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Quem se formou em Medicina fora do país e quer atuar no Brasil tem pela frente um processo de revalidação do diploma. Uma das vias é o Revalida, exame aplicado pelo Inep. Muita gente o confunde com a revalidação em si: o exame é a prova de competência, e o ato de revalidar cabe a uma universidade pública. Este guia explica o exame com base nas páginas do Inep: requisitos, documentação, as duas etapas e a lógica das notas de corte.
O que é o Revalida
Segundo o Inep, o Revalida subsidia o processo de revalidação dos diplomas de médicos formados no exterior. É um instrumento unificado de avaliação, compatível com as exigências de formação dos diplomas de Medicina obtidos em universidades brasileiras, destinado a subsidiar os procedimentos conduzidos por instituições públicas de educação superior. O exame verifica conhecimentos, habilidades e competências necessárias ao exercício profissional adequado aos princípios e às necessidades do Sistema Único de Saúde, em nível equivalente ao exigido de médicos formados no Brasil.
Ele atende estrangeiros formados em Medicina fora do país e brasileiros que se graduaram em outro país. A participação é voluntária e pode se repetir até a aprovação. As provas das duas etapas são aplicadas em língua portuguesa, e o Inep esclarece que não é necessário apresentar o certificado Celpe-Bras para participar.
Requisitos mínimos
Os requisitos descritos pelo Inep são:
- ser brasileiro ou estrangeiro em situação legal de residência no Brasil;
- ter CPF emitido pela Receita Federal;
- possuir diploma médico expedido por instituição de educação superior estrangeira, reconhecida no país de origem pelo ministério da educação ou órgão equivalente;
- ter o diploma autenticado pela autoridade consular brasileira ou pelo apostilamento da Convenção da Apostila da Haia, promulgada no Brasil por decreto, quando os países forem signatários.
Para quem ainda não tem o diploma, o Inep admite declaração ou certificado de conclusão do curso expedido por instituição estrangeira reconhecida no país de origem, autenticado do mesmo modo. Esse documento deve apresentar, textualmente, a comprovação de conclusão de todo o componente curricular obrigatório do curso, inclusive internatos, estágios obrigatórios e provas finais de graduação, e mencionar que o diploma está em trâmite. Nos dois casos, a regra é do edital da edição; o plano de estudos ou documento que não comprove a conclusão não basta.
Documentação na inscrição
Não é preciso entregar uma pasta de papéis antes da prova. Para confirmar a inscrição, o Inep exige o envio do diploma digitalizado, frente e verso, conforme solicitado pelo sistema, em PDF, PNG ou JPG, com tamanho máximo definido no edital. Documentos apresentados fora do sistema ou fora dos períodos do edital não são aceitos.
A estrutura em duas etapas
O Inep descreve o Revalida em duas etapas eliminatórias, aplicadas em momentos distintos, nos termos de lei específica citada pelo próprio Instituto.
| Etapa | Conteúdo | Observação |
|---|---|---|
| 1ª etapa | Prova teórica em dois instrumentos no mesmo dia: prova objetiva de múltipla escolha e prova discursiva | Aprovação depende de desempenho mínimo em cada uma, sem arredondamento |
| 2ª etapa | Prova de habilidades clínicas, em estações práticas | Edital próprio; só participa quem foi aprovado na 1ª |
O número de itens da objetiva, de questões da discursiva e de estações na prática pode mudar por edição; nas perguntas lidas, a objetiva tinha cem itens, a discursiva, cinco questões, e a prova prática, dez estações, divididas em dois dias. Confirme no edital.
As provas referem-se a cinco grandes áreas: clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, e medicina de família e comunidade com saúde coletiva. O conteúdo tem como referência a Matriz de Referência do Revalida, publicada pelo Inep, e as diretrizes curriculares nacionais do curso de Medicina, as normas das atividades médicas e do SUS.
Como as notas funcionam
Na primeira etapa, será aprovado quem alcançar os desempenhos mínimos esperados (notas de corte) na objetiva e na discursiva, conforme edital específico, sem arredondamento. Na segunda, cada estação é pontuada de zero a dez, e a nota total considera as estações do conjunto; é aprovado quem alcançar a pontuação mínima determinada no edital. A correção da prova prática parte da avaliação das filmagens com ficha de avaliação, e, em caso de discrepância, uma banca faz terceira avaliação. Nenhuma nota é arredondada.
Quem passa na primeira não é convocado automaticamente: deve se inscrever na segunda, conforme o edital específico.
E se reprovar na segunda etapa
O Inep informa que quem reprovar na segunda etapa pode se inscrever diretamente nela nas edições seguintes, até o limite de edições consecutivas indicado nas perguntas frequentes. A regra de quantas tentativas e de qual edição vale deve ser confirmada no edital.
Passo a passo para se preparar
- Reúna o diploma original e confirme a autenticação consular ou o apostilamento.
- Escaneie frente e verso com boa resolução, no formato permitido.
- Leia o edital da primeira etapa e confira prazos, taxa, atendimento especializado e nome social.
- Estude pela matriz de referência do Revalida, nas cinco áreas.
- Treine a objetiva e a discursiva com provas anteriores disponíveis no portal do Inep.
- Se aprovado, acompanhe o edital da segunda etapa.
- Aprovado nas duas, siga para a universidade parceira. Veja Revalida e revalidação do diploma na universidade parceira.
Erros comuns
- Achar que o Revalida revalida o diploma. Ele subsidia o processo, que a universidade conclui.
- Enviar diploma sem autenticação ou apostilamento.
- Usar documento que não comprove todo o componente curricular obrigatório.
- Esperar convocação automática para a segunda etapa.
- Confiar em números de edições antigas sem checar o edital novo.
Próximos passos
- Entenda a regra geral em diploma estrangeiro: revalidar graduação e reconhecer pós.
- Conheça o contexto de carreira em saúde em carreira na saúde pública do DF.
- Veja a organização do sistema em objetivos, princípios e organização do SUS.
Fontes e atualização
Conferido nas páginas acima na data de publicação deste guia. Os números de itens, estações e tentativas pertencem a uma edição específica; editais, portarias e cronograma mudam. Confirme no edital vigente e, em caso de dúvida jurídica sobre exercício da Medicina, consulte o Conselho Regional de Medicina e a universidade parceira.