disponibilidade
Toda defesa visa preservar algum destes pilares:
- Confidencialidade: só quem tem autorização acessa a informação.
- Integridade: a informação não é alterada indevidamente.
- Disponibilidade: o serviço está acessível quando necessário.
Muitas questões pedem que você ligue uma ferramenta ao pilar que ela protege.
Firewall
O firewall controla o tráfego entre redes com base em regras, normalmente entre a rede interna e a internet. Tipos clássicos:
- Filtro de pacotes (sem estado): decide pacote a pacote, olhando endereços IP, portas e protocolo.
- Firewall com inspeção de estado (stateful): acompanha as conexões e aceita respostas só a conexões iniciadas de dentro.
- Firewall de aplicação / proxy: entende o conteúdo de protocolos específicos (por exemplo, HTTP) e pode filtrar por URL ou conteúdo.
- NGFW (firewall de nova geração): combina filtragem por estado com identificação de aplicações e usuários e recursos de prevenção de intrusão.
Ponto de prova: o firewall não substitui antivírus nem impede ataque que vem por tráfego permitido (por exemplo, um anexo malicioso em e-mail autorizado). Ele reduz a superfície de ataque, mas não elimina riscos.
WAF e DMZ
- WAF (Web Application Firewall): protege aplicações web contra ataques ao nível do protocolo HTTP, como injeção de comandos SQL e cross-site scripting.
- DMZ (zona desmilitarizada): segmento intermediário onde ficam servidores que precisam ser acessados de fora (web, e-mail), isolados da rede interna. Se um servidor da DMZ for comprometido, o atacante ainda enfrenta outra barreira antes de chegar à rede interna.
Proxy
O proxy é um intermediário: o cliente faz o pedido ao proxy, que o repassa ao destino. Usos: filtrar acesso a sites, guardar cópias (cache) para acelerar acessos repetidos e registrar o uso. O proxy reverso fica diante dos servidores e recebe as requisições vindas de fora, protegendo e distribuindo a carga.
IDS e IPS
| IDS | IPS | |
|---|---|---|
| Sigla | Sistema de Detecção de Intrusão | Sistema de Prevenção de Intrusão |
| Ação | detecta e alerta | detecta e bloqueia |
| Posição típica | observa uma cópia do tráfego | fica em linha no caminho do tráfego |
| Risco | só avisa, não impede | pode bloquear tráfego legítimo (falso positivo) |
Métodos de detecção:
- Por assinatura: compara com padrões conhecidos de ataque. Rápido e preciso para ameaças conhecidas, mas não detecta ataques novos.
- Por anomalia (comportamento): aprende o que é normal e alerta sobre o que foge do padrão. Detecta ameaças novas, com mais falsos positivos.
Pegadinha frequente: dizer que o IDS “bloqueia” o ataque. Quem bloqueia, em princípio, é o IPS.
VPN
Uma VPN (rede privada virtual) cria um túnel criptografado sobre uma rede pública, como a internet. Efeitos: protege a confidencialidade e a integridade dos dados em trânsito e autentica as pontas. Usos: acesso remoto de servidores ao ambiente do órgão e ligação segura entre unidades. Variações: VPN baseada em IPsec e VPN que usa SSL/TLS (acessível pelo navegador).
Cuidados de leitura: a VPN não protege contra um malware já presente no computador, nem torna o usuário “anônimo” para o serviço em que ele se autentica.
Antivírus e EDR
O antivírus procura programas maliciosos por assinatura e por comportamento (heurística) e deve estar atualizado, pois novas ameaças surgem o tempo todo. Soluções de EDR monitoram e respondem a atividades suspeitas nos dispositivos finais, indo além da análise de arquivos. Nenhuma ferramenta detecta tudo: por isso se fala em defesa em camadas.
Autenticação e MFA
Autenticar é provar quem você é. Os fatores de autenticação são de três tipos:
| Fator | O que é | Exemplos |
|---|---|---|
| Conhecimento | algo que você sabe | senha, PIN |
| Posse | algo que você tem | celular com aplicativo gerador de códigos, token, cartão |
| Inerência | algo que você é | digital, face, íris |
A autenticação multifator (MFA) exige dois ou mais fatores de tipos diferentes. Exemplos:
- Senha + código gerado no celular: MFA (conhecimento + posse).
- Senha + digital: MFA (conhecimento + inerência).
- Senha + pergunta secreta: não é MFA, porque ambos são conhecimento.
- Duas senhas diferentes: também não.
A MFA reduz o risco quando a senha vaza, porque o segundo fator ainda é exigido. Isso não elimina golpes em que a vítima é induzida a entregar o código (engenharia social).
Termos relacionados:
- Autenticação: confirmar a identidade.
- Autorização: definir o que a identidade autenticada pode fazer.
- Auditoria (accounting): registrar o que foi feito. Fecha o trio autenticação, autorização e auditoria.
- SSO (single sign-on): um único login que dá acesso a vários sistemas.
- Princípio do menor privilégio: cada usuário recebe só as permissões necessárias à função. Veja também controle de acesso e medidas de segurança.
Boas práticas de senha
- Senhas longas e únicas por serviço são mais seguras que senhas curtas e complexas reaproveitadas.
- Um gerenciador de senhas ajuda a manter senhas únicas.
- Não compartilhe senhas nem códigos de verificação.
- Sistemas bem projetados armazenam apenas um hash da senha (com salt), e não a senha em texto, de modo que nem o administrador a conhece.
Quadro-resumo
| Se o enunciado diz… | Pense em… |
|---|---|
| “controla o tráfego por regras entre redes” | firewall |
| “protege aplicação web contra injeção de SQL” | WAF |
| “servidores públicos isolados da rede interna” | DMZ |
| “detecta e alerta” | IDS |
| “detecta e bloqueia, em linha” | IPS |
| “túnel criptografado pela internet” | VPN |
| “dois fatores de tipos diferentes” | MFA |
| “um login para vários sistemas” | SSO |
Erros comuns
- Confundir IDS com IPS.
- Achar que a VPN protege o computador contra vírus.
- Contar senha e pergunta secreta como dois fatores.
- Dizer que o firewall dispensa o antivírus.
- Esquecer que defesa em camadas combina várias medidas, e nenhuma é infalível.
Próximos passos
- Revise ameaças em segurança da informação: ameaças, malware e golpes digitais.
- Faça cópias de segurança com backup completo, incremental e diferencial.
- Entenda onde as defesas atuam em modelo OSI e TCP/IP.
Fontes e atualização
- Edital do TRT 10 (Cebraspe): o conteúdo de Tecnologia da Informação lista firewall, WAF, IDS/IPS, VPN, antivírus, controle de acesso e autenticação baseada em múltiplos fatores.
- Edital do TRF 1 (FGV): o conteúdo de TI lista firewall, proxy, IDS/IPS, gateway VPN, DMZ, antivírus e autenticação multifator.
Os conceitos foram conferidos; produtos e arquiteturas mudam. Confira o que o edital do seu concurso pede.