Informática

Modelagem de dados: MER, cardinalidade e modelo relacional

Antes de criar tabelas, o analista de sistemas modela o problema: quais coisas importam, que características elas têm e como se relacionam. O modelo entidade-relacionamento (MER) é a técnica clássica, e o diagrama que o representa é o DER. A prova cobra o vocabulário, a leitura de cardinalidades e as regras de transformação do modelo conceitual em tabelas.

Os três níveis de modelagem

Nível O que descreve Independe de SGBD?
Conceitual entidades, atributos e relacionamentos, na linguagem do negócio sim
Lógico tabelas, colunas, chaves, no modelo relacional do produto, sim; do modelo de dados, não
Físico tipos exatos, índices, particionamento, comandos para um sistema específico não

O percurso típico: conceitual, depois lógico (mapeamento), depois físico.

Elementos do MER

  • Entidade: algo sobre o qual se guardam dados (Aluno, Disciplina). Representada por retângulo.
  • Atributo: característica da entidade (nome, matrícula).
  • Relacionamento: associação entre entidades (um aluno cursa disciplinas). Representado por losango na notação clássica de Chen. Outras notações, como a de “pé de galinha”, usam linhas e símbolos nas extremidades.
  • Identificador (chave): atributo ou conjunto que distingue cada ocorrência da entidade.

Tipos de atributo

Tipo Significado Exemplo
Simples indivisível matrícula
Composto divisível em partes endereço (rua, número, CEP)
Multivalorado vários valores para a mesma ocorrência telefones
Derivado calculado a partir de outro idade, derivada da data de nascimento
Identificador distingue as ocorrências CPF, matrícula

Entidade fraca

Entidade fraca é aquela que não existe sem outra (a entidade forte ou identificadora) e não tem identificador próprio completo; usa a chave da forte combinada com um atributo parcial. Exemplo: Dependente de um servidor, identificado pelo servidor mais o número do dependente.

Cardinalidade e participação

Cardinalidade diz quantas ocorrências de uma entidade se relacionam com a outra.

Tipo Leitura Exemplo
1:1 uma de A para uma de B servidor e crachá (um por servidor)
1:N uma de A para várias de B unidade tem vários servidores
N:N várias de A para várias de B alunos e disciplinas

A participação indica se a entidade é obrigada a participar: total (obrigatória, cardinalidade mínima 1) ou parcial (opcional, mínima 0). Na notação (mín, máx), “(0,N)” significa opcional e múltipla; “(1,1)” significa obrigatória e única. Exemplo: todo servidor pertence a exatamente uma unidade (1,1), enquanto uma unidade recém-criada pode ter zero servidores (0,N).

Especialização e generalização

Generalização reúne entidades parecidas numa entidade mais geral (Analista e Técnico viram Servidor); especialização faz o caminho inverso. A herança aparece com os atributos comuns na entidade geral e os próprios nas especializadas. A especialização pode ser total ou parcial e disjunta ou sobreposta: se um servidor só pode ser de uma especialização, é disjunta.

Mapeamento para o modelo relacional

As regras principais, cobradíssimas em provas:

Elemento do MER Vira, no modelo relacional
Entidade uma tabela; o identificador vira chave primária
Atributo simples uma coluna
Atributo composto várias colunas (uma por parte)
Atributo multivalorado outra tabela, com chave estrangeira para a entidade
Atributo derivado em geral, não vira coluna (é calculado na consulta)
Relacionamento 1:N chave estrangeira no lado N, apontando para o lado 1
Relacionamento N:N tabela associativa, com as chaves das duas entidades (juntas, como chave primária) mais os atributos do relacionamento
Relacionamento 1:1 chave estrangeira em um dos lados (de preferência no lado de participação total), ou fusão das tabelas
Entidade fraca tabela com chave primária composta pela chave da forte mais o atributo parcial

Exemplo N:N testado

Alunos e disciplinas: um aluno cursa várias disciplinas; uma disciplina tem vários alunos; a nota pertence ao par. Tabelas: aluno(matricula, nome), disciplina(codigo, nome) e matricula_disc(matricula, codigo, nota), com chave primária composta (matricula, codigo) e as duas colunas como chaves estrangeiras.

Em um banco de teste, com dois alunos e duas disciplinas, foram registradas três matrículas, e a junção das tabelas listou Ana em Informática (8,0) e Raciocínio (7,5) e Bruno em Informática (6,0). As restrições se comportaram como esperado:

Operação Resultado
repetir o par (aluno 1, disciplina INF) rejeitado: chave primária composta já existe
matricular o aluno 9, inexistente rejeitado: violação de chave estrangeira
apagar o aluno 1, que tem matrículas rejeitado: violação de chave estrangeira

A última linha mostra a integridade referencial em ação: não se apaga o “pai” enquanto há “filhos”, a menos que se defina uma regra como exclusão em cascata. Cuidado: em alguns sistemas as chaves estrangeiras precisam estar ativadas explicitamente.

Chaves: lembrete de vocabulário

  • Chave candidata: qualquer conjunto mínimo que identifica a linha.
  • Chave primária: a candidata escolhida; não aceita NULL nem repetição.
  • Chave alternativa: candidata não escolhida.
  • Chave estrangeira: coluna que referencia a chave de outra tabela.
  • Chave substituta (surrogate): identificador artificial, como um número sequencial, sem significado de negócio.

Como resolver uma questão de mapeamento

  1. Para cada entidade, crie uma tabela com sua chave primária.
  2. Para cada relacionamento, veja a cardinalidade máxima dos dois lados.
  3. 1:N: coloque a chave do lado 1 como estrangeira no lado N.
  4. N:N: crie a tabela associativa.
  5. Multivalorados viram tabelas próprias; derivados, em geral, não são armazenados.
  6. Depois, verifique a normalização, em normalização: 1FN, 2FN e 3FN.

Erros comuns

  • Colocar a chave estrangeira no lado errado do 1:N.
  • Tentar resolver N:N sem tabela associativa.
  • Guardar atributo derivado (como idade) e deixá-lo desatualizar.
  • Confundir modelo conceitual (o que) com físico (como no produto).
  • Achar que toda entidade precisa de relacionamento obrigatório.

Fontes e atualização

Não há norma oficial brasileira sobre modelagem de dados; o conteúdo segue a literatura clássica (MER de Chen e o modelo relacional), e o exemplo de chaves foi executado em um banco de teste. As notações gráficas variam: confira a notação adotada no edital.

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