Informática

ISO 27001 e 27002: SGSI, PDCA e gestão de riscos em alto nível

A família ISO/IEC 27000 reúne as normas internacionais de segurança da informação. Em provas, o que costuma cair é o papel de cada norma, a lógica do sistema de gestão (SGSI) e a gestão de riscos. Este guia fica em alto nível de propósito: o texto das normas é protegido e suas edições mudam, então não se reproduzem listas de controles nem números de cláusulas que o candidato deva decorar sem consultar a bibliografia do edital.

Segurança da informação: os atributos protegidos

A base é a tríade, às vezes ampliada:

Atributo Significado Exemplo de violação
Confidencialidade só quem tem autorização acessa vazamento de documento sigiloso
Integridade a informação não é alterada indevidamente alteração de um registro sem autorização
Disponibilidade a informação está acessível quando necessária sistema fora do ar por ataque
Autenticidade (frequente na ampliação) a origem é quem diz ser e-mail falso se passando por servidor
Não repúdio (também citado) o autor não pode negar o ato assinatura digital

O papel de cada norma da família

Norma Em uma frase
ISO/IEC 27000 visão geral e vocabulário
ISO/IEC 27001 requisitos para estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente um SGSI; certificável
ISO/IEC 27002 código de prática: orientações e controles de segurança; não é certificável, serve de guia de implementação
ISO/IEC 27005 diretrizes de gestão de riscos de segurança da informação
ISO/IEC 27701 extensão para gestão de privacidade, relacionada à proteção de dados pessoais

Resumo que resolve muita questão: a 27001 diz o que o sistema de gestão precisa ter (e é auditada para certificação); a 27002 explica como implementar controles (e funciona como guia). Uma organização se certifica na 27001, não na 27002.

O que é um SGSI

O Sistema de Gestão de Segurança da Informação é o conjunto de políticas, processos, papéis e controles que a organização usa para gerir a segurança da informação de forma sistemática e contínua, a partir dos riscos que enfrenta. Não é um produto nem um software: é um sistema de gestão.

Estrutura da 27001

As normas de sistemas de gestão da ISO compartilham uma estrutura comum. Em linhas gerais, a norma trata de: contexto da organização e partes interessadas; liderança e comprometimento da alta direção; planejamento (inclusive riscos e oportunidades); apoio (recursos, competência, comunicação, informação documentada); operação; avaliação do desempenho (monitoramento, auditoria interna, análise crítica pela direção); e melhoria (ações corretivas e melhoria contínua). Um anexo da norma lista controles de referência, que a organização seleciona conforme seus riscos e justifica numa declaração de aplicabilidade. A organização do anexo mudou entre edições (de domínios para temas); confira a edição adotada.

Ideias importantes:

  • A alta direção lidera. Segurança da informação não é “assunto só da TI”.
  • Os controles decorrem dos riscos, não de uma lista fixa: a organização escolhe e justifica.
  • Informação documentada (políticas, registros) é exigida como evidência.
  • Auditoria interna e análise crítica fazem parte do ciclo.

Ciclo PDCA

O sistema de gestão segue a lógica de melhoria contínua:

Fase Significado No SGSI
Plan (planejar) definir objetivos e processos escopo, política, avaliação e tratamento de riscos
Do (fazer) executar implementar os controles e o plano de tratamento
Check (verificar) monitorar e medir indicadores, auditorias, análise crítica
Act (agir) corrigir e melhorar ações corretivas e melhoria contínua

Gestão de riscos

Risco é a combinação da probabilidade de uma ameaça explorar uma vulnerabilidade e do impacto resultante sobre um ativo. Termos:

  • Ativo: tudo que tem valor para a organização (informação, sistemas, pessoas, instalações).
  • Ameaça: causa potencial de um incidente (ataque, falha elétrica, erro humano).
  • Vulnerabilidade: fraqueza que pode ser explorada (software sem atualização, senha fraca).
  • Impacto: consequência para a organização.
  • Controle: medida que modifica o risco.
  • Risco residual: o que sobra depois dos controles.

Matriz de riscos: exemplo de cálculo

Escala de 1 a 5 para probabilidade e impacto, e nível de risco = probabilidade x impacto (uma convenção comum; a organização define a sua).

Risco Probabilidade Impacto Nível
Vazamento de planilha com dados pessoais por envio ao destinatário errado 3 4 12
Queda do servidor de arquivos por falha de hardware 2 3 6
Ataque de ransomware sobre estações sem atualização 3 5 15
Furto de notebook sem criptografia de disco 2 4 8

Priorização pelo nível: ransomware (15), vazamento (12), furto (8) e queda (6). A organização define um limite de aceitação (por exemplo, riscos acima de 10 exigem tratamento).

Formas de tratar o risco

Tratamento Ideia Exemplo
Mitigar (reduzir) aplicar controles para reduzir probabilidade ou impacto criptografar discos; atualizar sistemas
Evitar eliminar a atividade que gera o risco deixar de usar o serviço inseguro
Transferir (compartilhar) passar parte do risco a terceiros contratar seguro ou terceirizar
Aceitar (reter) decidir conviver com o risco, de forma consciente e documentada risco pequeno cujo controle custaria mais que o dano

O tratamento gera um plano de tratamento de riscos, aprovado pelos responsáveis, que também aceitam o risco residual. Um ponto técnico: a análise pode ser qualitativa (escalas e matrizes, como acima) ou quantitativa (valores monetários e frequências).

Política de segurança e papéis

A política de segurança da informação é um documento aprovado pela direção que declara intenções e princípios. Normas e procedimentos detalham como cumprir. Há papéis: gestor de segurança da informação, responsáveis pelos ativos, usuários. No serviço público federal, a política nacional de segurança da informação (PNSI) e normas do Gabinete de Segurança Institucional orientam os órgãos; veja segurança da informação, PNSI e LGPD. Continuidade do negócio e backup fazem parte dos controles de disponibilidade.

Erros comuns

  • Dizer que a ISO 27002 é a norma de certificação.
  • Achar que o SGSI é um software ou um projeto com data final: é um sistema contínuo.
  • Dizer que todos os controles do anexo são obrigatórios: a organização seleciona e justifica na declaração de aplicabilidade.
  • Confundir ameaça (causa potencial) com vulnerabilidade (fraqueza).
  • Aceitar um risco sem registro e sem aprovação dos responsáveis.
  • Achar que a segurança da informação trata só de tecnologia.

Fontes e atualização

As normas ISO/IEC 27000 são publicações pagas e revisadas; este guia as descreve em linhas gerais, com base na literatura da área, sem reproduzir seu texto, e a matriz de riscos é uma ilustração com valores inventados. O cálculo do nível de risco é simples e foi conferido. Edições, numeração de controles e estrutura do anexo mudam: confira a bibliografia e a edição do edital.

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